BRANDS' ECO O mito da contabilidade só para grandes empresas

  • ECO + Grupo Your
  • 7 Janeiro 2021

Ter uma contabilidade fiável no dia-a-dia e que reflita a realidade da empresa e das suas operações sempre foi absolutamente fundamental, ainda mais nos dias que correm.

Ao longo de muitos anos, a contabilidade foi encarada por várias empresas e pelos seus gestores apenas como uma ferramenta de apoio ao cumprimento de obrigações fiscais. Uma área de funções financeiras, relacionada com a recolha de dados e tratamento da informação, registo, análise e organização de uma empresa. A realidade, porém, é a de que a contabilidade não existe apenas para o cumprimento dessas obrigações, mas enquanto uma das mais importantes ferramentas de apoio à gestão. Sem ela o decision-making estratégico torna-se quase impossível.

Ter uma contabilidade fiável no dia-a-dia e que reflita a realidade da empresa e das suas operações sempre foi absolutamente fundamental, ainda mais nos dias que correm. O suporte contabilístico e fiscal deveria ser incontornável, pois quem não está bem acompanhado nestas matérias pode comprometer seriamente o futuro da empresa no que diz respeito à sua valorização e aos seus cash flows.

De um modo geral pode dividir-se a atividade da contabilidade e a sua respetiva importância em duas vertentes – normalmente chamadas de Contabilidade Geral e Contabilidade Analítica.

Na sua vertente Geral, a contabilidade dá informação sobre a situação económica e financeira da empresa e, por outro lado, regista as relações com o exterior. Apura o lucro global da empresa, elabora o Balanço, a Demonstração de Resultados e os seus Anexos, que variam naturalmente de micro e pequenas empresas para médias ou grandes.

Na vertente Analítica, a contabilidade foca-se nos centros de custos internos da empresa, desde a combinação dos fatores produtivos até à produção de bens. Determina o apuramento dos custos unitários reais e é um ótimo instrumento de controlo interno. Ao contrário da Contabilidade Geral, que tem traços comuns em todas as empresas e organizações, a Contabilidade Analítica é considerada um “fato à medida”. Cada empresa tem o seu próprio negócio, o seu modus operandi e o seu ADN. Os gestores de cada empresa podem ter visões de gestão diferentes e é precisamente isso que a Contabilidade Analítica consegue sustentar, através de uma visão muito própria e detalhada da empresa.

"As PME’s enfrentam exatamente os mesmos tipos de complexidades e desafios que as grandes empresas e, portanto, a informação de Contabilidade de Gestão continua a ser especialmente recomendável.”

Filipa Xavier de Basto

Cofundadora e Partner no Grupo Your

Enquanto a Contabilidade Geral tem por objetivo o controlo das relações com terceiros, a Analítica revela detalhadamente a composição de cada rubrica geradora do resultado apurado. Daqui se conclui que o valor da informação está diretamente relacionado com o binómio custo/benefício que dela se pode retirar.

Nos últimos anos, tem-se observado um mercado cada vez mais competitivo, onde a tomada de decisões dos gestores se tornou cada vez mais importante e decisiva para o sucesso das empresas. Sabemos que uma das maiores causas do encerramento de empresas é, por um lado, a falta de informação para a tomada de decisão e, por outro, o facto de muitas das vezes os gestores não saberem ler ou interpretar as demonstrações financeiras. Por fim, é também crucial que os dados fornecidos sejam fiáveis e que estejam devidamente apresentados.

É frequente relacionar-se a dimensão de uma empresa com as suas capacidades. A perceção geral é a de que quanto maior a organização, maior a necessidade de gerir a informação contabilística, o que cria a ideia deturpada de que as PME’s não precisam de sistemas de Contabilidade de Gestão. Na verdade, as PME’s enfrentam exatamente os mesmos tipos de complexidades e desafios que as grandes empresas e, portanto, a informação de Contabilidade de Gestão continua a ser especialmente recomendável.

Eu diria que a necessidade de uma consultoria e de uma assessoria contabilística e fiscal qualificada deve ser vista praticamente como obrigatória, pois, através do histórico dos registos contabilísticos temos novas bases para elaborar um relatório com previsões futuras e permitir, dessa forma, antecipar decisões de gestão que vão certamente mitigar as situações de risco financeiro para as empresas, preparando-as para possíveis cenários vindouros.

Texto por Filipa Xavier de Basto, cofundadora e partner no Grupo Your.

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