Banca, comércio e transportes públicos são serviços essenciais para energizar “Espanha vazia”

  • Europa Press
  • 27 Julho 2020

Em Espanha, o CaixaBank e a cadeia de supermercados Dia são as empresas que contam com uma maior presença em municipios com menos de 10 mil habitantes.

Os serviços bancários, o comércio e os transportes públicos são três dos serviços básicos “chave” para melhorar a atratividade das zonas rurais, bem como a saúde, a educação e o correio, num ambiente populacional cuja realidade diferenciada se tornou novamente evidente como resultado do confinamento e da crise resultante do coronavírus.

É isto que o relatório “Despoblamiento rural: la brecha de la desigualdad”, dos sociólogos Luis Camarero (UNED) e Jesús Oliva (Universidad Pública de Navarra) assinalam, no qual analisam o despovoamento rural, popularizado como “Espanha vazia”, e atestam que, embora tenha entrado recentemente na agenda política, é um fenómeno que tem estado lentamente latente como resultado de uma série de processos sobre os quais a crise económica de 2008 teve um efeito “determinante”.

O relatório destaca o CaixaBank e os supermercados Dia como as empresas privadas com maior presença nos municípios espanhóis com menos de 10 mil habitantes, uma vez que o primeiro concentra mais de um terço dos pontos de contacto das entidades que herdaram as antigas caixas económicas, enquanto a cadeia de supermercados tem 1.120 estabelecimentos nestes centros populacionais.

Especificamente, dos serviços analisados, o setor bancário passou por um processo de concentração significativo (de 45.707 agências para 25.755), sendo este processo mais pronunciado nas zonas urbanas do que nas zonas rurais. Segundo dados do Banco de Espanha, mais de metade dos municípios – 4.109 em 8.131, com 1,3 milhões de pessoas – não tem uma agência bancária.

O CaixaBank tem mais de 1.300 balcões nestes municípios, seguido de Ibercaja (555), Unicaja (511) e Bankia (497), bem como mais de 1.100 agências em municípios com entre 10 mil e 50 mil habitantes, à frente de Bankia (460), Unicaja (202) e Kutxabank (124).

“A proximidade das fontes de crédito é essencial para permitir o desenvolvimento económico, a emergência de projetos de inovação social, bem como a manutenção do tecido associativo nas zonas rurais”, explica o estudo.

Apenas 2.726 dos 7.369 municípios com menos de 10 mil habitantes têm um supermercado, o que significa que 60% dos pequenos municípios não têm um supermercado.

Por operadores, a cadeia Dia tem a maior presença nestas cidades (1,120), seguido por Coviran (1,005) e o grupo HD Covalco (663).

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