Maria Flor Pedroso demite-se de diretora de informação da RTP

Maria Flor Pedroso e os restantes membros da direção da RTP demitiram-se esta segunda-feira após a polémica com Sandra Felgueiras e o programa 'Sexta às 9'.

Maria Flor Pedroso e os restantes membros da direção da RTP demitiram-se esta segunda-feira após a polémica com Sandra Felgueiras e o programa ‘Sexta às 9’, segundo comunicado da RTP.

Flor Pedroso colocou o seu lugar à disposição, por “considerar que, face aos danos reputacionais causados à RTP, não tem condições para a prossecução de um trabalho sério, respeitado e construtivo, como sempre tem feito”, diz o Conselho de Administração da estação. E a administração aceitou por não ter “outra alternativa, sublinhando o seu “currículo irrepreensível”.

O Conselho de Redação da RTP tinha convocado para esta segunda-feira um plenário de jornalistas sobre o conflito entre a equipa do Sexta às 9, coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras, e a diretora de informação da televisão pública, Maria Flor Pedroso.

Em comunicado, o Conselho de Administração da RTP refere que “recebeu uma comunicação da diretora de informação Maria Flor Pedroso a colocar o seu lugar à disposição, por esta considerar que, face aos danos reputacionais causados à RTP, não tem condições para a prossecução de um trabalho sério, respeitado e construtivo, como sempre tem feito”.

Depois de “auscultação dos motivos invocados pela diretora e exclusivamente por esses motivos, o Conselho de Administração considera que não tem “outra alternativa que não seja aceitar essa decisão”, agradecendo a “Maria Flor Pedroso, jornalista de idoneidade e currículo irrepreensível, o trabalho desenvolvido de forma dedicada, competente e séria enquanto diretora de informação de televisão da RTP”.

O Conselho de Redação da RTP tinha convocado para esta segunda-feira um plenário de jornalistas sobre o conflito entre a equipa do Sexta às 9, coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras, e a diretora de informação da televisão pública, Maria Flor Pedroso.

Em causa está um relato feito pela coordenadora do programa, a 11 de Dezembro, numa reunião com o Conselho de Redação a propósito do programa sobre o lítio, em que adiantou que o Sexta às 9 estava a investigar suspeitas de corrupção no âmbito do processo de encerramento do Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), que passava pelo alegado recebimento indevido de “dinheiro vivo”. Segundo Maria Flor Pedroso, tratou-se apenas de uma tentativa de “ajudar” a investigação.

Nesse âmbito, Sandra Felgueiras acusou Maria Flor Pedroso de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem, directora do ISCEM , Regina Moreira] Depois da intervenção de Flor Pedroso, o programa televisivo cancelou a reportagem. Maria Flor Pedroso é docente do ISCEM.

Mais de 130 jornalistas tinham subscrito um abaixo-assinado em defesa de Maria Flor Pedroso, uma iniciativa que arrancou na sexta-feira e conta com nomes de profissionais de várias gerações e meios, desde Adelino Gomes, Henrique Monteiro, Anabela Neves, Francisco Sena Santos, Rita Marrafa de Carvalho, São José Almeida ou Sérgio Figueiredo.

“Confrontados com o grave ataque público à integridade profissional da jornalista Maria Flor Pedroso, os jornalistas abaixo-assinados não podem deixar de tomar posição em sua defesa, independentemente das questões internas da empresa onde é diretora de informação, que manifestamente nos ultrapassam”, referem os 133 jornalistas que subscrevem o documento.

No abaixo-assinado, com quatro pontos, os jornalistas – de várias redações – apontam que “Maria Flor Pedroso é jornalista há mais de 30 anos, sem mácula”, uma “jornalista exemplar” e “reconhecida e respeitada pelos pares”.

 

 

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