O futuro dos jovenspremium

Ninguém explica aos jovens que o caminho economicamente irracional que estamos a seguir em muitos aspectos do combate às alterações climáticas pode colocar em causa o seu futuro.

Alguns jovens acusam os adultos de estarem a hipotecar o seu futuro ao não cuidarem do planeta. Mas o que jovens não compreendem é que a forma como os adultos estão a querer cuidar do planeta também pode comprometer irremediavelmente o seu futuro.

Uma das frases da moda entre os jovens é que não há planeta B. Ao não tratarem do planeta, ao não se preocuparem suficientemente com as questões ambientais, ao menosprezarem as alterações climáticas, os adultos estarão a comprometer irremediavelmente o futuro dos jovens.

Esta ideia serve de justificação para que os jovens se tornem uns activistas desde tenra idade. Isto acontece principalmente aos que não têm um bom enquadramento familiar ou aos que já têm o activismo como tradição familiar. Muitas vezes, os jovens viram-se para o activistmo porque são empurrados para tal por adultos que militam nesse mesmo activismo. No caso de Greta Thunberg, parece que são os pais que a “empurram” para o activismo, incentivando-a a faltar à escola. Não sei se a lógica dos pais da pequena é que não vale pena ir à escola porque o Mundo vai acabar. Mas se é, não é muito inteligente porque se o Mundo não acabar, o futuro da jovem Greta fica irremediavelmente comprometido por ter faltado à escola.

No entanto, o problema não são só os pais. É também a escola que quer transformar cada jovem num activista e que, alarmada por declarações de gente pouco responsável, onde se incluem políticos e cientistas, promove atitudes contestatárias entre os miúdos. Há alguns anos tive de ir falar com a professora da minha filha porque os trabalhos de casa incluíam um apelo à organização de uma manifestação em defesa de uma amiga injustiçada por uma razão qualquer. Devemos defender os nossos amigos seja em que idade for, mas isso não passa pela organização de manifestações aos 11 anos de idade. Repare-se que isto aconteceu num colégio privado e Católico. A resposta que recebi do colégio foi que estava no programa do Ministério da Educação.

Já sabemos que o actual Ministro e o actual governo sempre puseram o activismo político à frente da educação das crianças e da boa governação, mas eu esperava que os professores tivessem um mínimo de bom senso. O problema é que uns têm, mas outros não. É também por isto que um bom enquadramento familiar se torna muito importante para que os jovens percebam o que é prioritário e o que é adequado em cada uma das idades.

Factos e lendas

A activismo existe também nos governos, nas ONGs e nas organizações internacionais. Se acreditarmos em tudo o que os jornais nos transmitem da boca de alguns destes grupos de activistas, só podemos chegar à conclusão de que o planeta Terra está à beira do fim.

Um exemplo basta para o ilustrar: o Eng.º Guterres, que criou e depois abandonou o pântano em Portugal e é agora secretário-geral de uma dessas organizações, declarou perante o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC): “Trata-se de um alerta vermelho para a humanidade. Os alarmes são ensurdecedores: as emissões de gases de efeito de estufa provocadas por combustíveis fósseis e a desflorestação estão a sufocar o nosso planeta”.

Estas declarações surgem porque o referido relatório afirma, no meio de frases bombásticas, que o limiar do aquecimento global (de + 1,5 graus centígrados) em comparação com o da era pré-industrial vai ser atingido em 2030, dez anos antes do que tinha sido projectado anteriormente, “ameaçando a humanidade com novos desastres sem precedentes”, e que as alterações climáticas são agora “irreversíveis”.

Qualquer pessoa de bom senso pensará que estas afirmações estão fundadas no mais sólido conhecimento científico. Mas o facto é que não estão e, apesar destas palavras sensacionalistas sobre os inevitáveis “novos desastres”, o relatório não tem provas da sua natureza nem da sua inevitabilidade. Este tom alarmista já tem mais de 50 anos e tornou-se uma versão da história de “Pedro e o Lobo”: foram tantos os avisos falsos sobre o lobo que quando veio ninguém acreditou.

As alterações climáticas tornaram o ambiente um motivo de propaganda e de activismo político. Mas o que sabem os cientistas sobre este assunto? Na realidade não sabem tanto como habitualmente se pensa. Este texto explica-o bem:

  1. Há pouca evidência de que as ocorrências climáticas extremas, supostamente uma prova da gravidade das alterações climáticas provocadas pelo homem, se tenham tornado mais frequentes desde 1850. Estas ocorrências são consistentes com os padrões normais conhecidos historicamente e com a variabilidade exibida tanto nos registos formais como em observações de sinais indirectos, como nos núcleos de gelo.
  2. Não há uma tendência crescente para o aumento do número de dias "quentes" desde 1895, e 11 dos 12 anos com o maior número destes dias ocorreram antes de 1960. As 137 estações de medição de temperatura a funcionar nos EUA não mostram aumento nas temperaturas médias durante o período disponível, entre 2005 e 2020.
  3. Apesar das imagens sobre grandes incêndios na Califórnia que passam ocasionalmente na televisão portuguesa, e que os locutores, que nada percebem do assunto, associam ao aquecimento global, não há uma tendência de crescimento no número de incêndios florestais nos EUA desde 1985, e a área global queimada tem diminuído ao longo das últimas décadas.
  4. A subida do nível do mar verifica-se desde, pelo menos, meados do século XIX, sendo por isso pouco provável que seja causado apenas pela actividade humana. Apesar das imagens de grandes derrocadas de gelo e de a terra estar a aquecer devido a causas naturais e antropogénicas, resultando em algum derretimento do gelo e numa expansão térmica da água do mar, o total de gelo marinho existente permaneceu constante desde 1979. E a taxa actual de subida do nível do mar medida pelos satélites é de 3,3 milímetros por ano, ou seja, 3,3 centímetros ao fim de 10 anos e 33 centímetros ao fim de 100 anos, o que está muito longe de ser uma catástrofe ou algo parecido.
  5. Há evidência de uma crescente concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, mas os cientistas discordam sobre as razões e não há qualquer conclusão de que seja irreversível. As previsões alarmistas daqui resultantes baseiam-se quase sempre em modelos climáticos que se têm revelado pobres na reconstrução do passado e em reproduzir o registo da variação da temperatura que está em curso.

A verdade é que os modelos usados pelo IPCC e pelos cientistas nos seus relatórios assentam num número grande de pressupostos acerca do qual há muitas dúvidas. O papel que o homem desempenha nas alterações climáticas e nas mudanças de temperatura média é um pressuposto destes modelos, não é um resultado científico. Os cientistas não sabem quão importante é o efeito da actividade humana no aquecimento global do planeta e não conseguem separar as influências naturais das antropogénicas. E como os modelos não conseguem explicar as temperaturas do passado, é ainda mais dúbio que consigam explicar as do futuro.

Mas é nestes modelos insatisfatórios –- apesar da referência em contrário dada esta semana pelo Comité Nobel como justificação para a atribuição do Prémio da Física -- que todo o sensacionalismo transmitido pela comunicação social assenta. E é com base neles que é popularizada a ideia de que o aquecimento global é exclusivamente produto da actividade humana, apesar de haver evidência científica que diz exactamente o contrário: o aumento da temperatura global não é só causado pela actividade humana e o nível da importância da actividade humana assenta em conjecturas que podem, ou não, ser refutadas.

Por tudo isto torna-se pertinente perguntar se é com falsos alarmismos que se devem resolver os problemas? Há muita gente nos governos, nas organizações internacionais, em parte da comunidade científica e em muitas ONG´s que acha que sim e que não têm qualquer pejo em não olhar a meios e a usar esta temática para atingir outros fins a que se propõem. Mas o sensacionalismo apenas motiva o activismo ignorante e prejudicial para os outros, fomentando ainda mais alarmismo e o aparecimento de novos profetas do Apocalipse com previsões catastróficas sobre os fenómenos climáticos que ainda estarão para vir.

Em suma, há três factos consensuais que gostaria de realçar: primeiro, este não é um texto a negar que haja um aumento da temperatura média na Terra, uma vez que esse é um facto bem estabelecido; segundo, outro facto bem estabelecido é que esse aumento é causado por razões naturais e pelo homem; o terceiro facto é que ninguém sabe se a actividade humana explica 1% ou 99% do aumento e ninguém sabe se as razões naturais explicam 99% ou 1% da subida das temperaturas médias.

Hipotecar o futuro

O facto de haver desconhecimento justifica que não se faça nada? Não, não se deve pura e simplesmente ignorar que a temperatura média está a aumentar. Existe um risco associado às alterações climáticas, como em tudo na vida, e os governantes deveriam saber gerir esse risco. Mas como os cientistas não têm certezas, a opção política dos decisores leva-os a ser excessivamente cautelosos nestas questões para ficarem com a consciência tranquila e evitarem serem culpados por qualquer catástrofe que surja, mesmo que nada tenha a ver com o aquecimento global.

Por esta razão optam por decidir com base em cenários apocalípticos e, para o justificar, escolhem o discurso sensacionalista, implícita ou explicitamente, que apresentam como verdade insofismável.

No entanto, esta opção deixa os governantes numa posição vulnerável às pressões de activistas, tornando-se alvo de críticas de inação a que procuram responder através de novas decisões precipitadas e excessivas para mostrar que estão a combater as mal-afamadas “alterações climáticas”.

Os exemplos da Nova Zelândia de anúncios e decisões excessivas e radicais são paradigmáticos. Em 2007, a então Primeira-ministra anunciou que iria atingir a neutralidade carbónica em 2020. Conseguiu? Não, o nível de emissões em 2020 era 23% superior ao verificado em 1990. O que fez o governo para dizer que tinha cumprido o seu objectivo? Usou os negócios das plantações florestais das empresas privadas para “anular” contabilisticamente o aumento de emissões (as árvores absorvem dióxido de carbono). Porque é que a Nova Zelândia não conseguiu reduzir as emissões? Porque reduzir as emissões de uma forma extrema tem um custo elevado, que é transferido para o futuro através do endividamento, e reduz o bem estar da população, deixando os países numa situação pior.

Este tipo de excessos é também visível pelo reconhecimento implícito, pela actual Primeira-ministra, de que a estratégia de tentar eliminar por completo o vírus do Covid, recorrendo a medidas draconianas como obrigar toda a população a ficar em casa por causa de um caso, foi um erro. E foi um erro por ter achado que o país poderia ser isolado do resto do Mundo e porque menosprezou o recurso à vacinação da população (só 41% da população é que foi vacinada). Deveria deixar o cargo, mas não o fez até agora.

Então o que deverão fazer os governos? O que faz sentido é que os governos avaliem as diferentes alternativas. Quais os custos de não se tentar atingir a neutralidade carbónica num prazo de 25 anos, como agora pretendem os governantes dos países desenvolvidos, mas apenas em 50 ou até 80 anos? Não sabemos quais são uma vez que os modelos não são fiáveis, mas os custos podem ser muito baixos ou mesmo nulos. E quais são os custos de se tentar por todos os meios atingir a neutralidade carbónica naquele mesmo prazo de 25 anos? Sabemos que, se a neutralidade for alcançada, os custos serão muito elevados e prejudicarão enormemente a vida das populações.

Se as previsões alarmistas dos activistas ficassem apenas no papel não haveria problema. Mas há um problema sério porque estão a servir de justificação para um conjunto de decisões sem qualquer racionalidade económica e que colocam seriamente em dúvida o nível de vida dos jovens no futuro.

O problema, em termos muito simples, é que, como diz a premissa básica da Economia, os recursos são escassos e por isso a sua aplicação requer decisões inteligentes. Mas não é isso o que está a acontecer com as decisões pouco racionais que canalizam recursos para o combate às alterações climáticas, como se observa em áreas tão importantes como a energia ou os transportes, contribuindo para o agravamento dos níveis de endividamento dos países desenvolvidos. Todas as despesas desnecessárias e o acumular de dívida terão consequências porque irão ser pagas no futuro. E quem estará no futuro para as pagar são os jovens.

Por isso é de estranhar que os jovens apoiem decisões que gastam recursos que poderiam aplicar quando adultos, comprometendo desta forma o seu futuro. A explicação mais razoável é que os papás activistas, as escolas, as ONGs e as organizações nacionais e internacionais não estão preocupadas em elucidar os jovens sobre esta consequência, preferindo assobiar para o lado e fingir que não existe.

Aos jovens só é dado a conhecer uma parte da questão: ou se combate as alterações climáticas ou então ficamos sem o planeta A. Perante esta alternativa a opção pelo activismo é imediata. Infelizmente, ninguém lhes explica que o caminho economicamente irracional que estamos a seguir em muitos aspectos do combate às alterações climáticas pode colocar em causa o seu futuro. Sabendo isto, a decisão dos jovens deixaria de ser imediata e a pressão para que sejam tomadas decisões erradas seria muito menor. Para benefício de todos.

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