As Máscaras. A Moda. Os Novos Tempos. O Novo Normal.

Hesitei em escrever este texto. Mas há meses que pensava nele. Fui partilhando no Instagram uma ideia que me inquietava, a “máscara”, em tudo o que era coleções de moda e conteúdos digitais criativo,

Hesitei em escrever este texto. Mas há meses que pensava nele. Fui partilhando, acima de tudo no Instagram, uma ideia que me inquietava, a “máscara”, o rosto cada vez mais coberto em tudo o que era coleções de moda e conteúdos digitais criativos. Das checkin_invoices, à Balenciaga e mais recentemente na Benetton. Em alguns desfiles eram distribuídas e algumas personalizadas, as da Chanel com camélias, as da Fendi com os dois F’s e a da Gucci usada por Billie Eilish nos Grammys…

Mas hesitei, falar de moda e saúde no mesmo texto. Até hoje. Quando muitos de nós saímos à rua de máscara. Nestes novos tempos. E tanto tempo depois de terem sido criadas, em 1890 como símbolo da modernidade médica. E depois de terem continuado populares na China, sempre como símbolo do cuidado pela comunidade e de consciência cívica.

Este é o primeiro texto que escrevo isolada. Mas em colaboração. Na primeira semana de isolamento, juntámo-nos (um grupo que nasceu no primeiro #Fashion Hackathon da ModaLisboa) e criámos um cadavre-exquis que irá funcionar organicamente e que serve para discutir soluções e refletir sobre o agora e o amanhã que não conhecemos…e trouxe para o grupo, como primeiro desafio, a reflexão sobre este tema. É, portanto, se quisermos, um texto colaborativo, como se quer o futuro.

A moda sempre foi uma capa social, que nos dá uma outra pele, que tem a capacidade de nos tornar uma outra pessoa. Será que a indústria previu o que aí vinha, ou apenas foi vivendo o ar dos tempos, como sempre fez?

Até aqui, para além dos desfiles, temos visto mais recentemente interpretações das máscaras cirúrgicas, como forma de solidariedade ou protesto em manifestações pró democracia como as recentes em Hong Kong, uma moda defensiva ou de proteção de identidade; mas também as vimos a serem usadas contra a poluição…Agora corremos à procura das que ainda se vendem a preços quase de high fashion para nos proteger-mos de uma pandemia…

Entre os que pensam o futuro, o tema não surpreende, a moda como camada de proteção ambiental e de privacidade, já é discutida há algum tempo e esta pandemia só veio acelerar uma tendência a que já se assistia na Ásia, e que, a partir de agora, será uma tendência global. Veio para ficar, nos mais diferentes materiais e formatos e cada vez mais em smart textiles, que sejam de facto sustentáveis.

Nos novos tempos vão tornar-se o novo normal? Serão uma nova oportunidade de negócio nas grandes indústrias (ou junto de empreendedores mais locais), que prontamente vemos, até em Portugal, a produzir equipamentos de proteção? Ou pelo contrário, o mercado irá fechar-se assim que o surto passar para se esquecer o problema? Alguns estudos em tendência dizem-nos que no pós Covid -19 todos vamos querer num mundo mais higiénico…

A partir de Estocolmo, Fernanda Torres, professora de Inovação na Stockholm School of Economics chama-lhe – à máscara – “um novo orientalismo, mas em vez do véu é a máscara. Há algo de misterioso em só se revelar parte da nossa cara. A moda tem muita sensibilidade para interpretar novos valores da sociedade. Assim sendo, não acho que seja coincidência, até me parece que a moda tenha ajudado à implementação do uso de máscaras neste contexto de epidemia do covid 19. Os cientistas concordam que não existem provas de que o uso de máscaras proteja contra o covid, penso que até pode ser perigo por dar uma falsa sensação de segurança. Mas o uso de máscara é antes um símbolo, assim como a moda, de algum status e pertença a um grupo (neste caso daqueles que querem sinalizar que se preocupam com a higiene)” explica-me. Não é por acaso que a marca sueca Airinum, que junta moda com a máscara, seja já um grande sucesso (especialmente na Ásia) e ainda antes desta epidemia.

Na nossa conversa, também ela em isolamento, a portuguesa que se tornou uma referência na Suécia em matéria de consultoria em inovação diz-me que “veio para ficar”. A máscara é uma proteção contra impurezas e contra o reconhecimento, e até em certas situações, um exemplo de liberdade. Quando em Hong Kong, durante os protestos do ano anterior, proibiram as máscaras, as pessoas foram muito criativas e criaram máscaras de cabelo. Portanto penso que um uso generalizado da máscara como um acessório até pode ter consequências benéficas no que toca à proteção da nossa privacidade”.

Apenas reflexões. De um mundo que hoje usa máscara no espaço público e apenas se mostra – numa versão mais ou menos curada, em privado, nas redes sociais….

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

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António Costa

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