As pré-primárias

Já há pré-candidatos à liderança dos socialistas: Pedro Nuno Santos, Fernando Medina e Rui Rio.

Com uma União Nacional que vai do Parlamento a Belém, António Costa parece ter tudo para ficar agarrado ao poder durante muitos anos. Apesar disso, os pré-candidatos a sucederem-no na liderança dos socialistas já se posicionam e fazem-se notar.

Pedro Nuno Santos

O Estado, como se sabe, só quer o nosso bem. O estado só se preocupa com o bem público e, por isso, não há ninguém melhor para gerir a economia do que o estado. A saúde não pode ser um negócio, tem que ser gerida pelo estado em nome do bem comum. Naqueles países da Europa Central onde a saúde pública é garantida por hospitais privados andam sempre doentes. Basta ver o aspecto pálido de alemães e holandeses para percebermos isso. A educação também não pode ser um negócio, excepto a educação dos filhos dos ministros que andam todos em colégios onde a educação é um negócio. Os transportes também têm que ser geridos tendo em conta o bem comum. A banca é estratégica, assim como as companhias aéreas, os comboios e uma fábrica de carregadores eléctricos. Quase toda a economia é estratégica e por isso tem que ser directa ou indirectamente gerida pelo Estado que só quer o nosso bem. Quando privatizaram as telecomunicações, avisaram-nos que nas mãos de privados podiam-nos cortar o fio dos telefones a qualquer momento. Os neoliberais riram-se dessas previsões, mas a verdade é que 25 anos depois já ninguém tem telefones com fios.

Para além da máquina do Estado, das finanças, dos serviços centrais, das Forças Armadas, das forças de segurança, o Estado português gere a esmagadora maioria dos hospitais e das escolas do país, detém o maior banco comercial, órgãos de comunicação social, a rede ferroviária, redes de autocarros, de metro e uma companhia aérea. Nas restantes grandes empresas também consegue lá colocar os seus administradores porque muitas dependem directamente do estado como cliente ou regulador. Fora da esfera do estado estão algumas pequenas e médias empresas, sendo que muitas delas têm no estado e nas empresas na esfera do estado os seus mais importantes clientes. Ter a economia assim toda controladinha é importante porque mantém muita gente calada. Com tanta gente dependente do estado, com medo de perder o seu negócio ou o seu emprego, ficam todos com muito medo de criticar o governo, ou, como será conhecido daqui a alguns anos, ter “discurso de ódio”.

Com tanta estratégia, tanta boa gestão em nome do interesse público, contra o malvado lucro e os radicais religiosos neo-ultra-liberais não se entende como é que o país está estagnado há 20 anos e assim deverá ficar mais 10, quando acabar de pagar pela “estratégia” da TAP. Pobres, mas a salvo do radicalismo religioso que tanto teme o Padre Nuno Santos. As pernas dos contribuintes até tremem.

Fernando Medina

Medina prometeu uma luta sem tréguas ao alojamento local em Lisboa, um dos principais responsáveis pela recuperação dos centros das cidades portuguesas e pelo crescimento do Turismo que nos impediu de ser ainda mais pobres do que somos hoje. Mas há um aspecto adicional no alojamento local ao qual os socialistas deveriam ser sensíveis: a redistribuição e democratização no acesso aos lucros do turismo.

O Alojamento Local permitiu que muitos pequenos aforradores pudessem também beneficiar das receitas do crescimento do turismo e não só as cadeias hoteleiras. Foram dezenas de milhares por todo o país a fazê-lo. Há uns anos, bem antes de me meter na política, infiltrei-me num grupo desses pequenos empresários do Alojamento Local no Facebook. Assisti a muitas discussões entre pequenos empresários a lutar contra a burocracia de fazer negócio em Portugal, todos os problemas com clientes e fornecedores. Vi como se ajudavam entre si, apesar de concorrentes, e as dificuldades de quem gere um negócio pela primeira vez. Vi uns a crescerem outros a desistirem. Neste momento o grupo já conta com cerca de 70 mil participantes. Mesmo excluindo os curiosos como eu, serão dezenas de milhares de pequenos e médios empresários que não merecem o discurso de ódio político que pessoas como Fernando Medina lhes destinam. Um abraço para todos.

Rui Rio

Rio deu a mão ao PS na gestão da pandemia, com os resultados conhecidos. Deu a mão nos orçamentos, com os resultados que ainda iremos conhecer. Permitiu que o PS nomeasse para governador do Banco de Portugal um ex-ministro repleto de conflito de interesses. Fechou os olhos ao rombo que a renacionalização da TAP irá criar. Agora propõe que dívidas não reclamadas por fornecedores desapareçam do balanço dos partidos, ou seja, propõe que fornecedores possam na prática realizar grandes donativos não declarados e acima dos limites legais. Donativos esses que podem ser mais tarde pagos com contratos públicos quando esses partidos chegarem ao poder.

Mais uma portinha escancarada para a corrupção. Espero que seja só um equívoco legislativo ou de interpretação minha. Caso contrário do banho de ética, passamos a um Rui Rio que revela que a sua proximidade ao PS não é só ideológica, mas também de método. Pedro Nuno Santos e Fernando Medina que se cuidem: podem ter aqui um concorrente sério à sucessão de Costa na liderança dos socialistas. As pré-primárias no PS estão ao rubro.

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