Teste conclui que golas antifumo não entram em combustão, mas são perfuradas

As golas antifumo não entram em combustão "mesmo quando sujeitas a um fluxo de calor de muito elevada intensidade, produzido por chamas cuja altura variou entre um e quatro metros", diz estudo.

O teste pedido pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) às golas antifumo concluiu que estas não entram em combustão pelo contacto com partículas incandescentes, ainda que sofram perfurações. Foram testadas 28 golas no Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais, ligado à Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Os testes passaram por colocar as golas a distâncias entre um metro e os 20 centímetros de chamas intensas, com temperaturas superiores a 250 graus.

“Em conclusão podemos dizer que as golas testadas não se inflamaram – isto é não entraram em combustão com chama – mesmo quando sujeitas a um fluxo de calor de muito elevada intensidade, produzido por chamas cuja altura variou entre um e quatro metros, mesmo quando colocadas a uma distância inferior a 0,5m das chamas, durante mais de um minuto”, refere a conclusão do relatório agora divulgado.

No teste à distância de um metro das chamas, “a gola estava praticamente intacta e por isso foi utilizada no ensaio seguinte”. No teste seguinte, já a 50 centímetros das chamas, “a gola estava praticamente intacta, mas optou-se por utilizar uma nova peça no ensaio seguinte”. O teste a 30 centímetros já provocou alguma deformação à gola que, além disso, “apresentava uma perfuração, por impacto térmico, embora não tenha entrado em combustão”.

O teste que colocou as golas a 20 centímetros das chamas, ou o GO 04, já deu resultados diferentes, já que “no final do ensaio a gola estava muito perfurada, embora não se tenha inflamado” — ver imagem em baixo.

Fonte: Relatório preliminar

 

Dado o resultado deste último teste, a equipa optou por colocar em “confronto” a reação de um tecido de algodão ao mesmo cenário para comparar os efeitos, tendo este último reagido bastante melhor que a gola antifumo distribuída pelas populações.

“No final do ensaio a gola estava perfurada, embora não se tenha inflamado, tal como no ensaio anterior. O tecido de algodão, alterou a cor, mas não se deformou nem entrou em combustão”, refere a conclusão deste teste.

E contra um isqueiro?

Depois de analisar a reação da gola à proximidade das chamas, testes que permitiram mostrar que “as partículas incandescentes perfuravam a gola, mas esta não se inflamava, isto é a combustão com chama não era sustentada”, os peritos decidiram analisar o comportamento da gola face ao contacto direto com uma chama viva. A conclusão foi que a gola por si não sustentava a chama viva.

“O contacto com uma chama viva, produzia uma perfuração de maior ou menor diâmetro, mas em geral a combustão não se sustentava com chama viva. Esta situação de combustão com chama apenas ocorreu em determinadas situações de ignição com uma chama permanente e com o tecido da amostra situado praticamente na vertical.”

O documento salienta, por fim, que as conclusões agora avançadas dizem apenas respeito a “um relatório preliminar muito sucinto, uma vez que não foram ainda analisados muitos dos parâmetros que foram objeto de medição e registo durante os ensaios”. Essa análise em maior detalhe será a próxima etapa.

“Estamos presentemente a analisar os dados recolhidos nos ensaios, a fim de poder quantificar os resultados e observações e suportar melhor as conclusões retiradas. Dispomos de registos fotográficos e de vídeo de cada um dos ensaios e as golas testadas foram guardadas para análise.”

(Notícia atualizada às 19h10)

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