Direitos desportivos. #somostodosadeptos

  • João Fonseca
  • 23 Outubro 2018

Já passaram quase cinco meses desde que a Eleven Sports adquiriu os direitos da Liga dos Campeões e da Liga espanhola, em concorrência com a Sport TV. Mas até agora perdemos todos.

Está aí à porta mais uma jornada da Liga dos Campeões. Para os amantes de futebol, dificilmente alguém descortinará competição mais espetacular do que esta. Mas vivemos tempos de incerteza. Ou, pelo menos, de algum desconforto. Todos queremos ver os jogos, mas não sabemos muito bem como, nem onde. Sim, eu sei, parece estranho.

Desde final de maio, e já passaram quase cinco meses desde que a Eleven Sports adquiriu os direitos da Liga dos Campeões e da Liga espanhola, que estamos a assistir a um novo paradigma em Portugal. A entrada em cena deste novo player num ecossistema, até então monopolizado pela Sport TV, na luta pelos direitos televisivos das mais mediáticas competições europeias, veio levantar dúvidas em muita gente. A primeira das quais nos adeptos que apenas e só querem ter acesso aos conteúdos, de preferência pelo menor custo possível.

Perguntas como: Onde posso ver? Que tenho de fazer? Quanto tenho de gastar?, ecoam ensurdecedoramente todas as semanas. Não era preciso alongar-me muito mais, para já se ter percebido que a mensagem ainda não passou. E repito, já passaram cinco meses. Mais, a mensagem ainda não passou para o vetor mais importante deste problema: Os adeptos. Acontece muito, não só em Portugal, os grandes decisores esquecerem-se de quem, no final das contas, lhes garante a subsistência.

Meus caros, #somostodosadeptos. Temos assistido a diferentes estratégias, muito centradas em guerras de bastidores e muito pouco nas pessoas.

Começando pela Eleven. Entrou no mercado em força, conseguiu fazer o mais difícil e bateu a concorrência em conteúdos premium como a Liga dos Campeões, La Liga, Bundesliga, Ligue 1, só para citar os mais mediáticos. Os problemas começaram quando foi ‘obrigada’ a colocar o produto numa operadora sem expressão em Portugal. “A única operadora independente”, justificam-se. Sob o lema #forthefans, o que é certo é que o número de consumidores com acesso ao conteúdo é ainda muito reduzido.

Meus caros, #somostodosadeptos.

Sabendo que MEO, NOS e Vodafone têm cada uma 25% da rival Sport TV, não é crível que a Eleven fosse ingénua ao ponto de pensar que estas lhe estenderiam a passadeira. Acredito que a crença de que a força do produto pudesse ser suficiente tenha motivado este raide no mercado português. E atrevo-me a dizer que num outro qualquer mercado, sem as singularidades do nosso, o seria. Por outro lado, parece-me pouco compreensível que não tenha garantido um lugar na mesa das negociações pela revenda e redistribuição pós-Nowo.

Futebolisticamente falando, a Eleven, assiste a este momento fulcral para o seu sucesso sentada na bancada, qual adepto crente, esperando até ao último minuto do tempo de descontos para que a sua equipa consiga marcar o golo salvador… Com tanto dinheiro investido, digamos que é no mínimo arriscado.
A ver vamos.

Continuando pela Sport TV. Sem Liga dos Campeões, sem La Liga e sem Ligue 1, a Sport TV viu diminuída significativamente a sua oferta em termos de conteúdo premium – mantendo no entanto o preço da assinatura mensal. Valha a verdade, e por mais que nos pareça a todos um absurdo, esta estratégia era fácil de adivinhar. E para além disso, fácil de explicar.

Esta estratégia assenta basicamente na convicção de que não será expectável que os assinantes cancelem a subscrição e deixem de ter acesso à maioria da LIGA NOS (com exceção do Benfica em casa) ou à Premier League. Por conseguinte, qualquer redução do preço significaria aumentar a disponibilidade financeira do consumidor para subscrever a Eleven, seu concorrente. E obviamente isso não lhes interessa.

Meus caros, #somostodosadeptos.

Por fim, a Nowo. Poucos seriam os portugueses que sabiam que existia. Uma coisa é certa, a Nowo já ganhou. Ganhou expressão, ganhou mediatismo, ganhou certamente clientes. Do seu lado, e voltando à gíria futebolística, encontra-se de ‘cadeirinha’. E, mais uma vez, até me atrevo a adivinhar a sua estratégia.
Vai continuamente ganhar clientes nos próximos meses, não só os particulares, mas nomeadamente nos bares, cafés e restaurantes. Atingindo uma quota de mercado razoável, e certamente multiplicando várias vezes a que teria antes da compra destes direitos, revenderá os mesmos à Vodafone, MEO e NOS. Ganhará nas duas frentes: fidelização e maior quota clientes bem como na referida revenda. It’s not rocket science.

É desde aqui que se levantam inúmeras questões, que poderemos (ou não) ver respondidas nas próximas semanas.

  1. Quanto tempo, e dinheiro, terá a Eleven para esperar que a Nowo chegue a acordo com as restantes operadoras?
  2. Quer mesmo a Nowo revender os direitos? Ou prefere esperar e aproveitar os conteúdos da Eleven para ganhar quota de mercado?
  3. Querem as restantes operadoras ser parte da estratégia da Eleven para combater a posição (ainda) dominante da Sport TV?
  4. Se, por absurdo, a Nowo estivesse disposta a oferecer os conteúdos a custo zero, as operadoras teriam interesse em distribuí-lo?
  5. Quanto tempo vão UEFA e La Liga aceitar que o seu produto não tenha exposição num mercado pequeno, mas apaixonado, como Portugal?
  6. Posto isto, será isto assunto para a Autoridade da Concorrência?

Em suma, até agora perdemos todos. Por isso, façam um esforço e lembrem-se de quem verdadeiramente importa, porque #somostodosadeptos.

  • João Fonseca

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