Guy Villax, CEO da Hovione, é o vencedor do prémio EY Entrepreneur of The Year

  • ECO
  • 12 Abril 2021

O líder da Hovione vence, aos 60 anos, a 8.ª edição do prémio EY Entrepreneur of The Year. António Oliveira (OLI) e Rupert Symington (Symington) também foram distinguidos.

O prémio EY Entrepreneur of The Year foi atribuído este ano a Guy Villax, CEO da farmacêutica portuguesa Hovione. Receber este prémio “é um reconhecimento que dá muita satisfação”, afirma o empresário, realçando que “esta é uma distinção importante para a empresa, mas sobretudo importante para as pessoas que ali trabalham e é a elas, por isso, que agradeço em primeiro lugar”. Representará Portugal no EY World Entrepreneur of the Year, em junho. Nesta 8.ª edição, foram também distinguidos António Oliveira, da OLI – Sistemas Sanitários S.A., que recebeu o prémio Inovação, e Rupert Symington, da produtora de vinhos e vinhos do Porto Symington Family Estates, distinguido com o prémio Internacional.

Guy Villax, 60 anos, considera que as empresas precisam de saber reinventar-se: “Uma empresa se é estática, morre. Tem de estar constantemente a ver as oportunidades, constantemente a ver o que é que tem de fazer para estar à frente da concorrência, e a inovação é central”. No caso da Hovione, “uma empresa de 60 anos tem tradição, tem valores, mas a inovação estava lá no primeiro dia”, diz, acrescentando: “Podemos ser conservadores na área financeira, mas em tudo o que seja tecnologia, acho que somos os primeiros a ir para a parte funda da piscina”.

Antes de conhecer o resultado da votação do júri, o gestor disse ao ECO que o que fez crescer a Hovione, “e fazê-lo no estrangeiro, foi um forte espírito de empreendedorismo ligado a um sentido de oportunidade e a um acreditar que a Europa estava em declínio e que devíamos encontrar uma alternativa”.

Sobre o vencedor, João Alves, Country Managing Partner da EY Portugal, afirma que ficaram “muito satisfeitos com a escolha do júri, pois a Hovione é um excelente exemplo de como, a partir de Portugal, há empresas que se conseguem afirmar em áreas muito exigentes e competitivas, tornando-se referências mundiais nos seus setores de atividade”. “Tenho por isso toda a confiança que o Guy Villax será um belíssimo representante de Portugal no prémio internacional que terá lugar no próximo mês de junho”, conclui.

João Alves destaca a importância deste prémio que “existe há praticamente quatro décadas a nível global, há 16 anos em Portugal, e que é uma forma de a EY celebrar a importância do empreendedorismo, celebrando os bons empreendedores”.

Guy Villax representa a segunda geração da sua família, enquanto gestor executivo da empresa farmacêutica há cerca de 20 anos. Durante este período, “criou um novo estádio de desenvolvimento para a Hovione”, nota António Gomes Mota, presidente do júri e Presidente do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG). “Uma empresa com clara afirmação internacional, uma empresa diversificada, uma empresa inovadora, apostando muito em Investigação & Desenvolvimento, sendo hoje player mundial e unidade de referência em termos industriais no setor farmacêutico”, comenta o responsável pela votação.

António Gomes Mota reconhece que, tal como nas edições anteriores, a escolha do EY Entrepreneur of the Year foi difícil, porque “qualquer um dos cinco candidatos podia ter ganho qualquer um dos prémios”. Além de Guy Villax, estavam nomeados António Oliveira (OLI – Sistemas Sanitários, S.A.), António Carlos Rodrigues (Grupo Casais), Carlos Mendes Gonçalves (Mendes Gonçalves) e Rupert Symington (Symington).

Gomes Mota sinaliza “uma particularidade” na entrega do prémio este ano. Devido à crise pandémica, o processo de decisão foi dilatado em cerca de um ano. O que, “na prática, nos permitiu ver também como é que estes empresários e como é que estas empresas se comportaram na crise em termos de resiliência, de transformar dificuldades em oportunidades, de ter também alguma consciência social importante. Pudemos revisitar, reavaliar e revalidar ainda com maior intensidade a qualidade destas mesmas candidaturas”, refere.

O júri desta edição – composto ainda por Clara Raposo, Presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Isabel Ucha, CEO da Euronext Lisbon, Vera Pinto Pereira, CEO da EDP Comercial e da EDP Soluções Comerciais, António Rios Amorim, Presidente da Corticeira Amorim, Steven Braekveldt, CEO da AGEAS Portugal; Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde e Dionísia Ferreira, ex-Administradora dos CTT – considerou o percurso profissional dos vencedores, avaliando seis parâmetros: espírito empreendedor, desempenho financeiro, estratégia, impacto nacional e global, inovação e integridade pessoal.

António Oliveira (OLI) e Rupert Symington (Symington Family Estates) distinguidos

António Oliveira, da OLI – Sistemas Sanitários S.A., foi também distinguido com o prémio Inovação, e Rupert Symington, da produtora de vinhos e vinhos do Porto Symington Family Estates, recebeu o prémio Internacional.

Só com inovação é que nos conseguimos diferenciar e criar valor”, acredita António Oliveira, da OLI, vencedor do Prémio Inovação. Para tal, defende, tem de haver condições para distribuir esse valor e “é preciso continuar a criar boas condições para todos aqueles que trabalham connosco”. O segredo para conseguir reunir as condições para chegar ao valor? “Imaginar, nunca desistir dos desafios, sejam eles quais forem. Todos os desafios são possíveis de serem ganhos, desde que consigamos criar, inovar, encontrar soluções, dar a volta aos problemas. Todos os dias há novos desafios e oportunidades de crescimento e de surpreender. Determinação, rigor e nunca desistir”, recomenda o empresário.

No capítulo da inovação, a OLI está associada à criação do autoclismo de dupla descarga, “hoje standard na Europa”. “Fomos pioneiros nisso e foi de facto um momento importante na vida económica da empresa”, disse António Oliveira ao ECO.

Rupert Symington, vencedor do prémio Internacional destaca-se pela sua atividade nos mercados externos. “O nosso produto primário não se pode produzir em mais lado nenhum, só aqui”, lembra o líder da Symington Family Estates. O empresário, cuja carreira profissional na Symington começou na empresa da família em São Francisco, refere que a imagem dos vinhos portugueses no estrangeiro não é a melhor e que esse tem sido o seu desafio nos últimos vinte anos – acrescentar valor à imagem portuguesa ao nível dos vinhos. Além das suas qualidades enquanto empreendedor e do crescimento sustentado da empresa que representa, é igualmente por este trabalho que foi distinguido.

No “complicadíssimo” ano de 2020, como o classificou Rupert Symington, os resultados foram, no entanto, “muito bons”. “As previsões pareciam um desastre em abril do ano passado, mas as coisas correram bem”. Saíram, crê, beneficiados pelas boas relações com Europa e EUA. “Nos mercados de exportação é verdade que vendemos mais”, disse ao ECO.

Nas suas oito edições em Portugal, o prémio EY Entrepreneur of The Year analisou cerca de 40 candidaturas. Os vencedores foram Belmiro de Azevedo (Grupo Sonae), Carlos e Jorge Martins (Grupo Martifer), Carlos Moreira da Silva (BA Glass), Dionísio Pestana (Grupo Pestana), Manuel Alfredo de Mello (Nutrinveste), Bento Correia e Miguel Leitmann (Vision-Box) e António Amorim (Corticeira Amorim).

O prémio foi criado nos EUA em 1986 e distingue empresários criativos, projetos, visão e sucesso das empresas. Foram premiados, entre outros, Jeff Bezos, da Amazon, Howard Schultz, da Starbucks, Michael Dell, da Dell Computer Corporation. A nível mundial, um dos vencedores foi Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil. Há um ano, o galardão foi entregue à empresária indiana Kiran Mazumdar-Shaw, CEO e fundadora da Biocon Limited. O EY Entrepreneur of The Year cresceu e está hoje em 145 pontos do globo e mais de 60 países.

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