Branded Residences, ‘amenities’ e segurança. O que procura quem quer comprar casas de luxo em Portugal?

Lina Santos,

Miguel Poisson, CEO da Sotheby’s, lê o relatório de luxo da consultora a pensar no mercado interno.

“Portugal é atrativo não porque sejamos melhores do que os outros, mas porque temos uma oferta muito equilibrada: segurança, clima, qualidade de vida, hospitalidade, saúde e escolas internacionais. Na globalidade, temos uma oferta muito atrativa, e os próprios compradores tornam-se embaixadores nos seus países. Há um ciclo de pessoas que vêm de férias, decidem vir viver, trazem as famílias e recomendam a outros. Nota-se muito o americano que traz outro americano.” Feito o retrato, Miguel Poisson, CEO da consultora imobiliária Sotheby’s desde 2017, explica o que procura quem investe no segmento alto em Portugal.

Miguel Poisson, Diretor Geral da Sotheby’s International RealtyHugo Amaral/ECO

Entre os clientes da Sotheby’s em Portugal, Miguel Poisson calcula que 50% são portugueses e outros 50% estrangeiros. Destes, os americanos destacam-se. “Há vários pontos que acabam por entroncar neste aumento da procura. Pelo menos no nosso segmento, o mais alto, um dos fatores é a questão da segurança.”

Branded Residences

Torre Dolce & Gabanna

Miami tem a sua torre Dolce & Gabbana e prepara-se para ter uma torre Porsche. O modelo das branded residences já é popular no Dubai ou em Nova Iorque onde o nível de serviço é extremamente elevado. Estas residências e empreendimentos estão associados a uma marca e “muito ligados a marcas hoteleiras, porque são aquelas que, depois de venderem as casas, têm mais experiência na gestão destes imóveis”. Oferecem serviços como pick-ups de Uber nas garagens, elevadores que saem diretamente na sala, salões de cabeleireiro ou ginásios. É mais do que um hotel: é a casa do comprador, com um grau de personalização muito superior.

Em Portugal, o conceito está a ganhar terreno. Existem projetos na linha de Cascais, Melides, Comporta e Algarve. O CEO da Sotheby’s acredita que mais virão com níveis muito elevados de personalização. Mais do que à la carte, diz, “é totalmente personalizado”.

O modelo é popular entre clientes norte-americanos. “Com a migração para Portugal, há também uma migração destas marcas”. E, defende, num país em que “o ultraluxo quase não existe, a oferta terá de se adaptar”. Afinal, são norte-americanos uma fatia importante dos clientes da Sotheby’s. “No nosso segmento, o mais alto, um dos fatores é a questão da segurança”, explica.

A Sotheby’s começou o ano com a divulgação do Luxury Outlook com dados importantes sobre o imobiliário de luxo, a partir de respostas dos seus consultores espalhados por 80 países, mas com grande incidência nos EUA, “onde se concentra uma parte da atividade da Sotheby’s”, segundo Miguel Poisson.

Segurança

Mais de 80% dos investidores falam na segurança como uma das principais questões para os compradores. “Procuram condomínios blindados e com ultravigilância para compradores que têm problemas de segurança. Para um americano, esta questão é valorizada”, diz Miguel Poisson. “Os brasileiros trazem esta preocupação e tentamos explicar que existem soluções, que não há uma procura tão grande”.

Localização

“A Comporta e Melides são locais onde se têm refugiado muitos compradores de altíssimo poder aquisitivo”, diz Miguel Poisson. “Há uma menor densidade para maior privacidade”.

Novas gerações começam a fechar negócios

A chegada dos Milennials e da Geração Z ao investimento imobiliário acontece mais entre investidores estrangeiros do que em Portugal. “É uma tendência mais visível em compradores estrangeiros, muitas vezes são herdeiros de países com grandes níveis de riqueza”, diz Miguel Poisson. “O imobiliário é um ativo que dá maior garantia de rentabilidade e valorização face ao risco implícito. O imobiliário é consensual e os family offices tendem a investir.”

Multigeracionalidade

O Luxury Outlook sustenta que há uma maior aproximação às origens e à família. A casa passa a estar preparada para receber os pais. A longevidade maior faz com que mais pessoas necessitem de cuidados, e muitas famílias preferem ter os pais por perto.

“Em Portugal, vê-se cada vez mais casais que compram um T3 e um T1 para um pai ou uma mãe. Esta convivência multigeracional é comum em Portugal, mas internacionalmente é uma novidade e deverá ser mais seguida.”

Preços devem continuar a aumentar

Miguel Poisson prevê que os preços do imobiliário continuem a aumentar. “É expectável que os preços continuem a aumentar em Portugal enquanto não existir um aumento da construção, não só de luxo, mas também para a classe média”, avalia.

E lá fora, criptoativos

Entre as tendências palpáveis do imobiliário, Miguel Poisson diz estarem os criptoativos, com Califórnia, Nova Iorque e Dubai a terem já uma grande influência neste mercado” e menos na Europa, “porque somos mais conservadores e há mais regulação”.

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