Fábrica, sol e floresta. Oliveira do Hospital ‘fura’ investimento de 50 milhões da Sonae Arauco
Além do polémico parque de painéis solares, empresa de derivados de madeira constrói unidade de madeira pré-triturada, dois armazéns, automatiza a produção e refloresta e recupera áreas ardidas.
Abrangendo projetos nas áreas da eficiência operacional, economia circular, descarbonização e reflorestação e recuperação de zonas afetadas por incêndios, a Sonae Arauco anunciou esta sexta-feira que está a investir cerca de 50 milhões de euros na unidade de Oliveira do Hospital.
Com o objetivo de “reforçar a competitividade e a sustentabilidade das suas operações, potenciar as exportações e contribuir para a comunidade”, estes projetos industriais “estratégicos” incluídos no PRR visam reforçar a fábrica do distrito de Coimbra, que assegura mais de 200 empregos diretos e perto de 600 indiretos.
“Os projetos em curso vão contribuir para fazer da unidade em Oliveira do Hospital uma referência mundial no setor. Estamos a investir na transição verde e digital da unidade de forma a melhorar a sua competitividade a longo prazo e a assegurar a sua sustentabilidade”, indica Rui Correia, CEO da empresa de derivados de madeira nascida de uma joint-venture entre a Sonae Indústria e a chilena Arauco.
Os projetos em curso vão contribuir para fazer da unidade em Oliveira do Hospital uma referência mundial no setor.
Na área da descarbonização destaca-se um empreendimento de produção de energia renovável solar para autoconsumo para garantir cerca de 30% das necessidades da unidade industrial. Este parque de painéis solares na zona do vale do Alva tem sido criticado pela oposição a nível local (PSD e CDS), o que levou a autarquia liderada pelo socialista José Francisco Rolo a garantir que foi “muito exigente” e até obrigou a empresa a reduzir a área de implantação de 6,9 para 3,6 hectares.
Ao nível da eficiência operacional, o grupo está a investir em dois novos armazéns em Oliveira do Hospital para “reforçar a competitividade da empresa e consolidar a sua capacidade de entrega”. Em comunicado, detalha que a verba inclui a digitalização e automação dos armazéns, assim como do processo produtivo, oferecendo “ganhos de eficiência e melhoria do impacto das operações”.
Por outro lado, além do investimento já noticiado pelo ECO numa unidade de pré-triturado para aumentar a capacidade de incorporação de madeira reciclada com o objetivo de chegar aos 85% em 2026, está a “estudar o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora para separar o MDF [sigla em inglês para ‘aglomerado de fibras de média densidade’] da estilha reciclada rececionada na fábrica” para conseguir incorporar mais madeira reciclada neste tipo de soluções.
Na mesma nota, a empresa sublinha ainda as atividades de reflorestação e de recuperação de áreas ardidas. Já se encontra a gerir uma área ardida em 2017 no Vale da Macieira e está neste momento a negociar uma proposta de arrendamento e intervenção numa área de cerca de 50 hectares, que prevê o controlo de invasoras, a redução de risco de incêndios, a gestão do pinhal existente, a recuperação de linhas de água e a plantação de folhosas.

“Oliveira do Hospital desempenha um papel central na estratégia do grupo, pelo que estamos a reforçar o investimento no concelho com projetos inovadores e sustentáveis que nos colocam na vanguarda do setor. Queremos continuar a levar os produtos produzidos na nossa unidade para todo o mundo, apostando na diferenciação da nossa oferta pela sua inovação, design e sustentabilidade”, resume o diretor da fábrica, José António Silva.
Detida 50%/50% pela Arauco e pela Efanor, holding da família de Belmiro de Azevedo, ao todo, a Sonae Arauco detém 23 unidades industriais e comerciais, comercializa os seus produtos em 70 países e contabiliza cerca de 2.600 trabalhadores em nove países: Portugal, Espanha, Alemanha, África do Sul, Reino Unido, França, Países Baixos, Suíça e Marrocos.
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