Antram diz não fazer sentido que não existam serviços mínimos na greve dos motoristas

Associação das empresas sublinha que os motoristas de matérias perigosas, entre setembro de 2018 e o acordo oferecido à Fectrans e ao SIMM para janeiro 2020, verão salários crescer 42%.

A Antram, representante das empresas de transporte rodoviário de mercadorias, diz que não faz qualquer sentido a hipótese de não se decretarem serviços mínimos durante a greve do sindicato de motoristas de matérias perigosas agendadas para 7 a 22 de setembro. A associação, contudo, ainda se encontra a estudar qual a percentagem de mínimos que irá propor na próxima segunda-feira.

“Neste momento não há proposta nenhuma da Antram para serviços mínimos, ainda estamos a estudar a hipótese com as empresas do setor o impacto da greve, e logo na segunda-feira às 15 horas faremos a nossa apresentação, e o sindicato a sua, como decorre da Lei”, apontou André Matias de Almeida, aos jornalistas.

Em relação à hipótese de não existirem mínimos, o representante da Antram apontou que “nesta greve faz todo o sentido” que existam, ainda que a mesma vise apenas as horas de trabalho acima das oito diárias e os serviços ao fim de semana e feriados. “Temos que ver o que está em causa, são hospitais, aeroportos… não é real, nem faz sentido não se falar em serviços mínimos por ser uma greve de termos específicos”, apontou.

Em relação ao âmbito da greve — de ser ao trabalho acima das oito horas diárias –, Matias de Almeida explicou que no contrato coletivo “está muito claro o que é a amplitude do trabalho”, ou seja, “que nestas oito horas não estão contempladas as pausas e hora de almoço”, logo, refere, “acredito que seja assim que o sindicato interpreta igualmente as oito horas”, o que implicaria que em causa está uma greve além da média de 9h 30 minutos permitida pelo CCT.

Em relação às declarações de hoje de Francisco São Bento, presidente do SNMMP, de que aceitaria a mediação se as suas imposições fossem aceites, o responsável da Antram disse que “não é aceitável negociar com um aviso prévio de greve” em cima da mesa, pedindo aos motoristas de matérias perigosas que alterem as suas “ideias e pressupostos”, à semelhança do que aconteceu com a Fectrans e SIMM, de modo a “que se encete um diálogo”.

Aumentos salariais de 42% desde setembro de 2018

Este pedido para que os motoristas alterem um pouco a sua perspetiva sobre todo este conflito laboral tem por base um apanhado global que a Antram fez à evolução dos vencimentos do setor entre a situação que existia antes da assinatura do último contrato coletivo, em setembro de 2018, e o que já se encontra neste momento na mesa da Fectrans e do SIMM.

Segundo valores avançados pela própria associação, e para o caso de um motorista de matérias perigosas que trabalhe um sábado por mês e que já tenha acumulado cinco diuturnidades, este profissional passou de ganhar 1.240 euros mensais líquidos para 1.558 euros mensais líquidos só com a entrada em vigor do novo contrato — graças à revisão do vencimento base em 50 euros, do reforço da isenção de horário em cerca de 80 euros e de revisões a outras cláusulas. No total, o rendimento líquido deste motorista subiu 25% com o novo CCT, de setembro de 2018.

Somando agora as condições que já se encontram em cima da mesa da Fectrans e SIMM, sublinham os dados da Antram, o salário líquido do mesmo trabalhador irá crescer cerca de mais 13% a partir de janeiro de 2020, para um ganho líquido de 1.768 euros — graças a um novo reforço do vencimento base e da isenção de horário, a que se soma a criação de um subsídio de operações no valor de 125 euros mensais. Tudo somado, a Antram aponta para uma valorização salarial acumulada de 42% desde setembro de 2018 e janeiro de 2020 — que compara com as correções inferiores a 15% que se registaram nos 15 anos anteriores.

(notícia atualizada às 19h30)

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