Indústria portuguesa é a que menos adiciona valor com alta tecnologia na UE

Áreas como eletrónica, farmacêutica ou aviação contribuem apenas 4,7% para o valor acrescentado das fábricas portuguesas. Sete em cada dez novas empresas nacionais estão mortas ao fim de cinco anos.

Artigos farmacêuticos; produtos óticos, de eletrónica e computadores; aparelhos para os setores da aviação ou espacial, assim como máquinas relacionadas. São estas as áreas de fabrico classificadas como indústria de alta tecnologia pelo Eurostat, que asseguram perto de dois milhões de postos de trabalho e 293 mil milhões de euros de valor acrescentado na União Europeia (equivalente a 14,6% do total industrial).

Segundo um relatório divulgado esta segunda-feira pelo gabinete de estatísticas da UE, Portugal é o país em que estes setores de alta tecnologia menos representam (4,7%) no total do valor acrescentado pelas empresas de base industrial. A média comunitária ronda os 15%, embora a maior parte dos países fique abaixo dos dois dígitos, com a Bélgica (24,5%) e a França (18%) a deterem as maiores quotas.

O fabrico destes produtos de alta tecnologia na União Europeia valeu receitas de 310,7 mil milhões de euros em 2020, com destaque para as vendas de artigos farmacêuticos (31,3%) e também de eletrónica e telecomunicações (21,5%). No extremo oposto estão o armamento, com um peso de apenas 1,1% na alta tecnologia produzida nos países do bloco comunitário.

Já na área dos serviços (excluindo os financeiros), os seis que antes da pandemia mais pesavam em termos de valor acrescentado eram o imobiliário; a programação de computadores; a consultoria; o transporte terrestre ou via pipelines; a armazenagem e logística; as atividades jurídicas e de contabilidade; e os ramos da alimentação e bebidas. Ora, é nesta última área de especialização que Portugal surge destacado com a maior quota (10,6%) – compara com média da UE de 6,2% –, à frente de Chipre, Espanha e Itália.

Neste relatório sobre o universo empresarial europeu, publicado pelo Eurostat, são feitas também várias comparações históricas. Uma delas é com a produção industrial em 2005. Em termos agregados até aumentou 9,1%, puxada por países como Irlanda, Polónia ou Eslováquia, mas diminuiu em nove Estados-membros, quase todos no sul da Europa: Portugal deu o segundo maior tropeção industrial (-18,9%); pior contração só mesmo em Espanha (-19,6%).

Ao nível particular da evolução dos preços de produção na indústria durante este período em análise, Portugal surge abaixo da média comunitária (28,6%), com pouco mais de 20% de crescimento, com dados atualizados do final do ano passado. É o sexto país da União Europeia que na última década e meia menos progrediu neste índice elaborado a partir dos preços de venda que são reportados por uma amostra de produtores.

E se na indústria a comparação histórica já não é nada favorável a Portugal, no caso específico da construção, as estatísticas mostram um país em queda livre face ao ano 2000: a produção neste setor tradicional da economia nacional está agora 66% abaixo do que era no início do século. Este registo negativo é apenas “suplantado” pela Grécia (-85%), com Espanha (-43%) a fechar este pódio indesejado.

No que toca à evolução dos preços na construção de novos edifícios residenciais entre 2000 e 2021, a publicação do Eurostat evidencia um crescimento de 63% no seio da União Europeia. Os aumentos foram “particularmente elevados” na Roménia (sete vezes superiores no ano passado), ficando Portugal bem abaixo do valor médio, a rondar os 50%, obtendo aqui o sexto registo menos expressivo do espaço comunitário.

7 em cada 10 não aguentam cinco anos

O relatório com o título “Key figures on European business” faz igualmente um retrato demográfico das empresas. Comprova, por exemplo, que Portugal apresentou em 2019 (o último dado para o qual disponibiliza dados) uma taxa de nascimento empresarial – rácio que sugere o número de projetos novos em percentagem das empresas ativas – de 15,8%. A segunda maior, apenas atrás da Lituânia (19,4%), com a Grécia a aparecer no extremo oposto (4,8%).

Se no empreendedorismo Portugal surge em evidência, pelo menos naquela que é a primeira fase da criação, na taxa de mortalidade de empresas, o país já surge a desviar da média (a rondar os 12% vs. 8,3% na UE). E acaba mesmo em “maus lençóis” quando o tema é o desenvolvimento e a sobrevivência dos projetos empresariais num prazo médio, depois de sofrer o primeiro impacto com a realidade.

De acordo com o Eurostat, a taxa de sobrevivência a cinco anos das empresas nascidas em 2014 e que ainda estavam em atividade em 2019 era de 45%. Isto é, mesmo de metade ainda se mantinha no ativo, antes da chegada da pandemia de Covid-19. É verdade que este indicador ficou abaixo dos 50% na maioria dos Estados-membros, mas foi na Lituânia (29%) e em Portugal e no Chipre (ambas só ligeiramente acima dos 30%) que menos jovens empresas se aguentaram de portas abertas no final deste período.

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