SATA prevê saída de 150 trabalhadores até final de 2023 através de rescisões

  • Lusa
  • 4 Julho 2022

O grupo de aviação prevê poupanças de 70 milhões de euros até 2025, através da “reestruturação da frota” e da “eficiência operacional”.

Cerca de 100 trabalhadores já saíram da companhia aérea açoriana SATA desde que foi lançado o primeiro programa de rescisões, em 2020, anunciou esta segunda-feira o presidente da empresa, adiantando que outros 50 funcionários deverão sair até final de 2023.

O número foi revelado por Luís Rodrigues durante uma apresentação aos jornalistas do Plano de Reestruturação da SATA, que decorreu na sede da companhia de aviação, em Ponta Delgada. “Nós negociámos saídas até à data de cerca de 100 pessoas e ainda vão sair mais 50 até ao final de 2023”, declarou.

O primeiro programa de rescisões negociadas para saídas por mútuo acordo, pré-reformas e reformas antecipadas foi lançado no final de 2020. Luís Rodrigues reforçou que a reestruturação do grupo não prevê despedimentos coletivos e destacou que a administração está em “contacto permanente com os sindicatos”.

“Neste momento, está a decorrer uma nova vaga interna de acordos de rescisão, pré-reformas, reformas antecipadas e saídas por mútuo acordo. A adesão tem sido interessante. Nesse tema, acho que não vai haver problema algum”, assinalou, enaltecendo a “paz social” no interior da empresa. O presidente da companhia açoriana especificou que as rescisões têm sido “transversais”, não afetando nenhuma área ou serviço do grupo em particular.

“As rescisões têm uma particularidade: têm de ser feitas de acordo com a operação e de acordo com a chefia. Se houver alguma área em que as pessoas queiram ir embora e isso crie problema operacionais, não pode ser”, salientou.

Durante a apresentação, Luís Rodrigues avançou com “cinco pilares” para garantir a “sobrevivência e o desenvolvimento” da SATA: a “otimização da rede”, a “reestruturação da frota”, a “eficiência operacional”, a “negociação com fornecedores” e a “agilização do trabalho”.

O grupo de aviação prevê poupanças de 70 milhões de euros até 2025, através da “reestruturação da frota” e da “eficiência operacional”, implementando “programas de eficiência” para “otimizar o planeamento” e “reduzir o consumo de combustível em terra”.

A SATA vai ainda “reestruturar” o catering a bordo, reduzir os “custos de distribuição” (com o “fim das comissões pagas a operadores turísticos”) e “otimizar os serviços partilhados”, procedendo à “digitalização dos processos”. Para atingir aquela poupança, a SATA pretende ainda negociar com os fornecedores os contratos do ‘handling’, dos “custos com estadias”, da manutenção das aeronaves (aumentando a “utilização de recursos internos”) e do serviço de ‘leasing’.

A companhia quer proceder à “redução temporária da remuneração”, “reestruturar as subsidiárias” nos Estados Unidos e Canadá e renegociar os acordos laborais para “melhorar a produtividade e diminuir a contratação sazonal”. Luís Rodrigues realçou ainda que de janeiro a junho de 2022 se registou o “melhor primeiro semestre de sempre” da SATA em termos de receita e que os resultados operacionais da companhia estão “em linha com o Plano de Reestruturação”.

O presidente da companhia reforçou que o Plano de Reestruturação prevê a obtenção de resultados positivos em 2023. Em 14 de junho foi anunciado que a SATA teve em 2021 um resultado antes de juros e impostos positivo e um resultado líquido negativo de –57,4 milhões de euros, uma melhoria de mais de 30 milhões face a 2020.

Em comunicado, a companhia revelou que o “resultado líquido consolidado melhorou em mais de 30 milhões de euros” no ano passado, comparativamente a 2020 (quando o prejuízo se fixou em 88 milhões), continuando, contudo, em “terreno negativo” no valor de -57,4 milhões de euros.

A Comissão Europeia aprovou, em 07 de junho, uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais.

As dificuldades financeiras da SATA perduram desde pelo menos 2014, altura em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo Regional dos Açores começou a registar prejuízos, agravados pelos efeitos da pandemia de covid-19, que teve um enorme impacto no setor da aviação.

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