Ouro: A defesa contra os bárbaros?

  • ECO + DIF
  • 23 Outubro 2019

Ouro, cotado em euros, atingiu um novo máximo histórico: 1.410 euros por onça. Próximos meses são de extrema importância, em particular saber se a consolidação dos 1.450 euros por onça irá ocorrer.

Em 1924, o economista John Maynard Keynes, ainda hoje celebrado por inúmeros banqueiros centrais e afamados economistas, afirmava: “Na realidade, o Padrão Ouro já é uma bárbara relíquia do passado”. Será mesmo assim?

No último dia 9 de setembro de 2019, o ouro, cotado em euros, atingiu um novo máximo histórico: 1.410 euros por onça (cerca de 31 gramas), correspondente a 45.333 euros por Kg.

Desde o anterior máximo, em 3 de outubro de 2012 (1.378 euros por onça), a tendência ascendente foi interrompida, ocorrendo uma consolidação do preço até janeiro do presente ano. Esta consolidação gerou a formação de um triângulo simétrico, um padrão muito utilizado pela análise técnica; no entanto, este não cumpriu com todos os requisitos desta teoria, atendendo que o preço não rompeu a figura nos primeiros dois terços da mesma, mas apenas em janeiro do presente ano, já muito próximo do vértice do triângulo.

A rutura do triângulo deu continuidade à tendência ascendente que existia desde janeiro de 2005. Por outro lado, ocorreu um duplo topo, tal como já indicado, em outubro de 2012 e setembro de 2019, que poderá representar a inversão da tendência ascendente. Desta forma, os próximos meses são de extrema importância, em particular saber se a consolidação dos 1.450 euros por onça irá ocorrer, garantindo, desta forma, que a atual resistência de 1.410 euros se torna definitivamente um suporte importante (o anterior máximo).

Por que motivo o preço do ouro continua a ser de extrema importância para os mercados financeiros?

Em primeiro lugar, importa ter em conta que foi usado pela humanidade há milhares de anos como moeda; no mundo ocidental, o ouro foi utilizado como divisa nos últimos cinco mil anos, em resultado das suas características únicas: (i) escasso; (ii) não se deteriora com o tempo; (iii) facilmente divisível; pode ser armazenado e transportado com facilidade.

O seu papel como moeda teve o seu fim: em agosto de 1971, o presidente Nixon determinou o fim da convertibilidade do dólar norte-americano em ouro. O sistema monetário era definitivamente nacionalizado. A partir dessa data, os banqueiros centrais, nomeados por políticos e burocratas, passaram a ter uma ferramenta muito poderosa nas suas mãos: a decisão de determinar a quantidade de moeda em circulação; o caminho para a inflação sem limites estava aberto. Desta forma, a partir dessa data, em lugar do seu papel como divisa, o ouro tornou-se o melhor indicador da inflação existente no sistema monetário, a forma mais subtil de confisco dos cidadãos.

É importante notar que os Estados possuem três formas de confiscar os seus cidadãos: (1) através de impostos; (2) emissão de dívida; e (3) inflação. Esta última é a preferida da classe dirigente, uma vez que não é percecionada pelos cidadãos. Este fenómeno implica custos substanciais e ocultos para a generalidade da população, uma vez que o dinheiro que existe no seu bolso perde poder aquisitivo. Neste contexto, os pobres são os que mais sofrem, atendendo que são os últimos a ver nos seus bolsos a nova massa monetária, precisamente no momento que a subida generalizada dos preços já teve lugar; ao contrário dos mais afortunados e conhecedores de soluções de poupança, que os protegem deste fenómeno.

Na realidade, desde 1971, as principais divisas mundiais não pararam de perder valor, exceto o mercado acionista norte-americano:

  • Janeiro de 1975 – 175,3 USD por onça; Outubro de 2019 – 1.500 USD por onça; o dólar norte-americano perdeu 88% do seu valor;
  • Janeiro de 1975- 52.691 JPY por onça; Outubro de 2019 – 160.657 JPY por onça; o Iene japonês perdeu 67% do seu valor;
  • Janeiro de 1975- 75 GBP por onça; Outubro de 2019 – 1.224 GBP por onça; a libra esterlina perdeu 94% do seu valor;
  • Janeiro de 1975- 0,40 onças de ouro por um índice S&P 500; Outubro de 2019 – 1,97 onças de ouro por um índice S&P 500. Em USD, o índice S&P 500 subiu 12% ao ano, enquanto o ouro apenas 7% ao ano, ou seja, o mercado bolsista norte-americano foi o único que permitiu uma proteção contra a inflação.

Na verdade, a partir do momento da abolição do Padrão Ouro, a invasão bárbara teve lugar: ciclos permanentes “bolha/crash”, crises bancárias (Chipre e Grécia há poucos anos), resgates de estados (Grécia, Irlanda e Portugal, recentemente), tudo aconteceu!

Para evitar que os invasores cheguem à sua porta, o leitor deverá tomar o assunto em mãos, formando-se em mercados financeiros, através de cursos de bolsa onde lhe explicam como investir em metais preciosos e outras classes de ativos.

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