Conselho de Opinião preocupado com sustentabilidade financeira da RTP

Lusa,

Segundo o CO, "as projeções apresentadas evidenciam uma clara deterioração da sustentabilidade económico-financeira da RTP, o que coloca em causa [...] o o pressuposto da continuidade da empresa".

O Conselho de Opinião da RTP manifesta-se preocupado com a sustentabilidade financeira no parecer sobre o Plano de Atividades para 2026, referindo que as projeções apresentadas “evidenciam uma clara deterioração” se não forem tomadas medidas.

De acordo com o parecer a que a Lusa teve esta segunda-feira acesso, o Plano de Atividades para este ano da RTP, que inclui também o orçamento e plano de investimentos 2026-2028, “apresenta uma natureza genérica, no qual as ações são apresentadas de forma sumária, sem qualquer ligação com os pilares estratégicos estruturantes, e sem identificar evidente impacto do ponto de vista orçamental”.

Segundo o Conselho de Opinião (CO), “as projeções apresentadas evidenciam uma clara deterioração da sustentabilidade económico-financeira da RTP, o que coloca em causa, caso não sejam tomadas medidas estruturais ou de natureza assistencial pontual, o pressuposto da continuidade da empresa“.

O órgão, que na terça-feira vai ser ouvido na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito da audição regimental, refere ainda que o Plano de Atividades (PAO) “não evidencia quaisquer medidas de gestão que, de forma objetiva e sustentada, permitam assegurar a generalidade das orientações da tutela, nomeadamente no que concerne ao crescimento do volume de negócios, à melhoria dos resultados (resultado operacional e resultado líquido), à melhoria dos indicadores de eficiência e ainda à melhoria do retorno do investimento”.

Como consolidação das preocupações recorrentemente manifestadas pelo CO, sublinha-se uma vez mais, face às projeções apresentadas no aditamento ao PAO 2026, a deterioração, ainda que em base previsional, dos principais indicadores económico-financeiros para o período 2026-2028″, lê-se no parecer aprovado na semana passada.

Entre os indicadores referidos constam, nomeadamente, o “decréscimo do EBITDA [resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações] em 311%; decréscimo do resultado líquido em 230%; agravamento da rendibilidade dos RH em 308%; e diminuição da rendibilidade do capital próprio em 75%”, aponta o parecer.

Esta tendência “não é compatível com sustentabilidade económico-financeira de uma organização e consequentemente, com a sua continuidade operacional sem que sejam tomadas medidas de natureza estrutural, mas profundas”.

Aliás, acrescenta o CO, “as demonstrações financeiras previsionais incorporam apenas as orientações financeiras e os pressupostos macroeconómicos emanados da tutela, não havendo evidência de quaisquer medidas de gestão tomadas pelos órgãos de governo societário”.

Deste modo, “não sendo conhecidas quaisquer medidas de natureza estrutural que possam alavancar a sustentabilidade económico-financeira da RTP, a utilidade da informação prospetiva é, na opinião do CO, altamente questionável“, adverte o Conselho de Opinião da RTP, no parecer.

Conselho de Opinião da RTP aprova Clara Almeida Santos para Provedora do Telespectador

O Conselho de Opinião da RTP aprovou Maria Clara Almeida Santos, professora da Universidade de Coimbra, para nova Provedora do Telespectador, disse também à Lusa fonte do órgão.

O nome tinha sido indicado pelo Conselho de Administração da RTP e o parecer do Conselho de Opinião, emitido na semana passada, é vinculativo. Clara Almeida Santos substitui a jornalista Ana Sousa Dias, que é provedora do Telespectador desde novembro de 2021.

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