BRANDS' ECO Como continuar a fazer o que fazemos, num mundo diferente?

  • BRANDS' ECO
  • 6 Abril 2020

Se há um poder inato que o empresário ou equipa de gestão devem possuir é a capacidade de deter um profundo conhecimento da própria organização. Aí começa a reação à situação de crise empresarial.

Depois do COVID-19, o mundo nunca mais será o mesmo. Por isso, colocamos, diariamente, a questão:

Como vamos continuar a fazer o que fazemos, num mundo diferente?

Apesar do gigantesco impacto, a presente crise é uma oportunidade de mudança e de adaptação.

Uma coisa é certa: não há tempo para esperar. Fruto desta pandemia, há empresas que, no futuro, serão totalmente diferentes. E ninguém quer ficar para trás.

O empresário português está habituado a lidar com desafios e crises. No entanto, assuma-se, dificilmente existe alguém ou alguma empresa preparada para lidar com uma pandemia, a todo o título excecional.

Não obstante, a imprevisibilidade e desconhecimento daquilo que o futuro nos reserva não deve justificar a falta de ação ou a simples reação mecânica e cega.

Se há um poder inato que o empresário ou a equipa de gestão devem possuir é a capacidade de deter um profundo conhecimento da sua própria organização (dos seus pontos fortes e também das suas fragilidades). E é exatamente a partir desse conhecimento que toda a reação à situação de crise empresarial deve começar.

Não basta termos medidas excecionais (destinadas a uma generalidade de organizações), uma moratória ou suspensão de responsabilidades várias ou ter acesso a financiamento bancário em condições diferenciadas.

Sempre se exigiu coragem aos empresários portugueses e, neste momento, essa exigência vem em dose dupla: se por um lado devem ter a coragem de acreditar na retoma, segurando o seu negócio e acreditando que existe um futuro para lá da pandemia; por outro, exige-se coragem para enfrentar a realidade e, sem dilações, planear e agir de acordo com as necessidades intrínsecas da sua própria empresa. Aqui, as dificuldades e os problemas têm de ser identificados e as decisões têm de ser tomadas.

Foi para que pudesse servir de auxílio a esse exercício – o de averiguar, confrontar e planear uma gestão de crise empresarial – que adaptámos a nossa Legal e Compliance Check-List (pode ser consultada aqui), aliando a nossa experiência no acompanhamento de empresas em situação de crise a uma capacidade técnica na análise e gestão da crise provocada pela COVID-19.

O propósito foi identificar aqueles pontos-chave a considerar no atual contexto de crise. Este guia pretende, assim, ser um instrumento de trabalho prático, de fácil acesso e que sirva para orientar empresários e equipas de gestão a identificarem as questões essenciais que exigem, no imediato, uma reflexão no sentido de antecipar, prever e encaminhar uma reação.

Se entendermos o problema de base na nossa organização, aí sim poderemos procurar, encontrar e aplicar a medida certa (extraordinária ou não), da forma adequada.

O objetivo será sempre o de tornar ainda mais sólidos e consistentes os pontos fortes das empresas, eliminando ou minimizando, ao mesmo tempo, os pontos fracos, numa gestão de risco constante. Só assim será possível alcançar o sucesso: com foco no negócio e com o profundo conhecimento e planeamento da sua gestão.

Certamente que a possibilidade de conseguir liquidar ou não os salários no final do próximo mês será uma das preocupações principais de um empresário neste momento. Daí que as medidas extraordinárias, eventualmente aplicáveis, possam apoiar e suportar, de alguma forma, as empresas neste momento particular. Contudo, nunca podemos esquecer que existirá vida para além da crise COVID-19 (estamos todos a lutar por isso!). Por isso, as empresas, na sua maioria, não podem esperar que a retoma seja imediata ou, pior, esperar que tudo se mantenha na mesma.

De facto, o mundo assiste, isolado, a algo nunca visto:

Tudo aquilo que nunca podia ser adiado, foi adiado;

Tudo aquilo que nunca podia ser suspenso, foi suspenso;

Tudo aquilo que era urgente, deixou de o ser;

Tudo aquilo que iria estar sempre aberto, encerrou.

Como empresário, já parou para pensar nisto?

Em boa verdade, há séculos que assistimos a crises várias, que sempre tiveram impacto nas organizações, nos negócios e, sobretudo, sempre exigiram das empresas uma capacidade de adaptação e de sobrevivência. É quase uma metáfora daquilo que se exige ao ser humano nesta luta contra um inimigo invisível.

A oportunidade, apesar de tudo, chega a ser mágica, de tão global e instantânea. No fim, aquilo que se pretende é que encaremos a presente crise de forma realista, mas que não fiquemos à espera. Urge planear, agir e antecipar no sentido de criar valor e de encarar este desafio como um momento de crescimento.

Rui Neves Ferreira, Managing-Partner da NOVA Advogados

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Como continuar a fazer o que fazemos, num mundo diferente?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião