Eventual “discriminação” na retoma de voos do Reino Unido “não faz sentido”, diz ministro

  • Lusa
  • 29 Junho 2020

O ministro da Economia diz que a eventual "descriminação" na retoma dos voos do Reino Unido "não faz sentido". "Portugal continuou hoje a ter uma taxa de letalidade muito inferior à do Reino Unido".

O ministro da Economia disse esta segunda-feira que “não faz sentido uma discriminação” de Portugal na retoma de voos do Reino Unido com base no aumento de casos de coronavírus na região de Lisboa.

“Continuamos em discussões com as autoridades britânicas no sentido de explicarmos que Portugal, no seu conjunto todo e uma parte dos destinos dentro do país, como o Algarve e o norte do país, são destinos seguros e, portanto, não faz sentido termos uma discriminação nestes termos”, disse aos jornalistas o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira.

Em causa está uma lista que o Governo britânico divulga hoje, com os países que serão incluídos nos primeiros “corredores aéreos” com o Reino Unido a partir do início de julho, havendo ainda dúvidas quanto à inclusão de Portugal. O Governo britânico está a avaliar a criação de “corredores de viagem” com uma série de destinos para que os britânicos possam ir de férias sem precisar de cumprir a quarentena de 14 dias no seu regresso ao Reino Unido atualmente em vigor.

Portugal continuou hoje a ter uma taxa de letalidade muito inferior à do Reino Unido, continuamos a ter uma grande resposta dos nossos serviços de saúde, nós começámos a desconfinar muito antes do Reino Unido e de outros países, já levamos quase dois meses de desconfinamento, sem que o nível de crescimento dos internamentos ou das unidades de cuidados de saúde se tenha alterado”, defendeu o governante.

Para Pedro Siza Vieira, não se pode apenas olhar para o aumento diário dos casos de contágio, “que é o critério que muitos países europeus tiveram conveniência em adotar”, mas devem ser consideradas também outros indicadores, como o nível de contagio na população, o nível de óbitos, o nível de internamentos e a capacidade de resposta dos serviços de saúde.

“Nesse aspeto, Portugal compara muito bem e, sobretudo nas regiões como o Algarve, como o norte, não tem sentido serem discriminadas relativamente a outros destinos dentro da Europa, que têm níveis de incidência que já são maiores”, sublinhou. O ministro referiu ainda que, “felizmente” há outros mercados importantes para Portugal, designadamente o alemão, com “um outro tipo de abordagem e de aproximação a este problema”.

De acordo com o Daily Telegraph, o Governo britânico está a delinear um plano com três etapas, a primeira das quais prevê acordos com destinos de férias populares na Europa, incluindo França, Itália, Espanha, Grécia e Alemanha. Porém, adianta o jornal, estes países de “baixo risco” não deverão incluir Portugal devido ao aumento de casos de coronavírus nos últimos dias na região de Lisboa e sul do país.

O jornal The Sun coloca Portugal em dúvida, mas o Daily Mail refere que “é provável que seja incluído na lista de destinos, apesar de preocupações com surtos” no país. Segundo a imprensa britânica, numa segunda fase, a partir de agosto, seriam adicionados destinos de médio curso, como Turquia, Marrocos, além de ilhas francesas da Reunião no Oceano Índico, algumas ilhas das Caraíbas e Dubai. No final do verão serão incluídos países que implicam voos de longo curso, como Vietname, Singapura, Hong Kong ou Canadá, embora as listas de nomes variem.

O ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, afirmou na quarta-feira que a lista de países com os primeiros “corredores” será revelada esta segunda-feira, quando está prevista a primeira revisão desde que entrou em prática a quarentena, introduzida há três semanas para tentar travar a pandemia. Desde 8 de junho que todas as pessoas que chegam do estrangeiro ao Reino Unido, incluindo britânicos, são obrigadas a permanecer em isolamento durante 14 dias para reduzir a probabilidade de contágio.

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