Grupo TAP fecha 2020 com prejuízo de 1.418 milhões de euros

Gestora de participações do Estado reconheceu perdas na companhia aérea: 5% durante o primeiro semestre de 2020 e 50% no segundo semestre. Constituiu ainda imparidades de 12,2 milhões de euros.

O grupo TAP acumulou prejuízos de 1.418 milhões de euros em 2020. O resultado negativo diz quase todo respeito à quebra do negócio da companhia aérea, mas as restantes empresas detidas pela holding também deram um contributo negativo. O buraco obrigou a empresa gestora de participações do Estado, a Parpública, a assumir perdas de 12 milhões de euros.

O resultado negativo da TAP SGPS, de 1.418 milhões de euros, no ano passado é quase 10 vezes superiores aos 105 milhões de euros de prejuízos registados em 2019, de acordo com dados divulgados esta terça-feira pela Parpública. A principal causa foi a TAP SA, ou seja, o negócio da aviação, que registou prejuízos de 1.230,3 milhões de euros.

“A operação e resultados de 2020 foram significativamente impactados pela quebra de atividade verificada a partir de março, em resultado da pandemia de Covid-19, que afetou de forma sem precedentes o setor da aviação civil a nível global”, explica. As receitas do grupo ascenderam a 1.072 milhões de euros em 2020, o que representa uma quebra de 68% face aos 3.345 milhões de euros registados no ano anterior.

“O prejuízo da TAP, SGPS, SA verificado durante o primeiro semestre de 2020 ascendeu a 607.521 milhares de euros e o prejuízo verificado durante o segundo semestre de 2020 ascendeu a 810.635 milhares de euros, levando a que os seus capitais próprios em 31 de dezembro de 2020 sejam negativos em 2.127.672 milhares de euros”, pode ler-se no relatório da Parpapública.

"Decorrem nesta fase as negociações com a Comissão Europeia para aprovação do Plano de Reestruturação que deverão concluir-se brevemente apesar de impactadas temporalmente pelo efeito da pandemia no primeiro trimestre de 2021.”

Documentos de Prestação de Contas 2020

Parpública

A gestora de participações do Estado explica que, pela aplicação do Método da Equivalência Patrimonial, reconheceu a sua quota-parte nas perdas na TAP: 5% durante o primeiro semestre de 2020 e 50% durante o segundo semestre de 2020, até à concorrência do seu interesse nesta associada.

Além desta perda, a Parpública ainda constituiu imparidades de 12,2 milhões de euros para acautelar o risco de incumprimento da TAP no pagamento das obrigações. As imparidades foram a principal razão para a redução dos lucros da Parpública, que passaram para 20,1 milhões de euros em 2020 (contra 138,8 milhões de euros em 2019). “Há desde logo a referir o impacto negativo das imparidades associadas à mensuração das participações e obrigações, num total de 19,3 milhões de euros”, justifica a empresa.

A participação da Parpública na TAP foi reforçada em 2020 devido à decisão do Estado de aumentar a posição antes de intervir na empresa. Nessa altura, o Estado detinha 72,5% da TAP SGPS, 50% dos quais através da Parpública e 22,5% através da Direção Geral do Tesouro e das Finanças (DGTF). Esta semana a situação alterou-se após um aumento de capital que levou a posição direta na holding para 92% (e a indireta na companhia aérea para 98%).

O ano de 2020 ficou, assim, marcado pela mudança na estrutura acionista, mas também pela entrega à Comissão Europeia de um plano de reestruturação para a empresa, que ainda aguarda aprovação. “Decorrem nesta fase as negociações com a Comissão Europeia para aprovação do Plano de Reestruturação que deverão concluir-se brevemente apesar de impactadas temporalmente pelo efeito da pandemia no primeiro trimestre de 2021“, acrescenta a Parpública no relatório.

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