Novos tempos em Lisboa

Aqueles que se queixam que a política não consegue atrair quadros com qualidade e independência têm em Lisboa, nestas eleições autárquicas, a oportunidade de contrariar essa tendência.

No próximo dia 26, eu e todos os que moram na cidade de Lisboa temos de fazer uma escolha muito importante, mas também bastante clara: queremos mais 4 anos de uma governação que já leva 14 anos ou, pelo contrário, queremos mudar e prosseguir um caminho de maior ambição, de uma cidade virada para o futuro, inclusiva e com soluções para os seus principais problemas?

Os novos tempos em Lisboa têm um rosto. Quem quiser que o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia deixe de ser o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) só tem uma escolha possível: Carlos Manuel Félix Moedas.

Creio que há três grandes razões para votar Carlos Moedas.

A primeira razão para votar Carlos Moedas tem a ver com a gestão da autarquia.

Nestes 4 anos, o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia falhou, em grande medida, muito do que tinha prometido em 2017.

Prometeu 6 mil habitações com renda acessível e conseguiu cerca de 600. Tentou fazer uma PPP (Parceria Público Privada) para alcançar esse objetivo e conseguiu apenas a rejeição do Tribunal de Contas, mostrando a forma profundamente incompetente como o processo foi conduzido. Ao invés de reconhecer o erro, e talvez até tentar perceber o que é uma PPP (sugiro esta bibliografia), o que o Partido Socialista tentou fazer foi alterar a Lei.

Tentou que a Lei das PPP não se aplicasse aos municípios, aplicando-se apenas o Código da Contratação Pública. Isto é sintomático de uma forma de estar: quando a Lei não serve os interesses particulares do Partido Socialista, muda-se a Lei. Mesmo que entre a Contratação Pública Tradicional e as PPP haja vastíssimas diferenças. E convém não esquecer que as PPP rodoviárias em Portugal, ruinosas para os contribuintes, são responsabilidade dos governos de António Guterres e de José Sócrates. Curiosamente, o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia esteve ligado a esses dois executivos.

Prometeu criar 3.000 lugares de estacionamento fora do centro, em parques dissuasores. Só fez mil e, para se desculpar, agora acha a ideia má.

Prometeu definir, em parceria com o Governo, uma estratégia para o Aeroporto Humberto Delgado. O governo Socialista foi incapaz de começar as obras no aeroporto do Montijo. Culpa de duas autarquias do PCP, é um facto. Mas não há uma geringonça no Parlamento? O PCP não tem sido aliado do PS? O que é que o PS tentou novamente? Alterar a Lei, para servir o seu interesse particular.

Prometeu criar 14 centros de Saúde. Fez um e prepara-se para inaugurar mais dois, à pressa. Entretanto, há 90 mil lisboetas sem médico de família.

Prometeu o Museu das Descobertas e temos zero. Prometeu criar um fundo de 5 milhões de euros para desenvolver programas de investigação com as universidades e temos zero. Prometeu a nova Feira Popular e temos zero. Prometeu aumentar a Rede de Cuidados Continuados Integrados em pelo menos 650 camas e temos pouco mais de zero. Prometeu construir 8 novos centros intergeracionais e fez 2.

O jornal “Observador” fez o levantamento: em 30 promessas, o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia cumpriu 10, algumas simples e outras bastante erradas como a quota máxima para o alojamento local nos bairros históricos.

O que não espanta. O Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia nunca teve uma ideia para a cidade. Quem comandou a CML estes anos todos foi o vereador Manuel Salgado. Com os resultados que se conhecem e as intenções que se advinham.

A segunda razão para votar Carlos Moedas tem a ver com a alternância democrática e com o clima de nepotismo e corrupção que se instalou na CML em 14 anos de poder Socialista.

Desde o vereador Manuel Salgado, hoje arguido em crimes de urbanismo, até à questão dos dados transmitidos a embaixadas de países com péssimo registo de direitos humanos, a CML tem estado envolta em diversos casos, que vão desde a péssima gestão, passando por contratos e avenças com empresas de ex-vereadores e de quadros do PS, e acabando em nepotismo e suspeitas graves de corrupção, não apenas do ex-vereador do Urbanismo mas também do atual.

O facto é que em Lisboa – e no país –, o PS tem demasiado poder. Em Democracia, a alternância é fundamental, renovando quem exerce o poder, desmantelando os clientelismos e a rede de favores, e trazendo novos horizontes e ideias.

A terceira razão para votar Carlos Moedas tem a ver com o perfil dos dois candidatos e o que queremos e ambicionamos para a política.

Senão vejamos: Carlos Moedas fez um percurso académico e profissional, nacional e internacional, com mérito. Quando voltou a Portugal, podia ter feito algo muito confortável que era ir para a Administração de uma grande empresa. Não o quis. Preferiu criar um projeto de raiz para uma multinacional e depois saiu e montou o seu próprio negócio. Um dia, em 2009 ou 2010, o Carlos explicou-me a razão dessa escolha:

“Numa grande empresa já estabelecida, eu seria apenas mais um. Criar algo de raiz permite-me perceber o valor que gerei, não apenas para mim e para os acionistas, mas para todos os colaboradores e para a sociedade em geral”.

Depois, esteve no governo e foi a trave-mestra para que, em 2014, Portugal coloca-se um ponto final no programa da Troika assinado pelo governo do Partido Socialista de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. De seguida, serviu 5 anos na Comissão Europeia, tendo um papel notável numa pasta crucial para o nosso futuro: a Ciência e Tecnologia. Estava na Gulbenkian, com um futuro risonho, e tal como há mais de 20 anos, quando foi para Harvard, decidiu correr riscos e não ter medo de enfrentar os poderes instalados.

Já o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia começou por ser assessor de António Guterres em São Bento, no gabinete do P.M. Foi Secretário de Estado nos governos de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Em 2011, foi o porta-voz da campanha às legislativas. Vale a pena ver e ouvir este vídeo. Envelheceu bem a “visão clara e sem falhas” de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa que o Dr Fernando de Medina Maciel Almeida Correia descreveu. Envelheceu bem a postura de quem defendia o “querido líder”, dizendo que as críticas e as suspeitas não eram mais que “cabalas”, “pérfidas”, “calúnias” e “campanhas negras”.

Dez anos depois, o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia fez questão de defenestrar o seu ex-chefe, que lhe respondeu dizendo que “grande parte desses que dizem essas coisas estão a ajustar contas com a sua própria cobardia moral” e chamando-lhe “canalhice”. Edificante, mas também elucidativo do comportamento que o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia terá se um dia António Costa cair em desgraça, seja ela qual for.

Depois de 2011, o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia foi deputado, em 2013 passou a vice-presidente da CML com António Costa como Presidente. A saída deste, em 2014, levou o Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia a Presidente da CML, herdando o cargo e uma maioria absoluta de 11 vereadores em 17. Nas eleições seguintes conseguiu desbaratar essa maioria absoluta, passando de 11 para 8 vereadores. É obra, tendo em conta as circunstâncias em que o PSD e o CDS tiveram de enfrentar essas eleições.

O Dr. Fernando de Medina Maciel Almeida Correia nunca foi mais do que um “apparatchik”, em que a política é o meio único e o único meio.

É por isso que aqueles que se queixam que a política não consegue atrair quadros com qualidade e independência têm em Lisboa, nestas eleições autárquicas, a oportunidade de contrariar essa tendência. Votando não no atual Presidente da CML, que é um produto da política mais fraca e do compadrio do PS, mas votando, em alternativa, em alguém que já deu provas de competência e seriedade, quer na academia, quer nas empresas, quer na vida pública: Carlos Moedas.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Novos tempos em Lisboa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião