Brexit traz burocracia e custos acrescidos no acesso de portugueses a universidades britânicas

  • Lusa
  • 3 Outubro 2021

"A situação é naturalmente mais complexa do que quando o Reino Unido estava na UE", alerta o diretor para educação e cultura do British Council em Portugal.

Os jovens portugueses interessados em estudar nas universidades britânicas devem “investigar um pouco mais” sobre as condições de acesso devido ao acréscimo de burocracia, custos e restrições ao financiamento na sequência do Brexit, aconselha o British Council.

A situação é naturalmente mais complexa do que quando o Reino Unido estava na UE [União Europeia], quando a livre circulação de pessoas, as taxas iguais para cidadãos do Reino Unido e da UE e a nossa participação no [programa de intercâmbio] Erasmus suavizavam o processo de estudar no Reino Unido”, admitiu o diretor para educação e cultura do British Council em Portugal, Richard Fleming, em declarações à Agência Lusa.

Durante quatro dias, entre 04 e 08 de outubro, o organismo de promoção da língua e cultura britânicas no estrangeiro vai promover sessões de esclarecimento pela Internet para os jovens interessados em estudar em universidades britânicas. “Study UK: The Essentials” vai abordar questões como a necessidade de vistos e seguros de saúde e os custos acrescidos com propinas.

A partir do ano letivo 2021/2022, que começa este outono, os estudantes da UE deixam de pagar o mesmo valor que os britânicos (9.250 libras/ano), como acontecia antes, e passam a pagar propinas mais elevadas enquanto estudantes internacionais.

Segundo o site “Save the Student”, estima-se que os valores variam entre 9.250 e 30.548 libras (10.800 e 35.500 euros) por ano, dependendo das universidades e tipo de cursos, podendo chegar a 64.652 libras (75.400 euros) por ano numa licenciatura de medicina.

Depois do Brexit, os estudantes europeus passam também a ter de pagar 470 libras (550 euros) anuais para poderem usar os serviços de saúde públicos britânicos e 348 libras (400 euros) por um visto de estudante, que pode ser válido por cinco anos. A estes juntam-se gastos com alojamento, alimentação e materiais de estudo.

Os estudantes europeus, incluindo os portugueses, deixam a partir deste ano letivo de ter acesso aos empréstimos do Governo britânico para pagar as propinas e outras despesas, embora existam bolsas de estudo disponíveis junto de instituições e das próprias universidades.

Nos últimos anos, Portugal tem sido dos países europeus com maior número de candidatos ao ensino superior aceites no Reino Unido, à frente da Alemanha e Grécia. De acordo com os dados mais recentes do serviço de admissão em universidades britânicas (UCAS), até 07 de setembro tinham sido colocados 490 estudantes portugueses, uma redução de 69% face aos 1.590 de 2020.

No conjunto dos países da UE, o declínio é de 56%, de 29.630 para 12.920 estudantes inscritos até início de setembro. Os números finais só serão conhecidos no final do 2021, mas prevê-se que sejam substancialmente inferiores aos dos anos anteriores.

Fleming salienta que esta redução resulta da combinação da incerteza criada pela pandemia Covid-19 com as mudanças causadas pelo Brexit, mas defende que as sessões de esclarecimento podem ajudar a encontrar soluções. “Ninguém deve desistir do seu sonho de estudar no Reino Unido sem descobrir que ajuda está disponível na universidade que gostaria de frequentar”, insiste.

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