“É da responsabilidade de todos lutar contra a desinformação”, diz Madhav Chinnappa

  • Lusa
  • 31 Outubro 2020

Diretor de desenvolvimento do ecossistema de notícias da Google, Madhav Chinnappa, considerou, em entrevista à Lusa, que o combate à desinformação "é responsabilidade de todos".

O diretor de desenvolvimento do ecossistema de notícias da Google, Madhav Chinnappa, considerou, em entrevista à Lusa, que o combate à desinformação “é responsabilidade de todos” e defendeu a literacia mediática como uma das armas.

“É responsabilidade de todos lutar contra a desinformação”, afirmou Madhav Chinnappa, que trabalha em parcerias e colaboração entre a Google e a indústria de media como parte da Google News Initiative (GNI). “Da perspetiva da Google há três áreas: uma é o que fazemos na superfície, e isso é sobre as coisas que fazemos, como verificação de factos e fontes fiáveis. A segunda é o que fazemos com o ecossistema“, prosseguiu, recordando que Google.org, através da GNI, já financiou “mais de 10 milhões de dólares” para ajudar a combater a desinformação.

“Também trabalhamos com padrões para garantir que as organizações de verificação de factos estão a fazer isso de forma a que todos possam beneficiar”, disse. E há uma terceira parte, apontou, que tem a ver com a literacia mediática. “Acho que esta parte não é suficientemente falada”, acrescentou Chinnappa, que tem duas filhas em idade escolar.

“No Reino Unido ensinam as crianças a estarem seguras ‘online’. A literacia mediática também envolve ensinar as pessoas a serem inteligentes ‘online”, salientou Madhav Chinnappa. Mas a literacia mediática não se coloca apenas aos mais pequenos, já que os adultos partilham desinformação, sem terem a capacidade de destrinçar o que é verdadeiro ou falso. “Todos temos o mesmo problema, quer seja o tio maluco ou o teu filho. Para mim, essa é a parte educacional”, afirmou.

Temos vindo a trabalhar com as organizações de literacia mediática […]. Sei que não temos as respostas, ouvimos as pessoas e elas dizem é que é preciso ser incluído no currículo, na escola. E também é preciso trabalhar com o público mais velho para garantir que são educadas” nesta matéria.

“Quando comecei [a trabalhar] na AP [Associated Press] foi-me ensinada uma regra simples, que foi reforçada quando entrei na BBC: duas fontes”, referiu. Ou seja, “quando alguém te diz algo, precisas de duas fontes para verificar” a informação. E acho que o que aconteceu com o tempo é que se tem de ter cuidado em verificar essas duas fontes porque se elas estão dependentes de uma fonte, não são fontes”.

Este é um exercício que Madhav Chinnappa pratica com a sua família e filhas. “Frequentemente, com a minha família e as minhas filhas faço apenas perguntas simples como qual é a fonte disso? Verificaste?”, exemplificou.

Uma das coisas que a Google tem registado, disse, é que as pessoas utilizam muitas vezes este motor de pesquisa para verificar os factos. E verificar se a informação é verdadeira “é bom”, sublinhou, considerando que tal deveria ser um hábito. “É assim que deve ser, tal como tirar o leite do frigorífico e verificar que está dentro do prazo” de validade, comparou o responsável. Por isso, “quando tiver uma informação, verifique a fonte”, aconselhou.

Madhav Chinnappa começou a trabalhar na Google em 2010 para a Google News & Magazines na região da Europa, Médio Oriente e África, tendo trabalhado na indústria dos media desde 1994 – primeiro integrando a equipa que lançou a Associated Press Television (APTV), passando ainda pela BBC News, onde esteve cerca de nove anos.

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