O Covid-19. E a “quarentena de consumo”.

Li Edelkoort diz que o Coronavírus traz “uma página em branco para um novo começo". Com uma recessão global que poderá levar a sociedade a fazer um reset aos seus valores.

Li Edelkoort, que gere em Nova Iorque a agência especializada em tendências Edelkoort Inc., é uma das mais importantes trend forecaster da atualidade. O seu trabalho não é adivinhar o futuro, mas sim estudá-lo. É dela e expressão, vamos entrar numa “quarantine of consumption”, em entrevista, esta semana à Dezeen.

Muito já foi dito e escrito sobre o impacto que o Covid-19 está e ainda vai ter na economia, nas marcas e nos comportamentos dos consumidores. Mas são mais as interrogações. Por cá vimos corridas aos supermercados, às farmácias, lemos que os mais ricos recorrem à aviação privada, em particular os norte-americanos depois de Trump anunciar o fecho do país às chegadas provenientes da Europa. E se por tradição o mercado do luxo costuma ser imune às crises financeiras, talvez não o seja aos vírus. Pelo menos, a este. Pauline Brown ex-presidente para o mercado norte-americano do maior grupo de luxo o LVMH ainda esta semana dizia que a compra de luxo é uma “psychological purchase”, e se é psicológico ou emocional “se as pessoas não se sentem seguras, não estão ansiosas para comprar. E dada a atual paranoia, é impensável que, por exemplo, os consumidores chineses – (um dos maiores mercados de consumo de produtos de luxo acrescentamos nós) retomem os seus hábitos, da noite para o dia” comentava ao Yahoo Finance.

Será que o que vamos assistir, no final desta crise de saúde como há muito não se via, é a descoberta de uma nova realidade de consumo? Os tais simples prazeres da vida, junto dos nossos e longe do consumo excessivo?

Segundo Li Edelkoort, o Coronavírus traz “uma página em branco para um novo começo”. Com uma recessão global de uma magnitude que ainda não se viveu e que poderá levar a sociedade a fazer um reset aos seus valores. A tal “quarentena de consumo” que terá um impacto profundo na economia e na cultura. Viver com menos, viajar menos…tudo em menos…

Olhem para o Instagram de amigos e colegas. Vejam se encontram semelhanças naquilo que a Trend Forecaster projeta: “Parece-me que estamos a entrar massivamente numa quarentena de consumo, onde aprenderemos a ser felizes apenas com um vestido simples, ou redescobrindo artigos velhos, lendo um livro esquecido…preparando-nos para uma vida mais bonita”. Até porque o ambiente melhorou com o desacelerar da produção na China: “I’am hopeful for a better system” diz aquela que é uma das mais influentes futuristas e consultora de marcas. Marcas a quem deixa um conselho. Com grandes eventos patrocinados cancelados um pouco por todo o mundo, desafia-as a encontrar novas formas inovadoras de comunicar. Porque “não há cura imediata, teremos que reinventar tudo do zero”.

Porque os tempos não são de business as usual. E numa possível nova economia, talvez a capacidade de improvisar e de ser criativo sejam os maiores ativos das marcas, até abrindo espaço a novas iniciativas de pessoas e à criação de indústrias de produção local.

Como escrevia no seu Linkedin outra trend Forecaster – Marian Salzman: O mundo precisa de duas coisas neste momento: Ciência e Bondade…

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