BRANDS' ECO Podcast Heróis PME aborda a liderança e gestão de pessoas

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  • 21 Maio 2024

O 3º episódio do Podcast Heróis PME teve como tema a "Liderança e a Gestão de Pessoas". Os especialistas presentes no podcast explicam como as diferentes lideranças influenciam o sucesso das empresas.

“Liderança e Gestão de Pessoas” foi o mote para a conversa do terceiro episódio do Podcast Heróis PME, uma iniciativa da Yunit Consulting, que visa reconhecer vários empresários com histórias de sucesso, a fim de partilharem os seus exemplos de força, coragem e visão que geram emprego e riqueza para o país.

Neste episódio marcaram presença os especialistas João Raposo, administrador da Reorganiza; Hugo Oliveira, Partner & Ecosystems Director Sage Iberia; e Ken Gielen, responsável da marca ActionCOACH, que, além de reconhecerem a importância de iniciativas como a dos Heróis PME para as empresas, também falaram sobre os seus métodos de atuação e liderança nos negócios.

João Raposo, também finalista da 5ª edição do Heróis PME, na categoria de Transformação Digital, começou por dizer que o que o levou a candidatar-se a este prémio é o mesmo motivo que o leva, agora, a patrocinar a 6ª edição: “Achamos que é muito importante, em Portugal, criarmos comunidades de decisores e juntarmos grupos para podermos partilhar as melhores práticas. Ninguém nasce sozinho. Nascemos todos sempre fruto de alguém, mas, ao longo da vida, fico com a sensação de que vamos ficando cada vez mais sozinhos. E isso, para mim, é um contrassenso. Para não ser um caminho tão solitário, eu acredito que estas partilhas de experiências, de pôr as PME em contacto umas com as outras, de ouvir as diferentes candidaturas, de perceber os desafios, ajuda-nos muito a não ter um lugar de solidão na liderança do negócio“.

Por sua vez, Ken Gielen, também coach de empresários, acrescentou, ainda, que iniciativas como a dos Heróis PME são muito importantes para aumentar a confiança dos líderes. “O que me tem fascinado é mesmo a necessidade de reconhecer porque aumenta a confiança. Felizmente, já se vê cada vez mais candidaturas nesta 6ª edição. O processo de candidatura é um processo de reflexão muito importante e, portanto, dá para ganhar contexto. Nós conseguimos, no seio dos nossos clientes, aliciar alguns para se candidatarem. Isto é o que me tem fascinado mais, que é ganhar consciência daquilo que se faz bem, e depois eles sujeitarem-se a uma votação para mostrar ao mundo o bom daquilo que fazem”, disse.

A mesma opinião foi partilhada por Hugo Oliveira, que afirmou: “Estes prémios destacam muito a incrível coragem, a resiliência, e a inovação que as nossas PME têm. São verdadeiros heróis. E acho que, ao reconhecer e divulgar estes exemplos que temos, não só estamos a celebrar essas mesmas pessoas e empresas, mas também estamos a dar o mote e a incentivar outros a fazerem essa jornada de inovação e de empreendedorismo. A SAGE acredita firmemente no espírito do empreendedorismo e na celebração das histórias que as empresas portuguesas – as PME essencialmente, que são o core do nosso tecido empresarial, têm para nos contar do extraordinário que fazem”.

Hugo Oliveira, Partner & Ecosystems Director Sage IberiaSAGE

É mais fácil ser líder numa PME do que numa grande empresa?

Relativamente à liderança nas PME e nas grandes empresas, os especialistas consideram que há poucas coisas que mudam. “Eu acho que os princípios devem ser semelhantes. As empresas existem porque têm uma missão, missão essa que tem sempre alguma necessidade que a pessoa humana tem. Há aqui uma lógica focada na pessoa que não se pode perder e, por isso, uma liderança que não tenha o envolvimento das pessoas, não é uma liderança no sentido puro da palavra. O que eu acho que há de diferença é que talvez numa PME as coisas são muito mais transparentes para o bom e para o mau. Há mais informalidade que, às vezes, temos de combater, isto porque, apesar de a informalidade poder tornar as coisas mais ágeis, às vezes também pode criar algumas perceções nos colaboradores de pouca segurança”, explicou João Raposo.

Para Ken Gielen, que já liderou uma unidade fabril, em Portugal, com 350 colaboradores e que fazia parte de uma multinacional, a liderança de uma grande empresa já fez parte da sua vida, o que o faz considerar que o líder será sempre o fator principal de atração de pessoas: “Comparativamente com uma multinacional, eu, como diretor-geral, tinha uma lista telefónica de todas as pessoas especialistas que eu podia contactar. Numa PME, é a mesma pessoa que está em todas as caixas e não tenho de ser generalista. Isto porque há mais pessoas especialistas numa grande empresa do que numa PME, já que nesta última tem de haver maior versatilidade. Portanto, nos dias de hoje, num ciclo económico de pleno emprego, a liderança é que faz a diferença de querer ir trabalhar para o sítio A ou para o sítio B. A atratividade da empresa acontece através do seu líder“.

“Concordo que um líder faz toda a diferença por aquilo que consegue fazer com a equipa. Hoje em dia, uma boa liderança pode ser a diferença entre o sucesso e o insucesso. Mesmo para uma empresa que tenha todos os outros fatores. É claro que, quanto maior a empresa, quanto mais pesada for a sua estrutura e quanto mais diversificada for o seu negócio, esse poder dilui-se, mas a verdade é que um líder tem nas suas mãos o leme do navio”, acrescentou Hugo Oliveira.

E, no que diz respeito às características que um bom líder deve ter, o responsável da SAGE enalteceu, ainda, a confiança e estratégia: “Eu acho que um bom líder é um líder que tem a estratégia e o caminho bem definido e está convencido daquilo que quer fazer. Acho que um líder que não inspire confiança, não consegue liderar. E a confiança começa nele próprio. Portanto, um líder que está confiante e que consegue transmitir essa confiança naquilo que defende, tem uma equipa, por natureza, com ele, faz com que as pessoas o sigam com a energia necessária para que isso aconteça“.

Também neste ponto houve um consenso entre os três especialistas. João Raposo acredita que a “confiança é fundamental”, até porque “atrai otimismo”. Ainda assim, o administrador da Reorganiza, reforçou a importância de um líder saber gerir a transparência: “Há informações que não adianta nada estar a partilhar, mas, na dúvida, devemos partilhar informação. Eu acredito que um líder opaco é provavelmente alguém que não está bem com ele próprio. Portanto, não ter medo da transparência é muito importante para ser líder consigo e para, depois, poder sê-lo com a própria equipa. Como líder, eu tenho de ter a capacidade de ser escrutinado e de ser transparente”.

“Para mim, gestão tem a ver com competência e produtividade e liderança tem a ver com envolvimento e paixão, sabendo comunicar isso”, disse, por sua vez Ken Gielen, que destacou a comunicação como outra característica fundamental de um bom líder. “A comunicação eficaz é medida através da resposta que recebemos. O líder é responsável pelo contexto para que o próprio colaborador possa trazer o seu conteúdo, que se adapta àquele contexto. E há conversas duras que têm de ser tidas quando a pessoa não se encaixa no contexto, que são as regras do jogo, a cultura da empresa, os comportamentos que são premiados e os resultados”, disse.

Ken Gielen, responsável da marca ActionCOACH

A inteligência emocional para “conversas duras”

Ainda no âmbito de uma comunicação clara e de “conversas duras” que, muitas vezes, são necessárias entre os líderes e os colaboradores das empresas, Hugo Oliveira destacou que, para que isso aconteça, “há que criar, primeiro, um ambiente de confiança e segurança, onde as pessoas sintam que podem transmitir a sua opinião de uma forma livre, sem consequências. A partir do momento em que se constrói esse espaço, as conversas têm de ser duras quando têm de ser duras e transparentes sempre”.

“E o gestor de uma PME que quer continuar a crescer e manter a sua rentabilidade, tem de conseguir ter estas conversas. A equipa e os clientes não querem saber quanto eu sei, eles querem saber o quanto eu me preocupo. Portanto, isto tem a ver com eu preocupar-me com o outro, saber ler o outro, saber interpretar aquilo que é o estado de espírito da outra pessoa. Aliás, uma das técnicas que partilhamos com os nossos clientes é para começarem qualquer reunião com a pergunta: qual é o teu estado da alma, o que é que vai dentro de ti? Porque precisamos de saber qual o contexto da pessoa para depois trabalhar o conteúdo. E isto é inteligência emocional, saber interpretar estes sinais”, acrescentou Ken Gielen.

Nesse sentido, Hugo Oliveira disse, ainda, que a inteligência emocional é, de facto, essencial, até para saber quando ter essas “conversas duras”: “Não vou ter uma conversa dura com alguém que está em baixo e incapaz emocionalmente de ouvir aquilo que eu tenho para dizer e, portanto, não vou escolher aquele momento, vou escolher outro. Se não, a pessoa fecha-se. E aí também entra a inteligência emocional, para além da própria introspeção que nós próprios temos de fazer no dia a dia sobre o motivo que nos faz sentir como estamos a sentir, o que é que isto está a impactar no que estamos a fazer e o que temos de alterar ou corrigir para que isso mude”.

Esta lógica de uma preocupação com as nossas emoções, mas também com as do outro, nem sempre fez parte daquilo que se considera uma boa liderança, mas João Raposo considera que foi uma mudança que veio para ficar e que, independentemente dos diferentes tipos de liderança, é uma característica que tem de estar presente. “Concretamente, as lideranças não são todas iguais. O meu estilo de liderança não daria numa determinada empresa. Há setores, há tipos de colaboradores, de culturas, que têm que se encaixar, e daí que a autenticidade seja muito importante. Há uma geração anterior à nossa que se habituou a que o líder seja sempre o forte, o conquistador, o nº 1, e, hoje em dia, o líder é muito mais aquele que consegue levar os outros a serem fortes, conquistadores e nºs 1. Eu acho que isto é uma mudança cultural que está a acontecer e que não vai voltar atrás, e que eu acredito verdadeiramente nela“, afirmou.

João Raposo, administrador da Reorganiza

Os líderes que inspiram líderes

Elon Musk, Papa Francisco e Rui Nabeiro foram os três nomes mencionados pelos três líderes presentes neste episódio do podcast, depois de questionados sobre quais os líderes que os inspiravam. Apesar de serem personalidades diferentes, há um fator comum nos três que os leva a mencioná-los como inspiração: a boa liderança em diferentes contextos.

“Uma pessoa que a mim me inspirou bastante foi o Rui Nabeiro, da Delta Cafés, pela sua simplicidade, mas também por estar disponível para as outras pessoas. Se, em gestão, gerir dez pessoas é um bocadinho o nosso limite, já na liderança podemos liderar e inspirar milhões de pessoas. E acho que o Rui Nabeiro foi uma referência nesse nível pela sua humanidade e pela sua simplicidade. E, ao mesmo tempo, pela sua audácia”, começou por dizer Ken Gielen.

Já para o Hugo Oliveira, a sua referência é o Elon Musk “por aquilo que conseguiu fazer em todos os projetos em que pôs mão”: “Acho que foi uma pessoa que verdadeiramente transformou a nossa vida em muitas áreas, e continua a fazê-lo, e não desiste. Acredita naquilo com uma energia que é inexplicável. Foi uma das pessoas mais ricas do mundo e depois esteve quase na falência, mas voltou a reinventar-se por uma única razão: porque acredita naquilo que está a fazer e tem uma visão de transformar a vida das pessoas“.

João Raposo, por sua vez, inspira-se no Papa Francisco e justifica: “Tem um estilo de liderança de que eu gosto bastante, que é uma liderança assente no amor aos outros, é uma liderança que não é piramidal, ao contrário do que as pessoas possam estar habituadas a ver na igreja. Tem vindo a fazer aqui um processo de conversão grande, de muitas reformas em que não vêm de cima para baixo, onde desenvolve a comunidade. É um homem que percebe muito do mundo atual. Para mim, o Papa Francisco é um líder que me inspira por isto, porque tem esta capacidade de olhar o mundo e de estar com o coração sintonizado na pessoa“.

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