UE “preparada para responder” a tarifas de Trump que são “rude golpe” para a economia
Von der Leyen avisa que tarifas vão ter "consequências terríveis para milhões de pessoas", mas o mercado único é um "porto seguro em tempos tumultuosos". Negociação com Washington arranca sexta-feira.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse esta quinta-feira que o bloco está “pronto para responder” à imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos e está a trabalhar em novas medidas de retaliação.
Von der Leyen emitiu uma declaração a partir de Samarcanda, no Uzbequistão, onde se encontra de visita, após o anúncio de novas tarifas globais pelos Estados Unidos.
“Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço e estamos agora a preparar outras medidas para proteger os nossos interesses e negócios, se as negociações falharem”, disse a dirigente.
“Como europeus, promoveremos e defenderemos sempre os nossos interesses e valores, e defenderemos sempre a Europa”, acrescentou Von der Leyen.
A presidente da Comissão Europeia reconheceu que o sistema de comércio mundial tem “graves deficiências”, mas realçou que “existe um caminho alternativo” e que “não é tarde para resolver os problemas através de negociações”.
Von der Leyen sublinhou que o comissário do Comércio da União Europeia (UE), Maros Sefcovic, está “em contacto constante” com os seus homólogos norte-americanos.
“Vamos esforçar-nos para reduzir as barreiras, não aumentá-las”, acrescentou a dirigente.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira a imposição de “tarifas recíprocas” sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros.
Von der Leyen lamentou a decisão de Trump, acrescentando que as tarifas serão “um rude golpe” para a economia global e que terá “consequências terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo”.
A alimentação, o transporte e os medicamentos custarão mais, disse ela, “e isso vai prejudicar, em particular, os cidadãos mais vulneráveis”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia pediu unidade dentro do bloco face às tarifas e salientou que o mercado interno é um “porto seguro” face à guerra comercial.
“A Europa tem tudo o que precisa para enfrentar a tempestade” das tarifas, disse von der Leyen, sublinhando que a UE “se manterá unida e defender-se-á mutuamente”.
“A nossa união é a nossa força (…) A Europa tem o maior mercado único do mundo, 450 milhões de consumidores. Este é o nosso porto seguro em tempos tumultuosos”, disse.
Continuaremos a construir pontes com todos aqueles que, como nós, se preocupam com o comércio justo e baseado em regras como base da prosperidade partilhada.
“A Europa está unida pelas empresas, pelos cidadãos e por todos os europeus, e continuaremos a construir pontes com todos aqueles que, como nós, se preocupam com o comércio justo e baseado em regras como base da prosperidade partilhada”, acrescentou a dirigente.
Os países da UE passam a pagar 20% de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais que a Administração Trump estima que os produtos norte-americanos enfrentam no acesso aos mercados europeus.
“Pensamos que a União Europeia é muito amigável, mas eles roubam-nos. É muito triste ver isso. É tão patético; [taxam produtos dos EUA a] 39%, nós vamos cobrar-lhes 20%”, afirmou Trump na quarta-feira.
Entretanto, ao final da manhã, o comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, referiu que as negociações com Washington vão começar já esta sexta-feira.
“Atuaremos de uma forma calma, cuidadosamente faseada e unificada, enquanto calibramos a nossa resposta, dando tempo suficiente para as conversações. Mas não ficaremos de braços cruzados, caso não consigamos chegar a um acordo justo”, referiu numa mensagem divulgada nas redes sociais.
França diz que UE vai tributar serviços digitais dos EUA
A União Europeia (UE), “pronta para uma guerra comercial” com os Estados Unidos, planeia “atacar os serviços digitais” em resposta à imposição de tarifas por parte de Washington, disse a porta-voz do Governo francês. “Estamos quase certos de que teremos de facto efeitos recessivos na produção”, acrescentou Sophie Primas à emissora RTL, manifestando especial preocupação com um impacto acentuado no sector dos vinhos e bebidas espirituosas.
Após a decisão dos EUA, a UE está a preparar “uma primeira resposta que entrará em vigor em meados de abril, que corresponderá ao seu primeiro ataque ao alumínio e ao aço”, explicou Primas. “E depois há uma segunda ronda de resposta que provavelmente estará pronta até ao final de abril para todos os produtos e serviços”, acrescentou.
Neste momento, esta segunda resposta está “a ser negociada entre os países membros da União Europeia”, disse a porta-voz. “Mas também vamos atacar os serviços. Por exemplo, os serviços digitais, que atualmente não são taxados e poderiam ser”, insistiu.
A resposta poderia também dizer respeito ao “acesso aos nossos mercados públicos”, indicou Primas. “Temos agora uma gama completa de ferramentas e estamos prontos para esta guerra comercial”, garantiu.
Costa manifesta apoio total à Comissão nas negociações com EUA
Entretanto, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou já apoio total à Comissão Europeia na tentativa de negociações comerciais com os Estados Unidos, após o anúncio de novas tarifas norte-americanas de 20% à União Europeia.
“Apoio total à Comissão Europeia nas negociações comerciais com os Estados Unidos. O comércio é um poderoso motor da prosperidade mundial e a UE continuará a ser uma firme defensora do comércio livre e equitativo”, reagiu António Costa, numa publicação na rede social X, após o anúncio de novas tarifas norte-americanas.
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Na mensagem publicada a partir de Samarcanda, no Uzbequistão, onde representa hoje a UE na primeira cimeira com a Ásia Central, o líder da instituição que junta os chefes de Governo e de Estado europeus defendeu que “chegou o momento de avançar com os acordos com o Mercosul [Mercado Comum do Sul] e o México e de avançar decisivamente nas negociações com a Índia e outros parceiros importantes”.
“Colaboraremos com todos os nossos parceiros e continuaremos a reforçar e a alargar a nossa rede comercial”, concluiu António Costa.
Chefe da diplomacia da UE não vê vencedores em guerra comercial com EUA
Também a Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, sublinhou esta manhã que não há vencedores nas guerras comerciais, após a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos.
“Não há vencedores nas guerras comerciais, e é evidente que todas estas tarifas vão aumentar os preços para os consumidores e, no final, pagaremos tudo”, declarou à chegada à reunião informal dos ministros da defesa da UE, em Varsóvia.
Kaja Kallas reconheceu que a cooperação em matéria de defesa com Washington “é também muito importante” e sublinhou que a UE compra atualmente muito equipamento de defesa aos Estados Unidos. “Mas precisamos de diversificar o nosso portefólio para termos a capacidade de produzir a munição e as coisas que precisamos aqui, e também poder comprar a outros aliados”, comentou.
Kallas recordou que a Comissão Europeia apresentou em março o Livro Branco sobre o Futuro da Defesa Europeia, um roteiro para desenvolver capacidades militares que permitirão à UE dissuadir diferentes tipos de ameaças.
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