Custo do jet fuel dispara 43%. TAP segurou risco de subida para metade do que consome

Combustível usado nos aviões arrastado pelo aumento do preço do petróleo. A TAP protegeu-se de uma subida durante o primeiro semestre, mas estava ainda a negociar o "seguro" financeiro para o segundo.

Não é só o preço dos combustíveis utilizados nos automóveis que estão a aumentar com a subida vertiginosa da cotação do petróleo, devido à guerra na Ucrânia e às sanções impostas à Rússia. Também o carburante usado na aviação está a ser arrastado pelo valor elevado da matéria-prima, aumentando os custos para as companhias aéreas. A TAP tem metade do consumo previsto para o primeiro semestre protegido de uma subida.

A cotação do jet fuel, usado nos aviões, disparou 43% na Europa nas últimas seis sessões, dos 110,92 dólares por barril para 158,68 dólares, segundo dados da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) e da Platts.

É provável que o valor continue a subir ao longo desta semana, tendo em conta que esta segunda-feira o petróleo chegou muito perto dos 140 dólares por barril, a cotação mais alta desde 2008 e perto do máximo histórico. Em Nova Iorque, o crude esteve muito próximo dos 125 dólares.

De acordo com o site da IATA (com dados até 4 de março), o preço médio do combustível usado nos aviões está este ano nos 110,2 dólares por barril, quase 42% acima dos 77,7 dólares de 2021. A associação calcula que a fatura de carburantes da indústria terá um acréscimo de 78,3 mil milhões de dólares em 2022, devido ao custo mais elevado.

TAP protegeu metade do que consome contra uma subida

Para se defenderem de uma subida das cotações do jet fuel, as companhias aéreas fazem contratos financeiros de cobertura, que na prática lhes permitem fixar o preço que pagam pelo combustível num determinado período. Ao que o ECO apurou, a TAP fez contratos de hedging para metade do jet fuel que previa consumir na primeira metade do ano.

Isto significa que a companhia aérea conseguirá amortecer parte do aumento da fatura com combustível, mas não evitará um agravamento dos custos, com impacto nas contas. Ao que o ECO também apurou, os contratos para a segunda metade do ano estavam ainda a ser negociados. Tendo em conta a evolução do mercado, os preços que forem fixados serão necessariamente mais elevados.

"Há duas dimensões críticas no negócio da aviação e que não conseguimos controlar, uma é o preço do combustível a outra é o mercado cambial.”

Christine Ourmières-Widener

CEO da TAP

“Há duas dimensões críticas no negócio da aviação e que não conseguimos controlar, uma é o preço do combustível a outra é o mercado cambial”, elencava em outubro a CEO da companhia aérea portuguesa, Christine Ourmières-Widener, há margem de uma conferência.

Questionada pelo ECO sobre o impacto deste aumento no custo do jet fuel, fonte oficial da TAP salienta apenas que “além do hedging, a companhia melhorou a eficiência no consumo de combustível e está a monitorizar a situação”.

A transportadora portuguesa tem vindo a trocar aeronaves mais antigas por outras mais modernas nos últimos anos. No comunicado dos resultados do terceiro trimestre, a TAP assinalava que “65% dos aviões em operação são de última geração e altamente eficientes do ponto de vista energético”, poupando mais 20% de fuel do que os modelos prévios e emitindo menos CO2.

A forte subida do preço do jet fuel representa uma forte contrariedade para a sustentabilidade financeira de um setor que entrou no ano com boas perspetivas, mas está ainda a lamber as feridas provocadas pela pandemia, com várias transportadoras a recorrerem a ajudas do Estado, como é o caso da TAP.

Segundo os últimos dados da IATA, a receita por passageiro por quilómetro oferecido (RPK na sigla inglesa) registava em dezembro uma queda de 45,1% face ao mesmo mês de 2019, inferior à quebra homóloga de 65,8% em 2020. Na Europa os números eram ainda mais favoráveis, com o último mês do ano a ficar 37,4% abaixo de 2019.

A Rússia era então o mercado europeu com maior crescimento, com os RPK a ficarem 23% acima dos níveis pré-crise.

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