Diogo Vaz Guedes, a queda de um medíocre

Diogo Vaz Guedes continua a rir de uma sociedade que baixa a cabeça perante os poderosos. É contra isto que temos de remar.

A maior parte das pessoas cinge-se a criticar a classe política. Tem motivos para isso pois, na generalidade, é má. Mas o grande problema de Portugal está nas suas elites empresariais, com honrosas excepções, absolutamente medíocres e incultas. Há um enorme défice de qualidade de quem lidera, uma falta de mundo e visão global que devia apoquentar decisivamente os portugueses.

São inúmeros os casos de indivíduos que ganharam muito dinheiro e, posteriormente, caíram com estrondo no inferno do opróbrio e da vergonha. Alguns, chegaram mesmo a ser condecorados com as mais altas sinecuras do Estado quando apenas “media” colaboracionistas e deslumbrados teceram a teia de se endeusar um qualquer pusilânime. Na “pole position” desta situação não se pode esquecer Zeinal Bava. Uma mediocridade brilhante a quem deram capas de jornais, prémios nacionais e internacionais, uma medalha no 10 de Junho e que, como viemos a saber, matou a maior empresa portuguesa. Revoltante foi, há pouco tempo, uma tentativa de branqueamento realizada por uma revista de um jornal que pretendia criar a imagem de coitadinho e de vítima como se alguma pessoa de bem pudesse ter pena de quem ganhou um mundo e outro, alegadas comissões milionárias, e agora, segundo o lido, anda sozinho, ninguém se senta com ele e desapareceu das actividades sociais o que, ainda por cima, é falso pois continua sem pudor a circular pelos restaurantes da moda.

Esta semana assistimos a outro ultraje. Diogo Vaz Guedes, o poderoso homem que comandou a Somague, que vestiu sempre uma capa de soberba, declara insolvência e pede um perdão de 67 milhões. É bom não brincarmos com quem trabalha, chega dos ditos “gestores de topo” desrespeitarem o país real, aquele que se esmifra por cumprir todos os meses com as suas obrigações com quem emprega, com o fisco e a segurança social. A realidade portuguesa é de micro e pequenas empresas e o Estado, a estes, nunca perdoa nada ameaçando mensalmente com uma espada de Dâmocles que pode matar a sua actividade.

Este senhor no seu auge passeou pelo Sporting, no tempo em que os ditos “gestores de topo” e “magos das finanças” andaram por lá a brincar às empresas deixando um passivo de 400 milhões que hoje ainda estrangula o clube com o serviço da dívida. Este cavalheiro andou pelo Compromisso Portugal que deu um forte apoio a outra mediocridade brilhante chamada Durão Barroso. Encheram a boca com o país, disseram que pensavam o futuro, e na primeira oportunidade venderam as suas empresas, mudando os centros de decisão para Espanha. Sim, foi assim que a maior parte deste grupo amou Portugal. Como vêem, foi paixão muito passageira.

Os portugueses já pagaram também milhares de milhões das sumidades da banca que obrigaram a que todos suportássemos uma austeridade que matou a economia para salvar a pele destes génios. O mais insólito neste caso, segundo notícias dadas à estampa, é que diz que está falido, mas continua a viver no luxo da Quinta Patiño. Charles Dickens dizia que «cada fracasso ensina ao homem que tem algo a aprender».

O problema é que este medíocre e inculto – e esta é a minha opinião como outros poderão ter outra e têm toda a liberdade para a ter – que nunca leu um livro na vida e deve achar que Mizoguchi e Tarkovsky são empreiteiros, não aprendeu nada. Continua a rir da passividade de uma sociedade que baixa a cabeça perante os poderosos. É contra isto que temos de remar porque é na mediocridade das elites que reside a nossa incapacidade de sermos melhores.

Nota: O autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

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