Novo Banco? Nacionalização ou uma boa arma negocial?

Será que a nacionalização é mesmo a opção com menos custos, tendo em conta as ofertas que estão em cima da mesa?

Como escreveu aqui no Eco o Pedro Sousa Carvalho, o Novo Banco poderá ser nacionalizado, não devido a uma preferência ideológica de um governo de esquerda, mas para minorar os erros cometidos desde a resolução do BES em 2014. Ou seja, 32 anos depois, o BES poderá ser de novo nacionalizado

Mas será que a nacionalização é mesmo a opção com menos custos, tendo em conta as ofertas que estão em cima da mesa? E será que o governo quer mesmo nacionalizar o Novo Banco, ou Mário Centeno está também a sinalizar aos interessados que a há mais alternativas para além da liquidação do banco depois de Agosto, usando assim esta hipótese como um argumento nas negociações?

Quanto a primeira questão, é obviamente difícil ter a noção exacta, mas de qualquer forma, uma nacionalização terá sempre maiores custos do que os custos directos que têm sido referidos. Basta pensar no que tem sucedido no caso do BPN e até da CGD: com um banco publico, o estado fica responsável por todos os passivos, mesmo os que não são desconhecidos..

É certo, que a ser verdade o que tem vindo a publico – que a melhor oferta, da Lonestar, inclui uma garantia do estado para os activos “não core” – vender nestas condições pode até ter uma maior impacto na dívida já este ano. No entanto, com a nacionalização, os riscos a médio prazo são maiores, já que a responsabilidade de todas as futuras recapitalizações do Novo Banco e indemnizações pelos processos que ainda correm em tribunal, recairão sobre o estado. E a isto ainda acrescem os custos com uma eventual recapitalização ainda este ano, que no caso de uma nacionalização serão suportados pelo estado.

Para além destes custos, convém ter em conta que dadas as regras de concorrência da Comissão Europeia, dificilmente o Novo Banco poderá ser nacionalizado sem um rigoroso plano de negócios e de reestruturação que implicará a partida a venda ou encerramento de de certas áreas de negocio. E tendo em conta que o estado detém já o maior banco a operar em Portugal (CGD), no limite, os “remédios” da temida DG Comp poderão até incluir as chamadas áreas core: credito a famílias e principalmente a empresas. Seria no mínimo surpreendente dado o historial das decisões da Comissão que governo de um pais da área do euro o estado ficasse com uma posição tão dominante no mercado bancário, já que as quotas de mercado poderiam chegar bem perto dos 40%…

Portugal poderá sempre alegar tal como o fizeram alguns países após a crise financeira de 2008, que se trata de uma nacionalização temporária, alegando que a conjuntura externa não ajuda. No entanto, este é um argumento difícil de ser aceite, já que a própria existência do Novo Bancoé por natureza temporária, e o prazo para a venda até já foi alargado devido precisamente a circunstancias excecionais.

Portanto, será que o governo quer mesmo nacionalizar o Novo Banco, sabendo que todos os prejuízos futuros serão sempre da sua responsabilidade?

Mesmo não conseguindo adivinhar o que pensa o primeiro ministro e o Ministro das Finanças, diria que não.

Apesar desta vaga de fundo recente favorável à nacionalização, o cenário preferido será o da venda (sem garantias directas). Como as negociações ainda não estão fechadas, o Governo estará a sinalizar que a liquidação do banco não é a única alternativa e que caso as propostas não melhorem, ou seja, caso não deixem de contar com garantias do estado, estará disposto a estudar outra alternativa. Os custos de uma nacionalização são bastante incertos, mas também os de uma venda com garantias sobre passivos contingentes.

No fundo, ainda não estamos no fim do jogo de poker entre o Estado e os 3 investidores finais. Ainda faltam algumas rondas, e tendo em conta as cartas na mesa, o governo resolveu subir a parada. Será que resulta?

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