Um chip para namorados se controlarem? BBDO e APAPV lançam ‘Relationchip’

Nas relações, o controlo é uma forma de violência. O alerta é deixado pela APAV, numa campanha assinada pela BBDO e que envolveu também a área de media e PR do grupo Omnicom.

“Dois chips, um namoro, zero segredos.” O produto foi lançado no dia 9 e começou logo a dar que falar. Afinal, tratava-se de um microdispositivo que prometia transformar a forma como casais partilham informação e se relacionam. Como? Os membros do casal colocavam os implantes e ficavam ligados a uma aplicação que permitia saber, em tempo real, onde estavam, com quem e até aceder às suas mensagens.

“Amor é conhecerem cada passo um do outro“, exclamava outro dos posts da marca, a Relationchip, no Instagram, rede na qual tinha esta quinta-feira 481 seguidores.

Quem ama a sério usa o Relationchip”, diz a suposta marca em outro post, desvendando as vantagens de aderir ao produto: “Ficas mais descansada quando ele está ao telemóvel, sentes-te seguro sobre com quem ele anda, têm passwords partilhadas sem dramas, não tem ‘segredinhos’ nas redes”.

Quinta-feira, a dois dias do Dia dos Namorados, foi altura de desvendar o mistério. O alegado dispositivo composto por dois microchips subcutâneos que prometiam revolucionar as relações amorosas através de localização permanente, sincronização automática de passwords e monitorização de contactos é o teaser da campanha

Muda o chip. Controlo no namoro é violência“, da APAP – Associação de Apoio à Vítima, assinada pela BBDO e com a participação da Omnicom PR Group (media relations), a OMD (planeamento de meios) e a Looks:Goog (produção de vídeo e fotografia).

“A campanha foi desenhada como um exercício de inversão: tornar físico e explícito, através de um chip subcutâneo, aquilo que muitos jovens já praticam diariamente por via do telemóvel – partilha de palavras-passe, controlo de localização, vigilância de contactos e mensagens. Os chips não existem, mas refletem um comportamento real que acontece com frequência“, explicam as entidades.

Segundo dados divulgados pela APAV, nos últimos quatro anos foram apoiadas 3.968 vítimas de violência durante e após relações de namoro, sendo que 29% das pessoas apoiadas tinha menos de 25 anos. O controlo surge como uma das formas de violência mais normalizadas, frequentemente confundida com demonstração de amor.

A ideia foi confrontar as pessoas com o seu próprio comportamento. Se o chip parece desumano e excessivo, então é legítimo questionar porque aceitamos as mesmas práticas quando mediadas por um smartphone, aponta João Guimarães, diretor criativo da BBDO Portugal.

Assim, criaram “um produto extremo para tornar visível o que acontece de forma invisível. A indignação não era um efeito colateral, era parte do processo. Só a partir desse desconforto seria possível gerar debate real. No final, o que queremos é ajudar a APAV a levar os jovens a ‘mudar o chip’: não banalizar o controlo e reconhecer que este tipo de comportamento é, efetivamente, uma forma de violência”, conclui, citado em comunicado.

“O ‘Muda o Chip’ é a segunda fase desta campanha da APAV: um convite à mudança de mentalidade sobre o que é aceitável numa relação, reconhecendo o controlo como uma forma de violência e não de amor”, lembra a APAV no site do produto, agora rebatizado de mudaochip.pt.

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