Ainda és millennial?

  • Joah Santos
  • 17 Fevereiro 2017

Para construir marcas, temos de perceber que não somos millenial ou Gen Z e não podemos fazer isso olhando apenas para “números numa página de Excel”.

Há cerca de 10 anos comecei a olhar para a definição de “gerações” de uma maneira diferente. Tudo começou quando enviei este SMS:

Eu: É preciso comprar vinho para o jantar?
Avó do meu amigo: “Sim (:”

Hoje pode parecer normal, mas na altura não era. A linguagem que usava no início dos anos 80 propagou-se e tornou-se comum a todos. Fiquei tão curioso que comecei a perguntar aos meus amigos se alguma vez os pais lhes tinham enviado um “(:” ou um “lol”, ao que quase todos responderam que sim. Foi este o motivo que me levou a parar de olhar para as pessoas como números.

Parece que estamos mais propícios a entrar em eras, do que a manter gerações. Estamos agora a sair da era dos millennials, onde todos nos tornámos otimistas e em que queríamos trabalhar em algo que realmente amássemos. Fazia sentido, existiam imensas oportunidades quando a internet explodiu.

Start-ups falhadas, quedas da economia e ataques terroristas constantes, são coisas a que, agora, estamos habituados. Estes acontecimentos mudaram-nos a todos, mudaram especialmente os mais impressionáveis, os jovens, aqueles a quem chamamos, the new generation. Mas eles são apenas os primeiros a adaptar-se, porque não sabiam como o mundo era antes.

Estamos agora a entrar na era da Geração Z, onde o que é real e autêntico tem mais significado para as pessoas. É um dos motivos para o sucesso do Game Of Thrones, onde a história continua quando o herói morre. É o motivo da existência de tantas hamburguerias e gelatarias pseudo-artesanais. Não é otimista como costumava ser, mas é mais realista.

Não acreditam? Dizem que os Gen Z são nativos dos smartphones, quando foi a última vez que que estiveste sem o teu smartphone? Provavelmente quando partiste o ecrã e foste a correr para o arranjar, de forma a voltares ao mundo online o mais depressa possível. Isso faz de ti um Gen Z? Sim faz, porque eventualmente todos nos tornamos Gen Z. Tal como os teus pais a colocarem fotografias no Facebook ou a enviarem emojis nos comentários. Isso são eles a tornarem-se cada vez mais millennials.

Quando se tenta perceber as pessoas, torna-se mais fácil influenciá-las e prever o futuro da inovação. Exemplos do que penso que acontecerá durante a era dos Gen Z:

  1. As televisões vão ser mais “inteligentes” e o Adblocker será uma aplicação real na televisão.
  2. Os “live” shows nos social media serão um sucesso. Os produtores vão-se aperceber de que não precisam dos meios tradicionais e que podem lucrar mais se fizerem tudo sozinhos. Os produtores do Jimmy Fallon podem ganhar 12 milhões por ano, em vez de 8 milhões se derem este passo.
  3. A maior rutura das grandes empresas chegará através das pessoas. Fazer Peer a tudo, como já acontece com a Airbnb, Amazon, Uber e muitos outros. Peer ao seguro, peer ao banco, peer aos alugueres de carros. Peer ao seguro por exemplo; um grupo de amigos decide criar um fundo, as probabilidades de o carro ter um estrago equivalente ao valor dele, é bastante baixa. Assim, será um investimento em vez de um custo, tal como comprar uma casa em vez de a arrendar.
  4. O modelo de “desaparecer” será adotado por mais redes sociais, tal como uma conversa real, não há provas que ela existiu. Esta é a principal razão para o sucesso do Snapchat.
  5. Várias pessoas já registaram a sua cara no Snapchat, daqui a uns anos, o serviço de localização do Facebook combinará essas informações com reconhecimento facial dentro das lojas e enviará informações relevantes de marketing para os telemóveis. Esta tecnologia já existe, só que ainda não combinaram as plataformas

Para concluir, Gen Z seremos todos nós, eventualmente. Eu sei que muitos estão a tentar tornar as empresas cada vez mais consumer-centric, mas quantos é que sabem que páginas é que esses consumidores visitam depois de irem ao Facebook da vossa marca?

Sigam o consumidor. Aprendam, não interromper, mas a ajudar as pessoas através da vossa marca. É necessário entender as pessoas para além da forma como consomem um produto. A minha equipa ajudou a levar uma marca de cerveja americana de 7ª marca a 2ª marca com maior market share. Isto apenas por perceber quantos consumidores iam a páginas de country music e de nightlife, logo após irem à pagina dessa marca. Isto ajudou-nos a fazer um plano para ajudar os consumidores enquanto consumiam a nossa marca.

Para construir melhores marcas, temos de perceber que não somos millennial ou Gen Z e não podemos fazer isso olhando apenas para eles como se fossem simplesmente “números numa página de Excel”.

  • Joah Santos

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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