São João da Pesqueira pode ficar sem água até meados de setembro

  • Lusa
  • 3 Agosto 2022

Câmara Municipal de São João da Pesqueira avisa que, se não chover, em meados de setembro não haverá água para consumo humano na Barragem de Ranhados, que abastece mais dois municípios.

“A situação é preocupante porque, mesmo com o esforço todo que estamos a fazer, prevê-se que em setembro, se não chover, não teremos água nas torneiras, portanto é uma situação grave”, alertou o presidente da Câmara Municipal de São João da Pesqueira, Manuel Cordeiro.

O autarca, eleito pelo movimento “A nossa terra”, sublinhou que, “desde o início do ano, tendo em conta que se começou a prever um ano de seca” que o município tem “vindo a adotar medidas, no sentido de reduzir o consumo”.

Entre essas medidas, o autarca referiu a sensibilização à população, “uma equipa permanente para detetar e reparar fugas e condutas, algumas com mais de 30 anos, e a redução de regas” de vários espaços. “Deixámos de regar jardins públicos e fomos obrigados, não só por uma questão moral, mas também legal, a cobrar água a todas as associações e IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], porque tem de ser assim”, realçou.

Estas medidas têm “tido alguns resultados” e, comparando o último trimestre com igual período do ano passado, São João da Pesqueira “reduziu 23% o consumo, o que é razoável, tendo em conta o ano que é um ano de seca” em Portugal.

Deixámos de regar jardins públicos e fomos obrigados, não só por uma questão moral, mas também legal, a cobrar água a todas as associações e IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], porque tem de ser assim.

Manuel Cordeiro

Presidente da Câmara de São João da Pesqueira

“Vivemos, à semelhança do resto do país, um período de seca muito grande; nós, talvez estejamos numa situação mais agravada”, apontou, dizendo que “há cerca de um mês o Governo foi interpelado com esta preocupação”, mas ainda não respondeu.

São João da Pesqueira, na área norte do distrito de Viseu, é abastecido pela Barragem de Ranhados, tal como outros dois municípios do distrito da Guarda – Vila Nova de Foz Coa e Mêda – que “estão exatamente na mesma situação”, frisou ainda o autarca, em declarações à agência Lusa.

“Foram os três municípios que há uns 40 anos construíram a Barragem e, nos últimos anos somos abastecidos em alta pelas Águas do Norte –, desde o início do ano, temos vindo a reunir para reparar esta falta de chuva e de água”, contou.

Manuel Cordeiro admitiu que “a solução não passa só pelas autarquias, apesar de a câmara estar a fazer tudo o que pode” e, entre as soluções possíveis admite ouso das águas residuais para as regas”.

Já temos os filtros e autorização das Águas do Norte e da APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e agora vamos passar à execução, ou seja, vamos filtrar as águas das ETAR [Estações de Tratamento de Aguas Residuais] para regas”, adiantou.

O concelho “é muito agrícola e, como tal, há muitas regas, nomeadamente com as novas plantações de vinhas que precisam de muita água, ao contrário das velhas e, por isso, há um consumo muito grande” de água.

“Se as pessoas não tiveram água nos poços, que também estão a secar, usam a da rede, claro. Se nós conseguirmos filtrar a das ETAR para uso nas regas, estamos a poupar a água da Barragem para o consumo humano”, apontou.

Outra das soluções, indicou, será “o uso da água de nascentes e também dos furos que a autarquia está a fazer, mas também para rega, porque a lei não permite o consumo humano da água de furos e nascentes”.

“Ouço Lisboa dizer que temos reservas para dois anos; não é o caso aqui. Interpelámos o Governo, porque precisamos de saber o que é que se propõe fazer para resolver esta nossa preocupação”, enfatizou. Isto, porque, continuou, “se estes três concelhos ficarem sem água em meados de setembro, tudo está em cima da mesa e certamente a água das nascentes e furos será levada para reservatórios para ser tratada e consumida”.

Mais, prosseguiu o autarca: “Legalmente não é possível, mas é uma hipótese e, por isso, esperamos uma resposta do Governo. Estamos a trabalhar muito a sério nesta matéria, que nos preocupa muito”. Concluiu que a falta de água “não é um problema deste ano, é um problema para o futuro”.

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