Custa muito ser feliz?

Não sei quanto custa ser feliz, isso é uma realidade imaterial, mas sei que ninguém deseja uma comunidade de servos, entorpecida e de almas vazias.

Não há conceito mais abstracto. O que é a felicidade? O capitalismo conseguiu impor quase como medida a capacidade de adquirir bens. Nos anos 90, fruto da personagem mítica, criada como crítica ao mesmo capitalismo desenfreado por Oliver Stone, Gordon Gekko surgia como o mantra do “yuppie” e homem bem-sucedido. Quem podia comprar tudo, “greed is good”, tinha condições para estar alegre.

Mas as avassaladoras crises impuseram a crítica da sociedade à ostentação e esbanjamento. E os mais ricos descobriram a responsabilidade social e causas diversas para poderem mostrar que com o muito dinheiro que ganharam podiam ajudar a construir uma sociedade melhor. Hoje, é uma parolice a exibição vã de sinais exteriores de riqueza.

O mundo mudou, efectivamente. Mas cada dia que passa se torna mais amanuense. Exagera-se no primado das contas, fala-se demasiado de números, de orçamentos e as obscuras agências de rating, que tantas vezes já falharam e nem repararam no Lehman Brothers, são mencionadas à náusea.

O dinheiro continua a ser o bezerro de ouro ao mesmo tempo que se olvidam os valores essenciais da condição humana, o convívio, a família, a cultura. Porém, cada vez mais pessoas vão conseguindo identificar, no meio do ruído das redes sociais e das notícias que são apenas entretenimento, o que é para elas a qualidade de vida e a essência das pequenas coisas.

Empresas vão descobrindo e recrutando directores para o bem-estar. O El Pais contava este domingo que, em Espanha, a Liberty Seguros aposta em programas de saúde para os seus funcionários, proporciona conversas sobre nutrição, espaços lúdicos, visitas a museus, aulas de Pilates, Yoga, percursos contra o sedentarismo e subsídios para quem se desloque para o trabalho de bicicleta.

Há uma consciência crescente que a produtividade está ligada a um corpo e mente sã e a lazer de qualidade. Ter prazer no que fazemos é meio caminho andado para a felicidade. Os objectivos empresariais e individuais devem conviver com tempo para termos o pleno desfrute da vida. Trabalhar sob chicote e em escravidão são a assumpção dos maus resultados.

Quando em 1963 se inventou o simpático símbolo amarelo sorridente do Smiley – criado para haver bom ambiente depois da fusão de duas seguradoras – mal se pensava na sua importância para a sociedade moderna. Uma sociedade que se quer risonha, alegre em detrimento dos abúlicos séculos anteriores em que o cinzentismo da industrialização impunha uma vida de exploração e quase sem recompensas.

O dinheiro é fundamental para vivermos com dignidade mas não nos devemos sujeitar à concupiscência de bens que ele envolve. Não sei quanto custa ser feliz, isso é uma realidade imaterial, mas sei que ninguém deseja uma comunidade de servos, entorpecida e de almas vazias. A felicidade deve ser o mote para governantes e dirigentes nas suas tomadas de decisão.

Nota: Por decisão pessoal, o autor não escreve de acordo com o novo acordo ortográfico.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

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António Costa

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