BRANDS' ECO Sílvia Garcia: “Antecipar o futuro é um dos grandes objetivos da INCM”

  • ECO + INCM Lab
  • 30 Janeiro 2020

A aposta na inovação permite à Imprensa Nacional - Casa da Moeda antecipar necessidades e assumir um papel mais competitivo e internacional, como explica Sílvia Garcia, responsável do INCM Lab.

A inovação faz parte do ADN da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM) e é neste eixo que se materializa o INCM Lab, um departamento focado na modernização de processos, técnicas e introdução de novos produtos nos ramos de atuação da INCM, nomeadamente, Documentos de Identificação, Identificação Digital, Autenticação, Rastreabilidade e Proteção de Marca, Serviços e-Gov, Fabrico e Cunhagem de Moeda e Eficiência Interna.

Sílvia Garcia, responsável pelo INCM Lab, explica qual tem sido a estratégia adotado, os projetos que têm sido desenvolvidos com sucesso internacional, bem como o lançamento do Prémio IN3+, que já vai este ano na 3ª edição.

A inovação é um fator estratégico da INCM. Como tem sido desenvolvida esta estratégia?

Sílvia Garcia, responsável INCM Lab

Antecipar o futuro é um dos grandes objetivos da INCM e, nesse sentido, começámos a criar internamente os alicerces para sermos um player de destaque no campo da inovação nacional e internacional. Desde 2016, que temos vindo a investir também para colocar a inovação ao serviço da comunidade, aproximando investigadores, comunidade académica e indústria apoiando a concretização de projetos disruptivos.

Criámos uma área designada – INCM Lab – dedicada à Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I&DI) ao mesmo tempo que assegura o acordo do acionista para investir anualmente 1% do seu volume de negócios, cerca de um milhão de euros, em projetos desta natureza.

Em que medida é que a forte aposta no pilar da inovação tem contribuído para o desenvolvimento da INCM?

A aposta na inovação permite-nos, em primeiro lugar, concretizar a nossa visão, antecipando necessidades e tendências nas áreas em que atuamos: emissão de cartões de cidadão, passaportes, selos de autenticidade, segurança digital e cunhagem de moeda de coleção (numismática). Por outro lado, esta aposta também nos possibilita intervir em novos mercados, produtos e serviços, onde assumimos cada vez mais um papel competitivo principalmente a nível internacional, através do aumento da sua atuação na cadeia de valor e diminuição da dependência de soluções de terceiros.

O facto de sermos proprietários de patentes relacionadas com tecnologias inovadoras é também uma porta aberta para a internacionalização, sendo que o mercado externo representa atualmente uma grande fatia da nossa carteira de clientes.

Temos estado a desenvolver várias tecnologias disruptivas a nível a internacional como é o caso da tecnologia UniQode, um sistema de validação, que à primeira vista poderá lembrar um QR CODE, mas que é muito mais do que isso.

Sílvia Garcia, responsável INCM Lab

Consegue descrever como funciona o ecossistema de inovação?

O INCM Lab tem a missão de assegurar que todo o processo de inovação é desenvolvido de acordo com as necessidades comerciais e industriais da INCM, colaborando de uma forma estreita com as áreas produtivas e de engenharia da empresa. Os projetos de inovação podem ser resultado de uma necessidade interna da empresa, da colaboração com os parceiros da Rede de Inovação.

De acordo com a vigilância científica e tecnológica externa e interna feita pelo INCM Lab, um projeto pode ser criado já com uma finalidade específica, casos em que o processo criativo e tecnológico é efetuado por nós, sempre em colaboração com a nossa Rede de Inovação, ou de uma forma mais espontânea. Exemplo disso é o Prémio IN3+ que convida os investigadores a apresentarem as suas ideias de uma forma mais aberta.

A Rede de Inovação da INCM baseia-se no trabalho em parceria com universidades, laboratórios, centros tecnológicos e de investigação, startups e outras entidades, visando a partilha de conhecimento, vigilância e previsão tecnológica e networking entre os diferentes intervenientes e, consequentemente, a geração de valor e económico e/ou social relevante.

A INCM tem desenvolvido vários projetos de inovação pioneiros a nível mundial. Pode falar-nos um pouco desses projetos?

Temos estado a desenvolver várias tecnologias disruptivas a nível a internacional como é o caso da tecnologia UniQode, um sistema de validação, que à primeira vista poderá lembrar um QR CODE, mas que é muito mais do que isso. É um sistema que alia as componentes de rastreabilidade e autenticação, codificando vários elementos de segurança presentes, por exemplo, em documentos de identificação ou selos de segurança. Já existem no mercado produtos com o UniQode introduzido, como o Documento Único Automóvel (DUA) ou os selos fiscais do tabaco. Este sistema tem ainda a capacidade de explorar as componentes estética e de design, aliados ao marketing e à comunicação com o cidadão e consumidor.

A tecnologia UniQode já está implementada no Documento Único Automóvel e os selos fiscais do tabaco.

Outros dois ótimos exemplos que estão em desenvolvimento, o Papel Secreto, que foi o projeto vencedor da primeira edição [do Prémio IN3+], liderado pela Professora Doutora Elvira Fortunato e o ATLAS (Autonomous Transport for Logistic Automatic System), um projeto de robótica colaborativa levado a cabo pela equipa do Professor Doutor José Barata, vencedor da segunda edição.

O Papel Secreto tem como mote “Dar inteligência ao papel”, ou seja, o papel interage connosco! O seu principal objetivo é aumentar o rastreio e segurança de produtos e documentos, tais como documentos de identificação, passaportes, suportes de comunicação e marketing, saúde, entre outros. Atualmente, este projeto encontra-se em desenvolvimento no laboratório colaborativo AlmaScience, recentemente criado, em conjunto com a Navigator, Fraunhoffer, a Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Diagnósticos Clínicos Clara Saúde. Este laboratório visa criar conceitos inovadores e sustentáveis que promovam a criação de novas tecnologias e produtos baseados na tecnologia do papel inteligente.

Papel Secreto foi o projeto vencedor da 1ª edição do Prémio IN3+ promovido pelo INCM Lab.

O ATLAS baseia-se na criação de um sistema, baseado em robótica colaborativa, que visa a melhoria da logística interna e expedição dos cartões de cidadão e passaporte eletrónico português. A utilização deste sistema baseado no conceito indústria 4.0 – atualmente em curso nas nossas instalações – permite, não só a garantia da localização e segurança dos materiais transportados dentro da INCM, como também libertar os colaboradores de tarefas pesadas e automatizadas, para que possam dedicar-se inteiramente a ações nas quais são verdadeiramente essenciais.

Como surgiu a ideia de criar o Prémio IN3+ e em que é que consiste?

A ideia do Prémio IN3+ fez parte do início da estratégia de inovação da INCM, juntamente com a criação de uma área dedicada à Investigação e Desenvolvimento (I&D). A finalidade deste prémio é selecionar ideias que possibilitem a criação de soluções inovadoras e que possam integrar as atividades associadas ao objeto social da INCM. Portugal tem uma comunidade académica de excelência e este prémio é o casamento entre a investigação ali desenvolvida e a sua aplicação na prática do mundo empresarial.

As ideias propostas ao prémio serão objeto de avaliação por um júri composto por personalidades ligadas à ciência, à inovação e ao empreendedorismo, onde serão escolhidas até três ideias vencedoras.

Os vencedores terão direito aos seguintes prémios, consoante a sua classificação:

1º lugar: financiamento do projeto de I&D necessário ao desenvolvimento da ideia até ao valor de 600.000€;

2º lugar: financiamento do projeto de I&D necessário ao desenvolvimento da ideia até ao valor de 250.000€;

3º: lugar: financiamento do projeto de de I&D necessário ao desenvolvimento da ideia até ao valor de 150.000€.

Além disto, os vencedores recebem ainda um valor de 2% (sob o financiamento ganho) para premiar a ideia.

No Prémio IN3+, a liberdade científica é deixada para os parceiros da Rede de Inovação, sem qualquer confinamento técnico ou criativo, os parceiros da nossa rede podem construir um projeto capaz de criar soluções inovadoras, relacionadas com a melhoria dos processos produtivos, a criação de novos modelos de negócio ou o desenvolvimento de novos produtos e serviços da empresa.

O Prémio IN3+ segue este ano para a 3ª edição. Que balanço faz?

O balanço é bastante positivo, tivemos o privilégio de acompanhar as equipas vencedoras nos estudos de viabilidade e, depois, na implementação dos seus projetos na atividade da empresa, nomeadamente, na sua tradução em novos produtos.

O que acontece depois de se apurar um vencedor?

A prioridade é sempre termos ideias que possamos implementar e tornar realidade, por isso, depois de se apurarem os vencedores, inicia-se o processo de análise das suas propostas. Esta análise baseia-se num estudo de viabilidade económica e científica e, posteriormente, as ideias transformam-se em projetos e inicia-se a sua implementação.

Quais são as suas expectativas para esta edição?

As expectativas são bastante elevadas. Da primeira para a segunda edição o aumento de inscrições foi bastante significativo, por isso, estamos expectantes para este ano. O Prémio IN3+ começa a ter mais força nos núcleos científicos, aumentando o know-how sobre a inovação levada a cabo pela INCM e isso permite que as ideias sejam cada vez mais disruptivas e mais direcionadas ao mercado e à sociedade.

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