BRANDS' ECO Robotização e a Fábrica 2030 – implicações estratégicas

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  • 11 Dezembro 2019

Pedro Menezes Simões, Principal, EY-Parthenon, fala da crescente utilização de robôs colaborativos nas fábricas e das implicações estratégicas dessa mudança.

Embora os robôs já estejam presentes nas fábricas desde a década de 1970, a generalidade das tarefas ainda é executada pelos trabalhadores fabris. A razão é simples – os robôs continuam a ter um custo superior ao do trabalho manual. No entretanto, começamos a assistir a uma adoção crescente em resultado de tendências económicas, demográficas e tecnológicas.

Do ponto de vista económico, os robôs estão a tornar-se mais baratos que os humanos. O efeito combinado da redução de custo e do aumento da produtividade dos robôs resulta num de aumento de eficiência de cerca de 8% por ano. Muitas indústrias estão a atingir o ponto de inflexão a partir do qual o investimento na substituição do trabalho manual tem retorno positivo.

Do ponto de vista demográfico, os robôs colaborativos permitem responder ao envelhecimento da população e escassez de mão-de-obra. Várias empresas têm vindo a deparar-se com faltas crónicas de pessoal para as atividades fabris. Os robôs colaborativos permitem aumentar a produtividade dos trabalhadores existentes ao executar as tarefas repetitivas, inseguras ou fisicamente exigentes. Os trabalhadores mais experientes podem assim focar-se nas tarefas mais estimulantes e menos exigentes.

"Na Fábrica 2030 vamos sem dúvida ver muitos robôs. Mas a verdadeira revolução não está no que se vê, no hardware, mas sim na combinação sinergética de múltiplas tecnologias, no software, adaptadas ao modelo de negócio que se pretende seguir.”

Do ponto de vista tecnológico, os robôs têm capacidade para executar cada vez mais tarefas complexas que “aprendem” mais facilmente. Por exemplo, graças à Inteligência Artificial, é possível “aprender” a tomar decisões com base nos dados de uma rede de robôs, aumentando assim os níveis de eficiência e a qualidade dos produtos.

Não é por isso de admirar que o recurso à automação comece a ganhar um impulso crescente. No entanto, a sua adoção tem implicações estratégicas profundas.

De forma imediata, a robotização implica repensar a pegada industrial das empresas. Ao reduzir a importância dos custos salariais (e aumentar a importância dos custos de energia e acesso a programadores), as soluções de “offshoring” tornam-se relativamente menos interessantes.

Por outro lado, a flexibilidade a fácil reprogramação dos robôs permite pensar em novos modelos de negócio e irá levar a movimentos de “reshoring” e “nearshoring”, com a instalação de fábricas junto aos principais mercados de consumo. Desta forma, as empresas podem tirar proveito de tempos de entrega reduzidos (para o e-Commerce), e ganhar capacidade de reação a variações nas tendências de procura do mercado.

Mas a principal implicação estratégica está no reconhecimento de que a “revolução” da “Indústria 4.0” não consiste na simples adoção de novas tecnologias, mas sim na combinação em rede de vários sistemas cibernéticos.

Dando um exemplo concreto, não basta a automação no “chão de fábrica” para aumentar a velocidade de resposta ao mercado. É igualmente importante deter modelos analíticos de “Inteligência Artificial” que identifiquem alterações na procura. E ter processos suportados em Robotics Process Automation que atualizem de forma imediata os novos planos de produção. E ao contrário dos robôs, estas são tecnologias que já atingiram viabilidade económica e começam a ser adotadas de forma massiva em várias indústrias.

Na Fábrica 2030 vamos sem dúvida ver muitos robôs. Mas a verdadeira revolução não está no que se vê, no hardware, mas sim na combinação sinergética de múltiplas tecnologias, no software, adaptadas ao modelo de negócio que se pretende seguir. As empresas deverão começar desde já a pensar na evolução pretendida para as suas estratégias empresariais, bem como a capacitar-se ao nível das tecnologias que permitirão tirar máximo proveito da robotização.

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