Da centenária insulina ao Ecossistema de Inovação da NovaSBEpremium

Este ecossistema vai ser um motor de inovação das empresas parceiras, pretendendo acelerar os processos de inovação nos negócios e pesquisa académica e no desenvolvimento de talentos.

A insulina, considerada uma das inovações mais importantes da medicina moderna, faz 100 anos! Até 1921, a diabetes tipo 1 era uma doença fatal. O único tratamento passava por dietas muito restritivas e que, na melhor das hipóteses, acrescentavam alguns anos à vida dos diabéticos.

Em 1921 tudo mudou, mas a descoberta da insulina foi um lento e tortuoso processo. Já em 1889 investigadores alemães tinham descoberto que quando o pâncreas era removido dos cães, estes desenvolviam sintomas de diabetes, o que mostrou que o pâncreas é onde “a insulina” é produzida. Mas só em 1921, um jovem cirurgião de Toronto, Frederick Banting, descobriu como remover a insulina do pâncreas de um cão. Isto apenas foi possível porque John Macleod, professor na Universidade de Toronto, disponibilizou o seu laboratório para experiências, bem como o apoio do seu melhor aluno, Charles Best. Um ano depois, Leonard Thompson, um miúdo de 14 anos que parecia condenado a morrer de diabetes, seria o primeiro a receber uma injeção que o salvou.

Nesse mesmo ano, o professor da Universidade de Copenhaga e Prémio Nobel da Medicina August Krogh visitou Toronto, a pedido da mulher. Maria Krogh, também ela diabética, convenceu o marido e cientista dinamarquês a visitar Banting e os seus colegas, e a negociar uma licença para fabricar insulina nos países nórdicos. Esta licença foi o ponto de partida para uma fantástica odisseia científica e de negócios, com enorme impacto na história e economia dinamarquesa e mundial. Entre outros, resultou na criação de uma das maiores farmacêuticas mundiais num país com metade da população de Portugal, a Novo Nordisk, hoje com valor de mercado de 350 mil milhões de dólares e mais de 30.000 colaboradores em 76 países.

Muitos consideram que os esforços de inovação realizados em torno da insulina e sua produção é “provavelmente” (como no anúncio doutra famosa empresa dinamarquesa) o mais interessante caso de colaboração universidade-indústria, e também o mais produtivo e importante fluxo de inovação com origem na Dinamarca. O impacto social da insulina é inestimável: já salvou e continuará a salvar milhões de vidas todos os anos, apesar das polémicas com o preço da própria insulina. O impacto económico também, e não se limita a Toronto e Copenhaga, incluindo outras gigantes farmacêuticas como a americana Eli Lilly (a primeira a produzir insulina), ou inovações complementares como as canetas de insulina, as bombas da Medtronic, e muitas “inovações de utilizador” que se podem encontrar em patient-innovation.com.

O aparecimento da insulina só aconteceu porque há 100 anos já foi possível orquestrar os elementos essenciais de um ecossistema de inovação numa época onde os mecanismos de coordenação eram escassos. Hoje tudo é mais rápido, menos linear e ainda mais complexo.

Com um enfoque naturalmente diferente, foi recentemente lançado o inovador ecossistema de inovação da Nova SBE, que junta os professores, investigadores, alunos, centros de investigação aplicada da NovaSBE, a start-ups e empresas de vários sectores, num espaço aberto, de partilha e risco, onde investigação aplicada, análise de desafios concretos e inovação acontecem com o objetivo de potenciar o aparecimento de projetos inovadores e com o impacto.

Este ecossistema, organizado em verticais (da saúde ao espaço, passando pela hospitalidade, cidades inteligentes e finanças), pretende ser um laboratório que tem como objetivo criar uma comunidade de impacto na sociedade, fomentando um ambiente que empresas e empreendedores possam explorar, falhar, aprender, melhorar e transformar ideias em soluções e soluções em resultados. O ecossistema arranca com as seguintes empresas parceiras Grupo Ageas Portugal, CEiiA, CyberGym, INCM Lab, Morais Leitão, Oceano Fresco, Schréder e SIBS.

Este ecossistema vai ser um motor de inovação das empresas parceiras, pretendendo acelerar os processos de inovação nos negócios, ajudando na ideação de processos, produtos e serviços, validação de conceitos, prototipagem, aceleração e incubação de start-ups, geração de dados e pesquisa académica e no desenvolvimento de talentos.

Na visão do Dean da NovaSBE e principal maestro da ideia, Daniel Traça, “a ambição do Ecossistema de Inovação é tornar-se um lugar para desenvolver novos produtos, novas ideias e formas de disromper negócios”. Esta será possível se o ecossistema conseguir catalisar o enorme potencial da comunidade de alunos, professores, investigadores e outros colaboradores da NovaSBE em ligação aos colaboradores das organizações paceiras.

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