Inovação e segurança nos meios de pagamentos eletrónicos

  • Paulo Raposo
  • 1 Abril 2019

A inovação e segurança são as chaves essenciais para a expansão dos meios de pagamentos eletrónicos na Europa.

O panorama europeu dos pagamentos eletrónicos está a sofrer uma profunda transformação digital. Graças a tecnologias de ponta, à massificação do comércio eletrónico, o e-commerce, e aos pagamentos por telefone, os pagamentos eletrónicos estão a evoluir e a transformar a forma como fazemos as nossas compras, o que contribui para a criação de valor e benefícios substanciais para os comerciantes e os consumidores.

Porém, também é preciso ter em conta os desafios que nos são colocados. Pagamentos eletrónicos, particularmente online, são muitas vezes aproveitados para fraudes. Mais do que nunca, é imperativo que a segurança e a proteção contra as fraudes estejam em primeiro plano e que as novas soluções incorporem melhorias e inovações de todo o mundo. A nova diretiva de Pagamento e Serviços II (PSD 2), transposta para o nosso sistema jurídico no ano passado, não só fomenta o aumento da concorrência e entrada de novos operadores, mas também vem robustecer a segurança dos sistemas de autentificação reforçada dos pagamentos, bem como o regime regulatório pelos quais se devem reger.

Assim, os bancos europeus deverão implementar várias mudanças ligadas à segurança dos mecanismos de autentificação antes de 14 de setembro deste ano. O sucesso dos pagamentos eletrónicos na Europa depende assim da nossa capacidade de manter as transações seguras e de construir uma relação de confiança entre os comerciantes e os consumidores.

Conseguir equilibrar a segurança e a facilidade de uso não é fácil e tem custos. Infelizmente, não há semana ou mês em que não saiam notícias sobre violações de dados. Para ajudar a aliviar as preocupações de segurança, de forma a não comprometê-la, bem como a integridade dos nossos sistemas, o setor de pagamentos eletrónicos tem investido de forma contínua e significativa.

Porém, isto é um trabalho que não irá acabar. A nossa expectativa é de que a necessidade de investir só aumentará à medida que o cibercrime se tornar mais sofisticado, enquanto que, ao mesmo tempo, comerciantes e empresas vão querer métodos de soluções de pagamento mais rápidas e convenientes.

Construir uma relação de confiança no sistema e manter os dados dos consumidores e comerciantes seguros é um objetivo que partilhamos com os reguladores. Enquanto setor, o nosso papel é fazer os investimentos necessários para oferecer a segurança e a facilidade de uso que os consumidores, os comerciantes e os decisores políticos e regulatórios esperam. Para tal, estes últimos devem garantir que a legislação correta está em vigor, permitindo à indústria manter modelos de negócios sustentáveis ​​de forma a poder continuar a investir em segurança.

As alterações introduzidas pela PSD2 em matéria de autentificação representam um passo em frente em termos de segurança, confiança e facilidade de uso para os consumidores. Estes últimos bem como o setor, estão agora a adaptar-se a este novo ambiente que promete proteger ainda mais os pagamentos.

Só através de uma abordagem assente numa multiplicidade de ferramentas interligadas e interdependentes conseguiremos manter os pagamentos eletrónicos seguros, prevenir roubos de identidade e, em caso de ataques, minimizar os impactos para os consumidores, os comerciantes e a economia.

Os meios de pagamento eletrónicos globalizaram-se e só se conseguirá fazer frente aos desafios que os mesmos colocam, implementando medidas que permitam oferecer as melhores soluções possíveis. A identificação das melhores práticas desempenha um papel crucial para podermos lutar contra o cibercrime de forma mais eficaz, o que requer investimentos significativos.

Nestes momentos o principal investimento tem sido em biometria e inteligência artificial para reduzir transações erradamente recusadas e para aumentar a experiência do utilizador e as vendas realizadas em segurança.

Não há nenhuma solução milagrosa no que diz respeito à segurança dos meios de pagamentos eletrónicos. Assim sendo, o investimento em soluções inovadoras que diminuam os casos de fraudes e ciberataques tem de ser contínuo, de forma a se poder oferecer um sistema de pagamento seguro e fiável.

Este é um desígnio global e nunca estará totalmente concluído. Governos, empresas e indivíduos precisam de trabalhar em conjunto no que diz respeito à proteção das infraestruturas digitais, através da parceria com programadores e empreendedores. Somente assim conseguiremos continuar a introduzir melhorias nos sistemas de pagamentos e criar soluções inovadoras que tragam ainda mais benefícios para a nossa sociedade.

  • Paulo Raposo
  • Country Manager da Mastercard para Portugal

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