Andamos todos distraídos?

Somos todos a #GeraçãoCordão, a que não desliga e a quem se exige literacia digital ou o uso de protetor, adequado ao nosso nível de dependência, tal como adequamos um protetor solar à nossa pele.

Esta foi a grande questão que se colocou no Congresso Nacional de Marketing da APPM, com o tema “NOW – Marketing in times of Distraction”. E sim, a resposta é unânime entre quem cria, gere e comunica marcas. Andamos todos distraídos – marcas e consumidores, com tanta tecnologia, conteúdos e meios. Somos a “Geração Cordão”, a que não desliga e a quem se exige literacia digital ou o uso de protetor, adequado ao nosso nível de dependência, tal como adequamos um protetor solar à nossa pele. E quando as coisas nos são colocadas assim, tudo faz mais sentido:

E neste mundo meio esquizofrénico em que queremos acelerar e travar, em que queremos ser tradicionais e tecnológicos, em que se exigem canais de venda digitais e pontos de venda físicos, em que só 40% das campanhas digitais são vistas por humanos…em que não paramos para ouvir #ok,boomers! O que se consegue? Distração!

Com a chegada e com o nível de exigência deste everything customer acabou a “blablaland”, como se ouviu no congresso. E voltam as questões de base no branding: as marcas precisam de ter o seu Propósito claro. Simplificar. Inovar. Regressar às boas ideias. Ser capaz de gerar empatia e dar segurança emocional ao consumidor. Em tempos em que Everything’s amazing right now and nobody is happy…pede-se consistência. Proximidade. Inclusão. Porque não é preciso uma campanha épica, apenas uma marca que, quando comunica olha, olhos nos olhos, as pessoas. Sim, cada vez mais pessoas, e menos consumidores.

Tempos de distração, em que projetos como Online/offline e o seu #meaningfulvandalism nos trazem de volto o foco ao palco do Congresso. Depois das ruas, onde os cartazes nos chamaram a atenção para o uso excessivo da tecnologia, o documentário mostra-nos como de uma insónia nasce uma ideia. Eficaz, online e offline, em tempos de distração.

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O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

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António Costa
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