Em Portugal, fazer previsões é fácil

  • Henrique Neto
  • 11 Setembro 2020

Muitos comentadores económicos dizem que nas actuais circunstâncias é difícil fazer previsões. Enganam-se, com António Costa a governar é facílimo, temos assegurado um lugar entre os últimos.

Não acredito que a profunda crise económica, financeira e social que nos espera, possa conduzir a uma mudança do regime político, no sentido de uma ditadura, por alguma razão estamos na União Europeia. Aliás, também não é preciso. O PS e o Governo de António Costa conseguem os mesmos resultados através da sua aliança com os partidos marxistas à sua esquerda, ajudados pela propaganda projectada nas televisões, que tornam aceitáveis para os portugueses não apenas a sua fraca participação na vida democrática, mas também o crescente apagamento dos centros de poder democrático e a crescente governação por decreto.

A Assembleia da República foi perdendo importância democrática ao longo do tempo, na medida em que a qualidade humana e política dos deputados foi diminuindo e estes se foram habituando a cumprir as ordens dos chefes partidários, o que seria impossível nos primeiros anos de democracia. Foram escolhidos pelos chefes e se não se portarem bem não são reeleitos, assim a maioria porta-se bem.

No início da democracia, com alguma ajuda externa, foram criados centros de estudo e fundações, para que especialista, com as necessárias qualificações, estudassem os problemas do País e ajudassem os governos a tomar decisões. Nada disso existe hoje, estudar os problemas dá trabalho e basta que um intelectual do gabarito de João Galamba estude o que é preciso para torrar sete mil milhões de euros numa energia milagrosa.

O Governo de António Costa não se dá bem com grandes estudos, mas em presença da pandemia contratou um estudo sobre o futuro do País, que resultou num catálogo do tipo IKEA e está agora a escolher o mobiliário destinado a vencer a crise e projectar Portugal no futuro. O Governo está penosamente a estudar o estudo, para depois anunciar em Bruxelas, antes dos outros países da União é dito, a salvação da pátria. A Assembleia da República e os portugueses em geral não merecem ser ouvidos. Para quê, aparentemente não estudam.

Alguém disse que depois da tragédia vem a farsa e não se enganou, o caso português demonstra-o. Os setenta membros do Governo, na sua esmagadora maioria, não são para levar a sério. António Costa sabe disso, foi ele que os escolheu, razão porque os mantém quase todos calados e os poucos que falam deviam fazer ao País a caridade de estarem calados.

Ultimamente, Portugal conseguiu ficar na frente de toda a União Europeia; um dos maiores défices da história e uma das maiores quebras da produção de riqueza (PIB) de entre todos. E a propósito, os países do Norte devem estar a interrogar-se porque razão a União Europeia enriqueça a Norte e empobrece a Sul. Trata-se de um daqueles mistérios em que não vale a pena falar, trata-se do célebre principio de a cada um de acordo com as suas necessidades e de cada um segundo as suas possibilidades. Deve ser mais ou menos assim., o que prova que os do Norte se devem esforçar um pouco mais para alimentar os do Sul.

Como disse, a governação de Portugal não é para levar a sério, mas isso dói, porque Portugal é um do mais belos países do mundo, está no centro do Ocidente à beira do Atlântico e entre os dois maiores mercados mundiais – Europa e América do Norte – tem milhões de portugueses que se esforçam, em que muitos trabalham como escravos, mas a quem a verocidade do Estado, a meias com a corrupção, arruínam.

Muitos comentadores económicos dizem que nas actuais circunstâncias da economia é muito difícil fazer previsões. Enganam-se, com António Costa a governar é facílimo, temos assegurado um lugar entre os últimos.

  • Henrique Neto

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Em Portugal, fazer previsões é fácil

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião