China eleva estatuto de Shenzhen na Grande Baía face a protestos em Hong Kong

  • Lusa
  • 19 Agosto 2019

Pequim quer que Shenzhen seja "um exemplo para os moradores de Hong Kong e outras cidades da região, sobre como melhor integrar a política local".

O Governo chinês anunciou no domingo que quer elevar o papel de Shenzhen no plano de integração regional da Grande Baía, face à contestação social em Hong Kong, prometendo maior abertura económica na cidade fronteiriça.

A diretriz pede a Shenzhen que agarre as oportunidades e aprimore as suas funções como “motor central” da Grande Baía, projeto que visa construir uma metrópole mundial a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades da província de Guangdong, através da criação de um mercado único e da crescente conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

“Shenzhen será um exemplo para os moradores de Hong Kong e outras cidades da região, sobre como melhor integrar a política local e os mecanismos de apoio ao desenvolvimento nacional”, apontou o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

“A futura governação de Shenzhen também poderá absorver práticas de Hong Kong, incluindo no setor jurídico e comércio internacional, visando atrair profissionais da cidade vizinha e de outras partes do mundo, para construir um centro internacional de inovação e tecnologia”, acrescentou.

Situado na fronteira com Hong Kong, a cidade de Shenzhen converteu-se numa das mais prósperas cidades da Ásia, símbolo do milagre económico que transformou a China, após a adoção da política de Reforma e Abertura, no final dos anos 1970.

Shenzhen, então uma vila pacata, deliberadamente por desenvolver – os comunistas, que receavam “contaminação” política e económica via Hong Kong, designaram-na de “fronteira de defesa política” – serviu de laboratório à abertura da China à economia de mercado.

Em 2017, o Produto Interno Bruto de Shenzhen ultrapassou os 338 mil milhões de dólares, à frente de Hong Kong ou Singapura.

Hong Kong vive atualmente um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica, enquanto apelam à demissão de Carrie Lam, a chefe do governo local, pró-Pequim e à eleição de um sucessor por sufrágio universal direto, e não nomeado pelo Governo central.

Pequim tem multiplicado esforços para abafar as manifestações, incluindo ao pressionar os negócios locais.

Na sexta-feira passada, o chefe-executivo da companhia aérea Cathay Pacific Airways, Rupert Hogg, demitiu-se, face à pressão da China, depois de alguns dos trabalhadores da empresa terem participado nas manifestações.

Também a PwC, Deloitte, KPMG e Ernst & Young – as quatro grandes empresas de auditoria e consultoria – emitiram comunicados a afastar-se de um anúncio em apoio das manifestações, publicado por funcionários destas empresas num jornal local.

O anúncio “não representa a posição da empresa. Nós opomo-nos firmemente a qualquer ação e declaração que desafie a soberania nacional”, lê-se.

A China tem grande poder económico sobre Hong Kong: segundo dados oficiais, é responsável por metade do comércio do território e a origem de um quarto do investimento externo na cidade.

O continente fornece mais de um quarto da eletricidade consumida em Hong Kong e a maior parte da água potável, enquanto mais de três quartos dos turistas na cidade são chineses.

A importância de Hong Kong para a China diminuiu também, face ao início do processo de reformas económicas no continente, mas Pequim ainda precisa da região semiautónoma como um centro financeiro.

A maior parte do investimento estrangeiro na China passa pelo território, enquanto as empresas chinesas emitem títulos nos mercados internacionais através da praça financeira de Hong Kong.

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