BRANDS' ECO A Globalização faz sentido, agora mais do que nunca!

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  • 3 Março 2021

O mundo está há praticamente 1 ano imerso num clima de restrições de que não há memória recente

Os efeitos da pandemia COVID-19 foram sentidos nas economias de praticamente todos os países – a partir de setembro de 2020, quase todas as economias mais desenvolvidas estavam em recessão ou depressão, enquanto todas as economias emergentes estavam em recessão.

Ao mesmo tempo e só em 2020, assistimos a um retrocesso sem precedentes nos objetivos de desenvolvimentos sustentável das Nações Unidas, com mais de 37 milhões de novas pessoas a passarem para a extrema pobreza e o fosso entre ricos e pobres com novos índices de incremento.

Sem dúvida que, devido à facilidade com que nos deslocávamos pelo globo, assistimos a uma muito rápida propagação do vírus e que o modelo de desenvolvimento económico estava ameaçado na sua sustentabilidade. Mas significa isto que estamos perante o fim da globalização, tal como a conhecíamos? Que nos devemos virar para discursos antiglobalização como alguns governos e autores advogam? Estou convicto que não. Ainda que admitindo a necessidade de mudanças estruturais, naturalmente.

O mundo, especialmente os países mais devastados pela pandemia, precisa de uma interação global sem precedentes que permita uma vacinação à escala global, como nunca existiu, , todos os países incluídos, não apenas os “mais ricos”. Precisa igualmente de tecnologias limpas e investimentos e comércio que criem empregos adequados. O business as usual não me parece uma opção neste novo contexto. Existe uma necessidade fundamental de redobrar os nossos esforços para criar uma globalização mais saudável, ecológica, com uma regulamentação eficaz e muito mais inclusiva e com maior respeito pelos direitos humanos.

E esta pandemia mostrou-nos que a conectividade global não é o problema, mas sim a solução. É notável observar como é que o mundo se adaptou tão rapidamente a uma nova maneira de funcionar. Em grande medida, as sociedades conseguiram manter uma “vida normal” porque os bens de que precisamos, com maior ou menor atraso, continuaram a ser entregues, em muitos casos, mesmo à nossa porta. Foi também possível manter o contato com amigos, família e trabalho por meio de conexões digitais.

Graças a uma colaboração global sem precedentes, estamos cada vez mais próximos de encontrar tratamentos e vacinas eficazes para este vírus. O impacto económico da pandemia viu-se amenizado devido a uma adaptação das cadeias de abastecimento e do acesso ao mercado global com facilidade.

Os benefícios de um mundo mais conectado são visíveis em todos os sítios. Testemunhamos um grande crescimento no comércio eletrónico internacional, bem como assistimos a muitas empresas com alcance mundial a solidificarem as suas posições durante esta crise, ao contrário daquelas com um foco meramente nacional ou regional.

E com isto faço a ponte para o nosso país – a economia portuguesa será muito prejudicada se nos limitarem o acesso aos mercados internacionais, nomeadamente os de maior dimensão. O nosso mercado é pequeno e as nossas exportações têm um importantíssimo peso no PIB nacional – em 2019 cerca de 45%. Por este motivo, é fundamental para todos nós a continuidade da globalização. Não conseguiremos crescer, nem evoluir, sem empresas exportadoras.

A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa tem desempenhado um papel muito importante na internacionalização das empresas portuguesas, contribuindo para um mundo cada vez mais globalizado. Só nos últimos 5 anos foram mais de 500 empresas aquelas que conseguiram estar frente a frente (de forma presencial ou virtual), nos 6 continentes, com importadores, distribuidores, parceiros ou clientes finais, num trabalho meticuloso que permitiu o aumento significativo das exportações nacionais. Como seria isto possível sem a globalização, sem uma abertura ao comércio internacional?

O mundo tornou-se mais pequeno e menos fragmentado com a globalização. O comércio internacional contribuiu para uma maior paz no nosso planeta, algo sem precedentes na nossa história. Não podemos regressar ao passado. Nem pensar nisso!

Pedro Magalhães

Diretor Comércio Internacional

Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa

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