Jornalistas da Visão lançam campanha de crowdfunding

#NãoFechemOsOlhos pedem os 12 jornalistas que têm feito nos últimos meses a Visão e que se preparam para tentar comprar o título. Angariar 200 mil euros é o objetivo.

O grupo de 12 jornalistas que desde agosto continua a assegurar a chegada às bancas da Visão está a lançar uma campanha de crowdfunding para a compra do título. Este é um “Movimento pela Imprensa Livre. #NãoFechemOsOlhos”, apelam.

Com os salários em atraso e completamente em teletrabalho, os jornalistas tentam salvar o título desde o início do verão, altura em que o plano de insolvência da Trust in News não foi homologado pelo tribunal, o que tornou o encerramento da dona da Visão uma quase inevitabilidade, que se veio a confirmar em outubro. Mesmo assim, não desistiram.

Até agora, o processo de compra ainda não foi formalmente aberto, “mas o grupo precisa de uma proposta sólida, mas também vencedora, para que o título continue ativo e seja 100% independente, livre de amarras e pressões externas”, dizem. “Uma revista de jornalistas, feita por jornalistas, com os valores-base do jornalismo”, reforçam.

Além da compra do título — que só ocorrerá depois de feita a avaliação exigida pelos credores –, os jornalistas precisam ainda de investimento para o arranque da nova fase da Visão, criada do zero, mas com custos de impressão, produção, equipamento, licenças de software, de armazenamento de dados, telecomunicações, entre outros. “Para ajudar a custear esse investimento inicial e a compra do título, precisamos de arrecadar pelo menos 200 mil euros”, apontam.

Ajudar a que a Visão fique nas mãos da sua redação é uma garantia de que continuará a ser respeitado o jornalismo livre, independente, de qualidade e atento ao que é importante, sem se deixar manietar pela espuma dos dias e pela ditadura de algoritmos, com agendas ou propósitos escondidos”, diz Rui Tavares Guedes, diretor da publicação, no comunicado que acompanha o lançamento do Movimento pela Imprensa Livre.

Para além de donativo no crowdfunding, a compra da revista em banca é também incentivada. “O nosso foco é que a revista viva graças aos seus leitores e anunciantes. Não à custa de subsídios ou de apoios do Estado”, refere Rui Tavares Guedes.

A margem operacional, se existir, será usada para investir em jornalistas e no jornalismo, “com salários dignos, condições de trabalho adequadas, capacidade para atrair os melhores colaboradores e meios para investir em reportagens e dossiers que fazem a diferença“, detalham.

O lançamento do crowdfunding é acompanhado por uma edição especial que vai para as bancas esta quinta-feira, sob o mote “As coisas a que não podemos fechar os olhos em 2026”, que conta com uma série de nomes de relevância, das mais diferentes áreas, num alerta alinhado com a campanha #NãoFechemOsOlhos.

“Esta é uma luta pelos valores democráticos e pelo jornalismo independente, cada vez mais sob ameaça. E todos podem fazer parte: seja com uma partilha da campanha nas redes sociais, seja com um donativo“, reforçam.

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