A economia pós-Covid. A retoma e a Europa

Portugal, já antes da eclosão desta crise sanitária, apresentava debilidades várias sob o ponto de vista económico. Saibamos aproveitar este período e reorientar a economia no caminho do futuro.

Todos temos vivido meses difíceis de imaginar até nos vermos perante esta pandemia que assolou o mundo e, claro, atingiu também Portugal. A primeira preocupação perante esta situação teve a ver, como é natural, com a saúde, o combate ao vírus, o tratamento e cura dos doentes e a investigação de fármacos adequados para o tratamento e de uma futura vacinação contra o vírus.

Porém, o período de que começamos agora a sair teve significativas consequências para a economia de todos os países, neste mundo global em que hoje vivemos.

Portugal, já antes da eclosão desta crise sanitária, apresentava debilidades várias sob o ponto de vista económico.

A dívida pública é, desde há vários anos, muito elevada (podendo chegar aos 130% do PIB no final deste ano), a poupança há muito que atingiu mínimos históricos, o PIB per capita é actualmente o antepenúltimo dos países que integram a Zona Euro, a produtividade do trabalho é muito baixa, ainda há fragilidades no sistema bancário e a justiça é morosa, tudo questões estruturais que temos tardado a melhorar ou ultrapassar.

Temos vindo a delongar a realização das reformas necessárias para a criação de condições que propiciem a criação de mais riqueza, o desenvolvimento sustentável e mais competitivo da economia capaz de assegurar o bem-estar dos cidadãos e o crescimento do sector empresarial.

Portugal, integrado na União Europeia e fazendo parte da Zona Euro, tem possibilidade e capacidade de, perante este desafio pós-covid, vir a reagir e situar-se numa rota de maior desenvolvimento, inovação e criatividade se optar por um bem estruturado plano de reindustrialização que tenha como pilares a transformação digital, a economia circular e a economia do conhecimento.

Para esta nova fase há que mobilizar e reter talentos, especialistas, empreendedores e conseguir que trabalhadores e empresários se sintam mobilizados para uma tarefa de fundo que poderá colocar Portugal no pelotão da frente dos países europeus.

Há, hoje, um reforço do papel dos estados, a globalização vai decerto ser diferente daquela que já conhecemos, as cadeias de produção vão sofrer alterações e os diversos países vão dar preferência à produção mais perto dos seus mercados, enquanto as tecnologias serão, cada vez mais, globais.

É neste novo enquadramento que Portugal vai ter de recomeçar nesta fase de retoma pós-covid. Para tal, há que traçar um plano que aproveite devidamente os recursos, sem desperdícios, sem partidarismos, mas com um verdadeiro carácter nacional e desenvolvimentista.

A Europa, consciente das dificuldades existentes, mas fazendo jus ao seu papel fundamental na preservação do mercado interno e na manutenção da moeda única, deu recentemente prova de que os fundos necessários à recuperação económica dos países serão disponibilizados, quer através de subvenções, quer de empréstimos.

Portugal poderá receber, para além dos cerca de 30 mil milhões de euros dentro do Quadro Financeiro Plurianual, 15,5 mil milhões do Fundo de Recuperação e cerca de 11 mil milhões sob a forma de empréstimos.

Parte importante do montante a disponibilizar pelo Fundo de Recuperação destinar-se-á a reformas internas nos vários países e a investimentos, em que serão definidas prioridades da aplicação para certos sectores e finalidades. Portanto, haja agora engenho, vontade e capacidade de aproveitarmos convenientemente esta oportunidade.

A União Europeia, tão criticada tantas e tantas vezes, foi agora posta à prova e parece ter respondido de forma firme e solidária.

Portugal, com a sua entrada no espaço europeu em 1985, já recuperou anos e anos de atraso e conseguiu desenvolvimentos assinaláveis desde essa data. Mais tarde, com a criação da moeda única, Portugal libertou-se das altas taxas de inflação que corroíam os nossos rendimentos, bem como dos juros exorbitantes do passado e permitiu às nossas empresas terem acesso a um mercado alargado e competitivo, incrementando o nível e volume das nossas exportações.

Pois bem, aí está de novo a Europa connosco. Saibamos aproveitar este período e reorientar a economia no caminho do futuro.

Nota: Por opção própria, o autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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