2022, odisseia empreendedora

  • Rui Ferreira
  • 7 Setembro 2022

2022 – Odisseia Empreendedora

Tomando como exemplo o título do célebre filme de Stanley Kubrick “2001: Odisseia no Espaço”, o ano de 2022, que ainda não terminou, mas que já nos trouxe uma miríade de externalidades com grande influência no mundo dos negócios, tem sido uma verdadeira odisseia para os empreendedores ao nível global: guerra, inflação, aumento de taxas de juro, tensão geopolítica e desfragmentação do comércio mundial, aumento dos preços da energia, alterações climáticas (com seca e ondas de calor no hemisfério Norte), escassez de matérias primas, falta de mão de obra qualificada, problemas nos aeroportos mundiais, novos hábitos de consumo, crescente digitalização da economia e… ainda o COVID-19 e outras potenciais ameaças de novos vírus. Ou seja, um “cocktail” de incertezas que torna a vida de qualquer empreendedor numa verdadeira montanha russa de desafios, obstáculos, adversidades, mas também de oportunidades, fazendo jus à estatística comprovada que em momentos como o atual deram origem a grandes empresas mundialmente reconhecidas e de grande sucesso.

No atual contexto de incerteza, qualquer empreendedor deverá, por um lado, focar-se nos recursos que atualmente controla, demonstrando capacidades de resiliência na sua gestão eficiente e na capacidade de tomada de decisões rápidas e com base em informação externa em constante mutação, sempre com a sua atenção virada para a satisfação das necessidades cada vez mais exigentes dos seus clientes.

Por outro lado, será essencial ter uma visão estratégica que possibilite transformar ciclos viciosos como os que podem ser desencadeados por fatores de incerteza externos em anos como o de 2022, em ciclos verdadeiramente virtuosos, sendo a palavra chave para o efeito inovação, isto é, assegurar investimento contínuo em novos produtos e serviços, adaptados às tendências do mercado e com isso assegurar tração e receitas, por via da conquista e retenção de clientes e assim potenciar a escalabilidade dos seus negócios, com exposição controlada ao risco na alocação de recursos, antecipando sempre que possível a concorrência.

Mas não basta reunir estes atributos que dependem dos próprios empreendedores e da sua atitude em anos complexos como o atual. Tal como acontece na natureza, a estabilidade do ecossistema onde se inserem será indubitavelmente um fator crítico para que essa estratégia de longo prazo de aposta na inovação possa ser bem sucedida, dando assim segurança ou “rede de proteção” aos que conseguem trilhar o seu caminho.

E outros intervenientes nesse ecossistema, além das próprias empresas lideradas pelos seus empreendedores resilientes, desempenham um papel vital para que tal seja possível. Falamos de organismos de suporte (como as entidades que gerem apoios e incentivos de natureza pública), de facilitadores (entidades que apoiam a incubação, aceleração e escalabilidade dos negócios) e de investidores/financiadores das empresas, como os business angels, operadores de capital de risco e banca.

É nesta última categoria onde a Portugal Ventures se insere no ecossistema empreendedor nacional desde 2012 como um verdadeiro fator de equilíbrio ou mesmo “cola”, apoiando empreendedores e negócios com potencial, de forma cooperativa com outros investidores e parceiros, representando 15% das transações do mercado de Venture Capital português nos últimos 10 anos, em particular nos segmentos de pre-seed e seed capital, 42% das quais concretizadas em co-investimento, contribuindo as start-ups investidas com 339 milhões de euros para a economia nacional em termos de faturação agregada e a criação de 4.164 empregos diretos e indiretos não só em Portugal como nas suas filiais estrangeiras.

Foi, é e será por isso, grande a responsabilidade da Portugal Ventures na dinamização do ecossistema, como já foi demonstrando em três grandes ciclos ao longo da sua história de uma década:

· No verdadeiro lançamento do ecossistema, aquando da sua criação em plena crise financeira (2012-2014);

· Na consolidação do ecossistema e crescente reconhecimento internacional de Portugal como um exemplo no apoio a start-ups com ambição global (2015-2017);

· No reforço da sua atuação em rede, presença em falhas de mercado (como por exemplo aconteceu em plena pandemia) e sobretudo valorização da carteira de empresas investidas (2018-2021).

Será assim um grande desafio para a Portugal Ventures, neste novo ciclo iniciado em 2022, continuar a contribuir para a consolidação desse ecossistema, como um agente relevante que atua nas chamadas “falhas de mercado em Portugal”, entregando valor a diferentes stakeholders públicos e privados, nacionais e mesmo internacionais.

No próximo dia 14 de setembro no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, vamos então celebrar 10 anos de sucessos, aprendizagens e sobretudo de impacto, sendo um importante momento para todos os representantes do ecossistema empreendedor português não só potenciarem a sua network, como sobretudo para refletir em conjunto sobre o futuro desafiante que temos pela frente, tal com Kubrick o fez ao lançar o seu famoso filme.

 

Ao celebrar o seu 10º aniversário, a Portugal Ventures assinala a entrada num novo ciclo da sua existência, sendo mais uma vez um momento crucial para o ecossistema, não só pelos anos vibrantes que tem conhecido, como sobretudo pelos desafios que o atual contexto de incerteza coloca, vislumbrando-se a longo prazo uma verdadeira Odisseia Empreendedora.

 

 

  • Rui Ferreira
  • Presidente da Portugal Ventures

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