A importância de ler jornais

Há falta de qualidade dos conteúdos informativos, com cada vez menos notícias importantes e mais historietas da espuma dos dias.

Cada pessoa tem todo o direito de fazer as suas escolhas, nomeadamente ao que toca ao consumo de imprensa, mas confesso que me choca a falta de vergonha de alguns indivíduos que, a plenos pulmões, anuncia nas redes sociais que não lê jornais. Noutros tempos, suspeito que melhores do que os dias de hoje, conviver com a prosa estampada em papel, estar informado por notícias que eram mesmo notícias e reflectir com excelentes cronistas que nos ajudavam a pensar o nosso País e o mundo eram marcos de cultura e civilização.

A imbecilização diária, a ascensão das redes sociais que têm muitas virtudes mas também libertaram todos os trogloditas e as piores pulsões humanas, a falta de critério nas escolhas editoriais e o enterro do “gate-keeper” e, naturalmente, a crise da imprensa que a levou a perder qualidade, tornaram possível algo que era impensável: a degradação da credibilidade do quarto poder.

Cada caso é um caso, porém, a educação é muito marcada não só pelas escolas e professores que temos, mas, sobretudo, pelo entorno familiar. No meu caso, já lá vão umas décadas sempre tive jornais em casa (República – depois A Luta e o Portugal Hoje – e Diário de Notícias de manhã, e Capital à tarde, somando ainda os desportivos que não eram diários na altura). Pelo que dizem os cruéis números das vendas de jornais e revistas, cruelmente sempre com os números a descer em banca, numa tendência de queda impossível de suster, raras são as famílias portuguesas que têm a preocupação de levar crianças e jovens a despertarem a curiosidade pelo mundo através dos jornais.

Bem sei que os consumos mudaram e as edições digitais vão começando a crescer ao nível de assinaturas. E a ida diária aos sites da imprensa que, contudo, a tornam tendencialmente gratuita tornaram-se hábito. Porém, ler em papel é outra coisa, é um prazer, é lazer de qualidade que nos torna melhores cidadãos, mais bem informados e preparados contra as “fake news”, as manipulações, profissionais e amadoras, da opinião e uma couraça bem segura contra extremismos, populismos e outros “ismos” que têm marcado a agenda.

Choca-me imenso enquanto consumidor a falta de qualidade dos conteúdos informativos, há cada vez menos notícias importantes e mais historietas da espuma dos dias, vedetas de reality shows, cavalheiras de novelas em exibição de biquínis, estrangulamento da agenda mediática pelo futebol, cronistas de vão de escada sem importância social e profissional e casos de ausência total de cultura e conhecimento que se arrogam ao estatuto de comentadores e opinadores. Tudo isto somado, leva a uma avassaladora crise de valores e a uma ausência de âncoras que nos permitam uma salvação do tsunami de insanidades e vulgaridades que enxameiam a comunidade.

Há poucos dias, uma pessoa que muito considero, o Paulo Querido, lançou um interessante repto aos seus seguidores no facebook. Pediu que indicassem quais as marcas de media às quais atribuíam mais credibilidade e reputação. Claro que os ditos títulos de referência seriam sempre a primeira lembrança, no entanto, a ideia que perpassou é que hoje se atribui muito pouca credibilidade à imprensa e a muitos jornalistas que ocupam cargos de direcção. Agora, se perguntarem à maioria, a que não lê um jornal mas consome informação via internet e redes sociais, irão ver que se atribui mais credibilidade a pessoas do que a títulos. Há criadores de conteúdos nos seus murais aos quais são atribuídos, pelo seu carácter e coerência, muito maior confiança e certeza que a jornais. Vivemos num território de novos xerifes e a imprensa nunca os soube integrar e com isso vai morrendo pelas balas que não dispara, enquanto se suicida num mundo que não consegue compreender.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
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O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

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Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

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