Cuidar da saúde dos nosso seniores

  • Fernando Ribeiro Mendes
  • 7 Setembro 2019

As políticas públicas estão confrontadas com novas exigências de cidadania que resultam dos ganhos de longevidade da nossa população.

Os ganhos de longevidade da população são uma tendência consolidada da nossa demografia, que se traduz na ocorrência da morte dos portugueses, em média, em idades cada vez mais avançadas. Em 2017, 85% dos óbitos verificaram-se em seniores de 65 e mais anos e 65% dos óbitos verificados disseram respeito a pessoas com idades de 80 e mais anos.

Sendo cada vez mais volumoso e longevo o segmento sénior da população, aumenta a pressão sobre o nosso sistema de saúde nos anos que antecedem a morte de cada indivíduo. Em 2017, 95% do total de óbitos foram o desenlace de doenças naturais, a maioria das quais com desenvolvimento gradual que se foi desenrolando durante vários anos: enfermidades do aparelho circulatório, tumores malignos e doenças do aparelho respiratório (responsáveis por 54% do total do ano).

Os cuidados ministrados no ocaso das nossas vidas incluem, num proporção crescente, meios de diagnóstico e terapêuticas sofisticados e muito caros, acedidos durante períodos prolongados, a que muitas vezes se sucedem cuidados paliativos também onerosos. Ao mesmo tempo, as enfermidades fatais são precedidas e acompanhadas frequentemente por patologias crónicas associadas à idades avançadas, as quais geram dependências que solicitam serviços e cuidados integrados de longo prazo, cada vez mais expressivos.

A maioria dos óbitos verifica-se em ambiente hospitalar. Em 2017, os 69.018 óbitos ocorridos em hospitais e clínicas contrastados com os 55.756 do ano 2000 dão-nos ideia bem sugestiva do aumento da pressão sobre os hospitais induzido por esta via, desde o início do século, numa população que diminuiu no período.

Toda esta evolução poderá ser contrariada se houver progresso significativo da condição de saúde da população, especialmente da mais idosa.

Tabela 1

Infelizmente, não há boas notícias neste capítulo, pois o número de anos de vida com saúde a que, em média, os portugueses e, em especial, os seniores podem aspirar tem evoluído modestamente. O mesmo se passa com a auto-perceção menos positiva que mais de metade da população portuguesa continua a declarar, quando inquirida acerca do estado da sua saúde (ver Tabela 1).

As políticas públicas estão, assim, confrontadas com novas exigências de cidadania que resultam dos ganhos de longevidade da nossa população: garantir a todos o envelhecimento saudável e os cuidados adequados a prolongar-lhes a vida, tanto quanto possível, com qualidade e dignidade.

Nas próximas eleições legislativas, é da maior importância que as candidaturas à Assembleia da República esclareçam as suas propostas neste domínio, cada vez mais importante na nossa vida coletiva.

Com tal objetivo, a CIDADANIA SOCIAL – Associação para a Intervenção e Reflexão de Políticas Sociais promove, no próximo dia 12 de setembro de 2019, a partir das 14h30, a Conferência sobre “Políticas Públicas para a Sustentabilidade do Estado Social – Legislativas 2019”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, desafiando os agentes políticos à definição rigorosa e tecnicamente sustentada de políticas sociais adequadas e sustentáveis.

  • Fernando Ribeiro Mendes
  • Economista. Dirigente do Think Tank “Cidadania Social”

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