BRANDS' ECO Eixos estratégicos para a retoma

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  • 2 Dezembro 2020

Paulo Bandeira, Sócio da SRS Advogados, entidade parceira da Coimbra Business School, fala da "bazuca" europeia que chegará para apoiar a retoma económica. Estaremos preparados para aproveitá-la?

O mundo está a deparar-se com um desafio transformador. Pela primeira vez na era da globalização, somos confrontados e conscientes do impacto que uma pandemia produz no nosso mundo familiar, afetivo, empresarial e social.

Um dos impactos transformadores da pandemia foi a capacidade quase instantânea de nos colocar a viver uma vida “mais ou menos” normal assumindo uma base remota e isso apenas é possível através da massificação da tecnologia.

Hoje em dia podemos dizer que boa parte da nossa vida pode ser gerida online.

Muitos trabalhamos de casa porque os sistemas informáticos o permitem, os alunos têm aulas online porque a tecnologia de streaming e de vídeo-chamada evoluiu extraordinariamente, as compras online dispararam, os serviços de entrega multiplicaram-se, os pagamentos contactless generalizaram-se e há uma crescente transformação digital de uma multiplicidade de serviços básicos e serviços públicos que vão digitalizando a relação entre o cidadão e o Estado.

Naturalmente que tudo tem um reverso e esta transformação da nossa vida para uma existência remota e mais digital vai erodindo a nossa relação com uma parte da economia que não assenta nos meios digitais, o que se traduziu e continuará a traduzir num tremendo impacto económico.

2021 será o ano em que esperamos a “bazuca” europeia, o alívio económico que vai despejar muito dinheiro nas economias da União Europeia e lançar a retoma nos mercados.

A pergunta é: como estaremos preparados para aproveitar esta alavanca?

Esta geração cresceu a ouvir falar das oportunidades perdidas que a má utilização dos fundos comunitários gerou desde os anos 80 do século passado. Agora voltamos a ter uma oportunidade única para fazer diferente e fazer melhor. A forma como a aproveitaremos definirá os próximos 25 anos de desenvolvimento do país.

Neste contexto é fundamental que sejamos focados e assumamos de forma determinada eixos estratégicos de desenvolvimento encadeados com um fio condutor e alinhados com um pensamento estratégico perene.

"Os montantes a receber da União são uma nova “oportunidade única” que Portugal recebe e é fundamental que, mais que numa retoma imediata, sejam investidos de acordo com eixos que permitam um crescimento sustentado da economia portuguesa a longo prazo.”

Paulo Bandeira

Sócio SRS Advogados

Temos de assumir três eixos fundamentais:

  • Educação

Não existe transformação num país sem capacitação das pessoas e é necessário prepará-las para aquilo que será o futuro. Isto significa que o ensino tem de se adaptar ao que serão as empresas e os empregos do futuro e deixar um certo imobilismo de conhecimento.

Destarte, o ensino tecnológico e científico tem de entrar muito mais cedo nos currículos escolares. Por todo o mundo têm-se multiplicado as experiências de ensino de programação e ensino científico através de aprendizagem pela experiência lúdica. Este investimento é o que permitirá mais tarde aumentarmos os números de estudantes em cursos superiores e politécnicos de vertente tecnológica.

Adicionalmente, os currículos académicos universitários devem representar melhor as necessidades empresariais e estratégicas do país. As universidades têm de integrar as necessidades do mundo real e comunicar melhor com as empresas, estruturando cátedras que reflitam um plano estratégico industrial a desenvolver no país e formando pessoas para cumprir esse plano.

  • Indústria

O país necessita de um plano estratégico industrial! É preciso agregar toda a informação disponível, mapear o que somos no setor industrial e pensar o que serão esses setores no espaço de 25 anos. O cruzamento matricial entre essa fotografia do que somos e daquilo que sabemos para onde o mundo se encaminha deve ditar a matriz de investimento na indústria portuguesa.

É nesses setores de futuro que o grosso do financiamento da indústria portuguesa tem de se concentrar, privilegiando-se as empresas que invistam nos novos setores e que tragam inovação.

  • Inovação e Desenvolvimento

Portugal tem vindo a subir degraus no ranking europeu de investimento em I&D, mas claramente ainda não é suficiente.

Ademais, o investimento em inovação não pode ser casuístico, mas tem de ser orientado primordialmente em função do que for o plano estratégico industrial.

Os montantes a receber da União são uma nova “oportunidade única” que Portugal recebe e é fundamental que, mais que numa retoma imediata, sejam investidos de acordo com eixos que permitam um crescimento sustentado da economia portuguesa a longo prazo.

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