“A Força Aérea já é também do Espaço”

A primeira conferência anual do eRadar realiza-se esta quinta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, tendo como foco o setor de Defesa, Espaço, Aeronáutica e Cibersegurança.

“A Força Aérea é já, também, do Espaço” e Portugal tem de potenciar o seu posicionamento Atlântico “estratégico” no atual momento geopolítico, foram duas das mensagens centrais do coronel Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea, e de Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, durante a abertura da conferência anual do eRadar, a decorrer esta quinta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O espaço é, cada vez mais, um campo de atuação do setor da defesa e a Força Aérea tem vindo a apostar nesta nova fronteira. Sinal dessa aposta é a criação do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea, que ganhou recentemente novas valências e capacidade com o lançamento de satélites para o Espaço.

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“O Centro de Operações Espaciais começou a atividade a 24 de setembro de 2024, mas claramente um dos pontos altos foi o lançamento do primeiro satélite”, destacou o coronel Pedro Costa.

Coronel Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea na abertura da conferência do eRadar.José Carlos Carvalho/ECO

O primeiro satélite detido pela Força Aérea foi lançado em maio. “O primeiro de uma rede de satélites, para a qual licenciamos, para já nesta fase inicial, uma rede de dez satélites”, refere o responsável do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea.

Os satélites serão integrados na Constelação Atlântico, um projeto que envolve Espanha, tendo um foco dual, já que envolve não só o setor de defesa, como empresas do setor espacial como a Geosat, tendo sido destacado por Ursula von der Leyen no seu discurso da nação como um dos projetos relevantes para o ganho de soberania europeia no setor da defesa e espaço.

“O percurso que está a ser desenvolvido está a ser feito ao lado do setor industrial nacional. Estamos a envolver o setor industrial nacional”, destaca o Coronel Pedro Costa.

Posicionamento atlântico de Portugal é estratégico

A entrada do setor de defesa no Espaço é, aliás, um dos aspetos destacados por Ricardo Conde como sinal desta mudança de paradigma que está a alterar a indústria e o setor do Espaço.

“Vemos, por exemplo, novos atores a entrarem nestas áreas, não só na defesa, mas em particular no espaço”, destaca o presidente da Agência Espacial Portuguesa.

Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa na abertura da conferência do eRadarJosé Carlos Carvalho/ECO

“Não associamos a Honda ao setor espacial. A Honda está a desenvolver um sistema de regresso vertical”, exemplifica o responsável, dando ainda como exemplo desse movimento a entradas de empresas como a Mitsubishi ou a Sony.

É nessa geografia que, Ricardo Conde considera que está a emergir uma nova fase para o setor. “Entendemos o mapa [do mundo] centrado na Europa, mas não atualmente o mapa já não está centrado na Europa”, diz. “A perspetiva do desenvolvimento do setor espacial vai ter o epicentro na Ásia-Pacífico”, diz. É dai que, considera, está a emergir o “Next Space”, um passo além do “New Space”.

Nesse contexto, como se pode posicionar Portugal? “Quando olhamos para a nossa dimensão, para o nosso contexto político e para aquilo que é o nosso posicionamento estratégico, temos que pegar nesta característica que é o nosso posicionamento Atlântico, considerá-la como matéria-prima e transformá-la”, aponta Ricardo Conde. “Percebermos que no contexto de defesa e no espaço, a nossa geografia dá-nos esse valor estratégico”, refere. “Esse valor estratégico tem a ver com a construção desse desígnio europeu: a construção do European Space Shield”, sintetiza.

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