MPP quer “Unir as marcas de Portugal para fortalecer a marca Portugal”

"Porque não dá certo, Portugal?". A pergunta serve de mote para a conferência organizada pelo movimento Marcas por Portugal, que decorreu esta quarta-feira, em Lisboa

“Unir as marcas de Portugal para fortalecer a marca Portugal”. Este é um dos caminhos que na opinião de Carlos Coelho, signatário do movimento Marcas por Portugal (MPP), deve ser seguido para que se alcance a valorização de Portugal, “uma marca boa, mas ainda muito barata”.

Na conferência “Porque não dá certo Portugal?”, organizada por este movimento e que decorreu no final de tarde de quarta-feira, no teatro Tivoli BBVA, o também presidente da Ivity Brand Corp. propôs, falando em nome do MPP, três ideias base. Que o país encontre o caminho de sustentabilidade, promovendo a inovação, que sejam encontrados novos “canhões da Nazaré”, que “sempre lá estiveram, mas tiveram que ser surfados por um estrangeiro”, e que seja feito um programa de quase recrutamento, “criada uma nova diáspora, com aqueles que nos ensinam que Portugal é melhor”.

Carlos Coelho acredita que é necessário um compromisso nacional, de grandes empresas e PMEs, que juntamente com o Estado e os cidadãos se comprometam a mobilizar recursos para valorizar a marca Portugal. “A razão pela qual precisamos de ter marcas é para não sermos um país moderno, mas onde 20% dos portugueses são pobres”, diz, defendendo que Portugal podia estar entre as 10 marcas mais valiosas do mundo. “Mas somos o país que não acredita que se enriquece a trabalhar, o país da raspadinha”, constata, recordando que um produto, quando se acrescenta marca, vê o ser valor multiplicado.

O pontapé de saída na conferência foi dado por João Dias, administrador da AICEP, que em setembro vai entregar ao governo um documento sobre o caminho que se propõem seguir para a promoção da marca Portugal. “Marca é valor, é reputação. O país fez todo um caminho de excelência na produção, mas depois quando toca a passar essa perceção de qualidade para o público internacional, não a sabemos trabalhar”, diz, lembrando que há produtos produzidos em Portugal que, quando vendidos para grandes marcas internacionais “multiplicam por 10 o seu valor”. “Promover a marca Portugal, sem ziguezagues e de forma consistente” será o caminho, mais do que “fazer uma mega campanha ou um novo logótipo”.

Para já, João Dias defende que o posicionamento de Portugal, enquanto marca, deve assentar em três pontos. “Podem dizer que é básico, mas que seja”, diz, defendendo que Portugal de assumir-se como líder mundial de sustentabilidade e um hub de inovação digital. Small is smart é a terceira ideia, assumindo o país o desígnio de produzir premium, valorizando a inovação e o design, fomentando em simultâneo o local e os pequenos produtores. A integração da promoção setorial da marca Portugal foi outro dos pontos abordados. “Faz algum sentido, por exemplo numa grande feira internacional, termos vários stands de associações setoriais? Não é melhor ter um stand principal, com a marca Portugal, as marcas setoriais e as várias marcas que se estão a promover?”, deu como exemplo, defendendo que todos juntos podem “contribuir para o bem maior que é a marca Portugal”.

E qual pode ser a fórmula de sucesso para o crescimento de uma marca? Visão de longo prazo, a ousadia de fazer diferente, criação de valor para todos os stakeholders, responde Raquel Seabra, administradora da Sogrape.

Visão, ambição, grande determinação e muita consistência, acrescenta António Redondo, CEO da The Navigator Company, companhia que exporta para 130 países. “Competência técnica, integridade, respeito e humildade”, diz por seu turno Miguel Setas, administrador da EDP, recuando ao período em que presidiu à EDP Brasil. “Não podemos ter medo de assumir que somos os melhores”, defendeu no painel “3 marcas de Portugal líderes no mundo”.

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