Cannes Lions 2017: Dia 0

Os Cannes Lions 2017 vão começar. E estarei aqui, no ECO, diariamente, a escrever sobre o festival.

Amanhã pela manhã parto para Cannes. Ou melhor, de avião para Nice e depois de Uber para Cannes. A importância dos Cannes Lions explica-se bem pelo facto da Uber, no ano passado, ter disponibilizado um serviço de helicóptero para levar os profissionais de marketing e publicidade do aeroporto de Nice até ao “palais” de Cannes.

Como referi, na minha crónica anterior, os Cannes Lions de hoje já não são só o ponto de encontro das áreas mais tradicionais da comunicação, mas são também uma referência dentro dos sectores da inovação, startups e entretenimento lato senso.

Tradicionalmente, os primeiros dois dias de Cannes não têm grande interesse. No entanto, a recente mutação do festival levou a que este facto não seja assim tão verdade.

Já amanhã, ficaremos a conhecer a shortlist dos melhores trabalhos na categoria de Innovation e iremos assistir às entregas de prémios nas categorias de Pharma e Health & Wellness. Segundo a portuguesa “Meios&Publicidade” há apenas 18 trabalhos portugueses inscritos nestas duas categorias, pelo que em princípio não haverão grandes notícias para Portugal.

Paralelamente, irão existir várias conferências integradas no festival, com patrocínios fortes de marcas como a Oracle, Google e Pinterest. No entanto, pelo menos do ponto de vista das conferências, o dia de sábado continua a não ser realmente dos mais importantes. Quem quiser assistir a conferências de nomes como Christine Lagarde, Demi Lovato, Dame Helen Mirren, Ron Howard, Alexander Wang e Steve Shiffman, terá que esperar pelos próximos dias.

Para já, os vários jornais portugueses e internacionais da área do marketing e também da economia/gestão, vão lançando as suas tradicionais “Cannes Predictions”. Alguns destes órgãos de informação juntam os elementos da redação para lançarem os seus palpites e outros preferem convidar especialistas para emitirem as suas opiniões. No entanto, caro leitor, não se deixe levar por isto, porque na verdade o festival de Cannes é uma autêntica lotaria e o que hoje parece um leão de ouro, por norma amanhã não chega sequer a uma shortlist. Falo por experiência própria, visto que já tive trabalhos referenciados em todas estas listas e que não ganharam prémio.

Já que estou a falar de prémios, convém falarmos um bocadinho sobre Portugal. No ano passado tivemos 246 trabalhos inscritos e conseguimos conquistar o melhor resultado dos últimos cinco anos, com oito leões conquistados pelas agências O Escritório (ouro e prata), Y&R (duas pratas), BBDO (três bronzes) e Leo Burnett (uma prata). Este ano, o sector da publicidade nacional recuou nas inscrições e leva apenas 185 trabalhos a concurso. Será que conseguiremos manter este registo, mesmo com menos inscrições? Veremos nos próximos dias.

Amanhã, e durante o desenrolar da semana, poderão ler uma crónica diária, na cobertura dos Cannes Lions 2017. Dúvidas, reclamações e sugestões: joao.almeida@004.pt

Até amanhã!

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

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António Costa

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