O ataque dos zombiespremium

Empresas zombie arrastam-se anos a fio absorvendo empréstimos bancários que seriam úteis a empresas com melhores modelos de negócios e trabalhadores que poderiam ser mais produtivos noutro lado.

Numa economia saudável é normal as empresas irem à falência. Aliás, para termos uma economia saudável é importante que haja empresas a falir. Empresas mal geridas, com mercados a desaparecer ou com maus modelos de negócio devem desaparecer, libertando recursos para empresas bem geridas ou com modelos de negócio mais adaptados à realidade de cada altura. Se as empresas não forem à falência, os recursos de um país (trabalhadores, capital, conhecimento) ficam eternamente presos a maus modelos de negócio. Um país só pode crescer se esta realocação de recursos estiver permanentemente a acontecer.

A possibilidade de falência é também um forte incentivo à boa gestão. Existe por vezes a ideia errada de que os liberais, como eu, defendem que os gestores privados são necessariamente melhores do que os gestores públicos. Isso não é verdade. Muitas vezes até são as mesmas pessoas de um lado e do outro. São seres humanos com as mesmas capacidades e incentivos. A diferença entre a gestão privada e a pública é que a primeira é punida se não cumprir o seu papel e isso cria um grande incentivo à boa gestão. Mais do que isso, a possibilidade de falência permite que sobrevivam os melhores gestores e que desapareçam os maus gestores ou que esses façam um esforço para melhorar. Quando deixamos de permitir a falência das empresas, fazemos com que os incentivos dos gestores privados fiquem excessivamente parecidos aos de qualquer burocrata de uma organização estatal. Sem surpresas, com incentivos iguais teremos a mesma qualidade de gestão.

É evidente que uma falência é sempre um drama para um conjunto de pessoas. Para os trabalhadores, para os empresários e para os fornecedores. Mas nós não podemos ter o melhor dos dois mundos. Não podemos esperar ter uma economia dinâmica, com fortes incentivos à inovação e ao crescimento e ao mesmo tempo uma economia estática em que as mesmas empresas com os mesmos gestores se prolongam ao longo dos anos absorvendo recursos essenciais ao crescimento de empresas saudáveis.

O rei dos zombies em Portugal é a TAP, há anos a absorver recursos da economia com um modelo de negócio inadaptado à realidade portuguesa. Não há nada que se compare ao dano que a TAP anda a causar à economia do país. Numa outra dimensão, o banco de fomento emprestou 320 mil euros à Dielmar numa altura em que já era claro que a empresa não tinha viabilidade. Estamos a falar do banco de fomento que era suposto ajudar a economia a crescer e não almofadar a morte de empresas. É como se uma maternidade se dedicasse a fazer enterros.

Os líderes políticos têm horror à mudança. Empresas zombie arrastam-se anos a fio absorvendo empréstimos bancários que seriam úteis a empresas com melhores modelos de negócios e trabalhadores que poderiam ser mais produtivos noutro lado. Empresas zombies criam fornecedores zombies, bancos zombies e uma economia zombie. Enquanto não aceitarmos a morte (das empresas) como parte natural da vida de uma economia, continuaremos com uma economia zombie, a arrastar-se até ser a mais pobre da Europa.

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